Ainda na última noite, Juan se encontrava tão mergulhado em sua dor, e no medo de perder seu irmão, que permaneceu petrificado naquele quarto de hospital. Estático, principalmente quando Vance atravessa aquele lugar como uma bola de canhão.
—O que está fazendo aqui?— é tudo que Juan pergunta, a sua voz fraca demais para realizar qualquer conflito.
O detetive Vance então se aproxima de Juan, seus passos pesados ecoando no silêncio do quarto de hospital, sendo divididos apenas pelos bips do aparelho ligado a Ryan atrás dele.
Juan, no entanto, não deixa de notar que os olhos, normalmente firmes e determinados de Vance, agora estavam carregados de pesar e preocupação.
O detetive parou ao lado do banco onde Juan estava sentado, fitando-o por um momento antes de começar a falar.
—Juan, eu sinto muito por incomodá-lo aqui, especialmente com o seu irmão internado... Mas havia algo que eu precisava lhe contar. Algo urgente— começou Vance, sua voz soando abalada pela gravidade da situação.
Juan ergueu o olhar para o detetive, sua expressão mesclando entre confusão e apreensão.
—O que é? O que aconteceu?—, perguntou ele, sua mente imediatamente voltando-se para aquela maldita investigação ainda em encaminhamento.
O detetive Vance respirou fundo, preparando-se para as palavras que sabia que iriam devastar Juan.
—Nós... exumamos o corpo de sua esposa, Juan, exatamente como você nos permitiu— disse ele, suas palavras carregadas de peso e tristeza. —E o que descobrimos... bem, isso muda tudo.
Juan sentiu um nó se formar em sua garganta enquanto encarava o detetive, incapaz de processar completamente o significado por trás das palavras de Vance. E como em um golpe, todo o céu de Juan muda. O cinza fazendo o presságio de algo ainda pior de tudo que estava por vir.
—O que você quer dizer com 'muda tudo'?— indagou ele, sua voz tremendo ligeiramente de exaustão.
Vance suspirou, sabendo que as próximas palavras seriam difíceis de dizer, até mesmo para ele que era o homem mais frio e direto desde o início de sua carreira.
—Juan, não havia nenhum corpo enterrado no lugar de Alison— revelou ele, sua voz pesada com o peso da verdade. —O caixão... estava vazio
Um silêncio pesado pairou sobre o quarto no mesmo instante, preenchido apenas pelo som abafado dos monitores médicos e pela respiração irregular de Juan.
Ele sentiu como se o chão estivesse sendo puxado sob seus pés, sua mente girando com as possibilidades assustadoras que aquela revelação trazia consigo. Ele sabia que todas as feridas saravam, ainda que deixassem cicatrizes. No entanto, naquele momento, todas suas feridas parecem abrir novamente.
—Como... como isso é possível?—, murmurou Juan, sua voz mal conseguindo encontrar forças para se expressar. —O que isso significa?
Vance olhou para Juan, vendo a dor e a confusão estampadas em seu rosto, e sentiu um aperto em seu próprio coração.
—Eu não sei, Juan, ainda está cedo para afirmamos qualquer coisa, mas estamos determinados a descobrir a verdade— prometeu ele, sua voz carregada de determinação.
Juan assentiu lentamente, sua mente girando com uma mistura de emoções conflitantes. Ele recorda de cada tropeço no caminho. As muitas vezes de perdas, de mentiras, de traição.
Ele sabia que sempre houve algo de misterioso e estranho na morte de Alison. Mas o que aquilo significava? Ela forjou a própria morte? Seu corpo foi roubado? Onde Alison estava?
E a pergunta mais assustadora para ele gritava em sua mente: Ela vai voltar?
Aquela madrugada foi cruel para Juan. Enquanto os ponteiros do relógio pareciam arrastar-se lentamente, ele se encontrava perdido em um turbilhão de pensamentos sombrios. As lembranças dolorosas do passado se misturavam com a incerteza do presente, pesando em sua mente como uma âncora intransponível.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Viúvo e a Babá