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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 18

Nunca se ouviu um silêncio tão alto.

—Como diabos você entrou aqui?— Juan foi o primeiro que falou, assim que se afastou do seu irmão.

Juan outra vez deixou a raiva o consumir enquanto assistia aquela figura parada em sua frente, mas Ryan estava impassível. Observava toda aquela cena com a incredulidade e a frieza de rever a pessoa que destruiu sua vida.

—Eu te fiz a droga de uma pergunta.— Juan volta a gritar e tenta avançar, claramente tomando as dores do seu irmão, como sempre fizera um pelo outro.

Antes que Juan avance e deixe sua raiva o consumir outra vez, Ryan dá um passo à frente e outra vez segura o pulso do seu irmão mais novo, o controlando. E apenas com toda tranquilidade que Ryan tinha, ele olha em frente e pergunta:

—O que está fazendo aqui, Aaron? Se está procurando a Amanda, eu não sei onde ela está.

Ryan é frio ao falar com seu amigo de longa data, do qual ele não via há meses. O mesmo amigo que fugiu em uma viagem com a sua esposa, enquanto ele tentava lidar com o fato de que estava definhado.

Havia algo de muito corajoso em Aaron de aparecer assim.

—Na verdade, eu estou procurando por você.— Ele finalmente fala.

Ryan sorri sem humor algum.

—Não existe nada que você e eu temos em comum para que me procure. Bom, tirando o fato de que você esteve com minha mulher.

Aaron deixa um longo suspiro sair dos seus lábios, como se já esperasse por aquela reação.

—Você segue ouvindo e acreditando só no que quer, não é, Ryan?— Aaron pergunta. —Você sabia que foi exatamente isso que te colocou nessa situação? Você simplesmente não ouviu a Amanda ou a mim, só foi embora. Não nos deixou te explicar absolutamente nada.

—O que você tinha pra falar?— Juan intervém. —Que saiu em viagem com a mulher do seu amigo para descobrir mais dele? Ninguém é estúpido a esse ponto. Agora faça o favor, e dá o fora daqui.

Aaron não moveu um passo sequer. Ele conhecia os irmãos Barichello e suas personalidades o suficiente para não deixar ser abalado por qualquer situação.

—Ryan.— É tudo que Aaron diz, e parece decidido em realmente falar com ele.

Naquele instante, Ryan se sente mais cansado que o habitual e percebe que a pouca força que havia restado nele, não seria desgastada ao brigar com Aaron.

—O que você quer falar?— Ryan pergunta, por fim, querendo ouvir qual desculpa estúpida sairia da boca dele.

—Você não acha que está um pouco tarde?— Aaron pergunta em seguida. —Digo, você deve precisar descansar. Posso esperar até o dia amanhecer.

Ryan apenas cruza os braços e o encara:

—Eu não posso esperar até amanhã, e eu não quero esperar. Não sei se você sabe, mas todo o meu tempo é precioso agora.

Aaron apenas baixou os olhos, como se aquela revelação fosse dolorosa de algum modo pra ele. Ele era um excelente ator de qualquer modo.

—Tudo bem.— Ele disse, mas antes de começar a falar, olhou para Juan.

Ryan soube o que ele queria e no fundo, soube que também preferia que Juan não estivesse ali. A personalidade do seu irmão, junto a incerteza do que poderia ser dito ali, não parecia ser uma junção pacifica.

—Juan, pode nos deixar a sós?— Ryan pergunta, por fim.

—O quê?— Juan pergunta exasperado. —Você vai ficar sozinho com ele?

Juan parece incrédulo e desapontado com o pedido do seu irmão, mas Ryan apenas o entrega um olhar que fez Juan silenciar. Desde o princípio, eles sempre tiveram sua própria linguagem dita com os olhares, era o tipo de conexão impagável.

Juan concorda com o pedido do seu irmão, e enquanto Ryan o assiste se afastar e ele olha pra Aaron, Ryan percebe que seja lá o que Aaron fosse contar, aquilo o iria destruir. Seria uma imagem triste, como se o golpe final viesse finalmente o atingir.

Juan saiu daquela sala contra sua vontade, mas sabendo que aquilo deveria ser o melhor para seu irmão. Juan então caminhou pela casa, enquanto buscava seu cigarro no bolso da calça.

Assim que chegou no alpendre da casa, no entanto, foi surpreendido.

—Você realmente não dorme, não é?— Ayla perguntou assim que viu Juan.

—E pelo visto, nem você.— Juan resmungou e acendeu seu cigarro.

—Você pode me dá um?— Ayla pergunta de repente e Juan se surpreende no mesmo instante.

—E aquele papo de existir outras maneiras mais rápidas de morrer?— Juan indaga, mas entrega o cigarro em sua direção.

Ayla fica surpresa ao se dá conta de que Juan ainda se recordava daquela conversa. Juan se aproxima então com seu isqueiro e o acende próximo a boca de Ayla.

—Percebi que a vida é instável demais pra gente poder controlar como e quando morreremos.— Ela responde.

Juan apenas fica em silêncio, porque sabe exatamente ao que ela estava se referindo.

—Ayla, não é...— Juan interrompe sua explicação quando percebe que Ayla não estava sabendo tragar o cigarro, o que causou uma intensa crise de tosse.

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