Capítulo 128
A diretora entreabre os lábios, como se estivesse prestes a falar sobre o que seria aquele problema, bem ali. No entanto, ela olha para baixo, vendo a Emma, e em seguida, olha para cima, encarando Juan e Ayla.
—Bom, eu prefiro falar em particular. A babá de Emma pode ficar de olho nela enquanto conversamos.— A diretora sugere, apontando para Ayla.
E Ayla apenas assente, concordando. No entanto, Juan não concordara nem um pouco com aquela situação e ele não evita falar com todas as palavras o seguinte:
—Ayla não é mais babá da Emma. É minha mulher, e, portanto, é a imagem materna que Emma tem. Então, qualquer problema relacionado a minha filha, poderá ser tratado na presença dela.— Juan diz com toda firmeza e seriedade.
Ayla está surpresa com todas as palavras que saíram da sua boca, mas seu coração se aquece ao entender o tipo de ligação e consideração presente entre eles.
A diretora da escola de Emma também se encontra completamente surpresa com aquela revelação e seus olhos ainda estão um pouco arregalados ao olhar de um para outro.
—É claro.— Aquela mulher concorda, ainda que sua voz estivesse um pouco embargada. —Pedirei que a professora de Emma a olhe, enquanto conversamos.—
Juan e Ayla concordam e logo após a senhora Ruiz chamar a professora de Emma, ela convida Juan e Ayla para acompanha-la. Juan, segurando a mão de Ayla, segue a diretora até sua sala.
Assim que entram e se sentam em frente aquela mesa, a preocupação toma conta dos olhares de Juan e Ayla. Porque a verdade era que Juan nunca tivera problema algum com Emma, nunca havia sido chamado em diretoria por conta dela. Por isso, ele se encontrava completamente ansioso sobre o que se tratava aquilo tudo.
E é nesse momento que a diretora Ruiz começou a falar, sua voz também cheia de preocupação:
—Eu os chamei aqui, porque tenho notado algo preocupante em Emma. Os professores também.— disse a diretora. —Ela tem insistido com seus amigos que está falando com a mãe dela, e que infelizmente, sabemos que faleceu. E isso está assustando as outras crianças.—
Ayla e Juan trocaram olhares chocados e preocupados, no mesmo instante. Porque eles sabiam que aquela frase significava muito mais para eles, do que para aquela diretora. Que o sentido oculto daquela frase, poderia mudar tudo.
—Pode nos explicar melhor?— Ayla pediu, tentando manter a calma e segurando com força a mão de Juan.
A diretora assentiu, antes de começar a falar.
—Emma contou a vários colegas que sua mãe fala com ela, que ela a vê e ouve. Isso gerou medo entre as outras crianças e preocupação entre os professores e pais. Queríamos saber se algo está acontecendo em casa que pudesse explicar esse comportamento.—
Juan sentiu um nó na garganta, lembrando-se de todo o caos presente na sua casa e odiando como isso começara a afetar Emma, que ele jurou proteger de tudo aquilo. Mas Juan também recorda de quando Emma falara que viu a Alison e ele recorda de que não havia conversado o suficiente com Emma sobre isso. E isso o deixava ainda mais desconcertado.
Mas de toda maneira, ele não podia explicar toda a situação real por trás daquilo. Por isso, ele diz simplesmente, em uma resposta automática:
—Não temos certeza, mas isso é extremamente preocupante. Emma sempre foi uma criança muito sensível. Pode ser sua maneira de lidar com a perda.—
Ayla segurou a mão de Juan, tentando passar segurança ao modo como eles reagiriam diante daquilo.
—Vamos conversar com ela e tentar entender o que está acontecendo. Obrigada por nos informar.— Ayla diz, tentando aliviar aquela situação.
A diretora assentiu, ainda genuinamente preocupada.
—Espero que possam ajudar Emma a superar isso. Estamos aqui para apoiar no que for preciso.—
Eles agradeceram, e quando saíram da sala, Juan e Ayla estavam visivelmente abalados. Emma apenas correu até eles, ansiosa para ir para casa, alheia a tudo que estava ao redor. Eles a abraçaram, tentando esconder a preocupação em seus rostos só para a manter protegida, segura e bem.
—Vamos para casa, querida,— Juan disse suavemente, segurando a mão da filha.

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