Capítulo 139
O clima na mansão de Ryan estava pesado como chumbo. As janelas fechadas abafavam o ar, apesar do ar-condicionado gelado. Amanda arrumava os sofás da sala em silêncio, e Juan andava de um lado para o outro falando com os seguranças pelo telefone.
Ryan estava no canto, sentado em uma poltrona, com a cabeça apoiada nas mãos. Seus dedos tremiam. Ayla reparava nisso mesmo tentando não encarar.
Emma brincava com lápis de cor na mesinha. O som inocente do arrastar de lápis no papel parecia um escárnio no meio daquela tensão.
De repente, o segurança que fazia a ronda interna apareceu correndo pela porta:
— Senhor Juan! Preciso que venha ver isso.
O tom urgente congelou todo mundo. Juan largou o telefone e atravessou a sala. Ayla foi atrás.
Ryan tentou se levantar rápido e cambaleou. Amanda o segurou, mas ele empurrou a mão dela, furioso:
— Eu consigo!
Eles seguiram o segurança até o corredor do andar de cima, para o quarto de Emma.
— O que houve? — Juan perguntou, o rosto duro.
— Foi no banheiro dela... eu não toquei em nada, senhor.
Ayla levou a mão à boca, o estômago embrulhando.
Entraram. A luz estava acesa. O espelho sobre a pia tinha palavras escritas em batom vermelho:
“Ela é minha. Você não vai conseguir protegê-la.”
O sangue pareceu sumir do rosto de Ayla.
— Meu Deus... — sussurrou, a voz falhando.
Juan apertou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Filha da puta.
Ryan se encostou no batente, pálido.
— Isso... isso não é possível. Ninguém entrou aqui. Temos seguranças, câmeras.
— Então ela está dentro da casa. — Juan disse entre dentes.
O segurança balançava a cabeça.
— Checamos todas as saídas. Ninguém estranho.
— NÃO ADIANTA! — Ryan gritou, assustando até Amanda. — Essa mulher faz a gente parecer idiota!
Amanda segurava o peito.
— Emma... onde está Emma?
Ayla engoliu em seco.
— Está lá embaixo.
Juan se virou num rompante e saiu do quarto correndo. Desceu as escadas num pulo. Emma continuava desenhando na sala, balançando as perninhas.
— Papai!
Ele a abraçou com força demais.
— Ai, papai! Tá apertando.
— Desculpa, princesa. — Ele afrouxou. — Você tá bem?
— Tô... — Emma franziu a testa. — Por quê?
Ayla chegou logo atrás, o rosto molhado de lágrimas. Ela se ajoelhou ao lado de Emma, alisando seus cabelos.
— Amor, você viu alguém estranho hoje? Dentro de casa?
Emma pensou um pouco.
— Não.
Ayla respirou fundo. Juan passou a mão nos cabelos, nervoso.
Amanda entrou com Ryan se arrastando atrás. Ryan tremia visivelmente, os olhos vermelhos.
— A gente não pode ficar aqui. — Ryan disse num tom de voz arrastado. — Ela vai matar todo mundo.
— Cala a boca! — Juan se virou, o olhar faiscando. — Você acha que eu não sei disso?
Amanda se colocou entre os dois.
— Por favor! Emma tá aqui!

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