Capítulo 116
A lua já começava a se insinuar no céu, quando Juan e Ax chegaram ao cassino de Roni, localizado em uma área menos glamorosa da cidade. A fachada discreta escondia um mundo de luzes brilhantes e ruídos inebriantes, um lugar onde segredos eram trocados tão livremente quanto fichas de pôquer.
Juan e Ax entraram, atravessando o piso lotado e se dirigindo a uma sala privada nos fundos, onde Roni já os aguardava. Roni como o homem de negócios -ainda que malignos, sempre estava impecavelmente vestido, com olhos que pareciam ver tudo e uma mente afiada como uma lâmina.
Ele se levantou quando eles entraram, o clássico sorriso diabólico em seus lábios.
—Juanito. É sempre bom ver você.— A voz de Roni era firme, mas havia uma inquietação. Subjacente que quase não foi notada debaixo de sua ironia.
—Vamos direto ao ponto?— Juan pergunta simplesmente, incapaz de passar mais tempo que o necessário no mesmo ambiente que Roni.
—Por favor,— respondeu Roni, porque ele também se sentia do mesmo modo. Mas logo, seu olhar se dirige para Ax e com a voz completamente impassível, pergunta: —Quem é esse?—
Ax olha de Juan para Roni, parecia inseguro se deveria falar ali ou não. A resposta sempre seria não.
—Um amigo e primo da Alison. Só mais uma pessoa para nos ajudar.— Juan responde com firmeza, sem hesitar nem por meio segundo.
Roni para um instante e encara Ax de cima a baixo, o analisando e tentando adivinhar se ele era realmente confiável.
—Pensei ter sido claro ao dizer que não queria nenhum desconhecido no meio dos meus negócios.— Roni rosna em direção a Juan, mas logo se dirige para Ax. —Dito isso, se você ficar no meio de qualquer coisa que seja referente a mim, ou falar para alguém sobre a menor coisa que você viu aqui, você ficará igual a sua priminha. Mas sem a oportunidade de voltar à vida.
Ax engole em seco e sente seu coração acelerar. Ele realmente não fazia ideia do que estava fazendo ali, e ele apenas tinha certeza de que aquele mundo, não era para ele.
Antes que Ax, pudesse reagir, Roni simplesmente abre um largo sorriso e anuncia:
—Bem, vamos começar!— ele volta a sentar-se por trás de sua mesa.
Ainda sentado, Roni acena para um de seus assistentes, que logo o atende, trazendo uma pasta cheia de documentos.
—Bom, tive algumas informações sobre Alison. Ela foi vista pela última vez em uma pequena cidade a cerca de três semanas. Parece que está se escondendo, mas se movimentando o suficiente para que seja difícil rastreá-la.
Juan franziu a testa, pegando os documentos e começando a lê-los, seu coração batendo aceleradamente ao perceber que estava mais perto de descobrir a verdade do que jamais esteve antes. Ax, ao seu lado, inclinou-se para frente, atento.
—E você acha que ela está sozinha?— Juan perguntou, com os olhos ainda presos naqueles documentos.
Na imagem, não podia ser visto com precisão o rosto de Alison, mas o porte do seu corpo, sempre seria reconhecível.
Roni hesitou por um momento antes de responder à pergunta de Juan, mordendo a própria língua enquanto se movimentava naquela cadeira.
—Não tenho certeza. Mas tenho razões para acreditar que ela pode ter ajuda interna.
Juan olhou para Ax, que manteve um rosto impassível, enquanto ouvia atentamente todas aquelas informações.
—Ax, você sabe de algo que possa nos ajudar? Qualquer coisa que Alison possa ter mencionado antes de desaparecer? Alguém em quem ela confiava?
Ax respirou fundo, claramente desconfortável e os seus olhos vão de Roni a Juan, repetidas vezes, enquanto ele pensava em algo que pudesse responder.
—Bom, tudo que eu sei é que ela sempre falava sobre um lugar onde se sentia segura, longe de tudo. Uma cabana nas montanhas. Pode ser que ela se esconda por lá.
Roni anotou mentalmente essa informação.
—Cabana nas montanhas...— Roni repete simplesmente. —Isso é útil. Tenho contatos que podem nos ajudar a estreitar essa busca. Até que você não é inútil em tudo, Axel.— Roni responde com sarcasmo.
O clima na sala estava calamitoso. Juan sabia que a aliança entre eles era frágil, sustentada apenas pela necessidade de encontrar Alison antes que ela causasse mais danos, e cada um por suas próprias razões individuais.
Ele não confiava completamente em Ax, mas precisava da sua ajuda. E Roni era tudo que Juan mais odiou na vida. No entanto, quando o assunto era guerra, ninguém poderia se dar o luxo de escolher seus aliados.

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