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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 65

Capítulo 65

Ayla encara a porta pela qual Juan passou. Ela vê, através das janelas, quando ele liga o carro e olha em direção a casa. Um olhar distante, preocupado, confuso.

Ayla sente quando tem algo de errado com ele como se fosse consigo mesma, em sua própria alma. Ela se pergunta se houve realmente algo tão grave aqui com sua empresa, ou se existe mais. Algo dentro dela diz que existe muito mais. Mas mesmo assim, ela segue estática, observando ele ir para longe, sem fazer a mínima noção de tudo que estava acontecendo e o que estava prestes a acontecer.

Ela sente um ar gélido encobrir seu corpo e tenta agarrar a si mesma, tentando se esquentar. A verdade era que quando Juan não estava com ela, ela estava incompleta.

Um barulho na porta faz Ayla ter um sobressalto, as batidas na porta a pegam de surpresa e no mesmo momento, Andrea surge da cozinha indo até a sala.

—É o Juan novamente, querida?— Andrea pergunta, enxugando suas mãos no avental. —Ele esqueceu algo?

Ayla balança a cabeça em negação, tentando se livrar do seu devaneio.

—Eu não sei.— Ela diz por fim, tentando se recuperar. —Irei atender.

—Faça isso, querida.— Sua mãe diz com um sorriso no rosto. —Se precisar de alguma coisa, estou na cozinha.

Ayla assente e então caminha até a porta, antes de girar a maçaneta e perceber que aquela pessoa, não se tratava de Juan. Porque, surge, entre as sombras e na luz, a imagem de uma mulher que encara Ayla tão fixamente que ela sente todos os pelos do seu corpo arrepiarem.

—Oi.— Ayla fala, sua voz está rouca e cercada de uma curiosidade misturada com temor.

A mulher em sua frente a encara de cima a baixo, como se a analisasse, absorvendo cada detalhe, defeito e qualidade em Ayla. Ayla, por sua vez, aproveita aquela deixa e a observa também.

A mulher tem os cabelos solto, dividido ao meio e com apenas dois fios frontais sendo penteados e presos para trás. A tonalidade do seu cabelo ficava entre um vermelho ofuscado e um preto desbotado, como se tivesse sido tingido recentemente.

Os óculos de grau de armação quadrada cobriam quase todo o seu rosto, mas não o suficiente para esconder a profundidade do seu olhar. Um olhar, que através das poucas luzes que clareavam a porta, entregava uma tonalidade de um verde sombrio.

Apesar de Ayla ter certeza que nunca havia visto aquela mulher na vida, a sensação de que a conhecia em algum lugar, a familiaridade lhe causava arrepios na pele.

—Minha mãe está?— Aquela a mulher pergunta, por fim, fazendo com que Ayla se recupere.

—Oh!— Ayla não evita soltar um suspiro de surpresa ao perceber que aquela mulher em sua frente era... Sua irmã?

A mulher segue esperando e Ayla não deixa de notar como sua paciência ou apatia era surpreendente. Ayla, em seu lugar, já teria perdido a paciência por muito menos.

—Ah, desculpe.— Ayla diz, caindo em si. —Ela está sim. Pode entrar.

Sem trocar uma única palavra com Ayla, ela atravessa as portas e segue em direção à cozinha, onde Andrea está ocupada preparando algo. Sua mãe parece levar um susto ao ver sua outra filha ali, uma mistura de surpresa e confusão estampada em seu rosto enrugado.

—Querida, você chegou agora?— ela pergunta, seu tom denotando genuína surpresa, antes de seus olhos vagarem de Ayla para a outra filha. —Ainda temos comida. Você quer que eu esquente para você?

—Não estou com fome.— Ela diz simplesmente, num tom um tanto cortante, sua voz carregada de uma tensão palpável, e então pergunta, ainda mais fria. —É ela?

Ayla percebe imediatamente que aquela mulher está se referindo a ela e engole em seco, sentindo o coração martelar descompassado dentro do peito. Ela esconde as mãos nos bolsos de sua calça jeans, buscando algum conforto em meio à desconfortável situação, enquanto se sente como uma intrusa naquela casa.

Aquela sensação era familiar para Ayla; ela sempre se sentira assim a vida inteira, uma estranha em seu próprio lar, principalmente quando estava próxima de suas irmãs. Aparentemente, aquilo não mudaria tão cedo.

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