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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 74

Ayla sente seu coração acelerar. Era obvio que ela já havia feito todo aquele trajeto antes, mas agora era diferente. Era diferente porque era Juan a segurar sua mão, a guia-la e a fazer toda sua alma levitar.

Não existia ninguém na sala de estar quando os dois passaram, porque já era noite e era provável que todos já estivessem sido dispensados. Ayla pensa em ir ao quarto de Emma assim que chega ao segundo andar, mas ela sabe que naquele horário, Emma já estaria dormindo, então resolve esperar para o dia seguinte.

—Pode entrar.— Juan abre a porta para Ayla assim que eles param em frente ao quarto dele.

Ayla então entra no ambiente e seu coração se acelera consideravelmente ao estar em um lugar tão intimo de Juan pela primeira vez. Ao entrar, Ayla é imediatamente envolvida por uma atmosfera pesada e opulenta.

As paredes são revestidas de um rico painel de madeira escura, talvez mogno ou carvalho negro, que absorve a luz, criando cantos sombrios e fazendo com que os detalhes se destaquem apenas quando a iluminação é intencionalmente direcionada para eles. As cortinas pesadas de veludo negro adornam as janelas, mantendo o quarto mergulhado em um eterno crepúsculo.

No centro do quarto, há uma cama colossal, com um dossel escuro que paira sobre ela como uma sombra protetora. Os lençóis de seda negra são impecavelmente arrumados, mas o travesseiro estava ligeiramente amassado, como se alguém ali deitasse apenas para contemplar o vazio. Em uma extremidade do quarto, há uma lareira antiga, esculpida em pedra negra.

Ao redor do quarto, há móveis antigos e maciços, todos escuros e ornamentados, com detalhes góticos e talvez até alguns artefatos curiosos de coleções pessoais, como antiguidades macabras ou obras de arte perturbadoras.

Aquele quarto parecia ser um reflexo sombrio e luxuoso da mente enigmática de Juan.

—Ela também dormia aqui?— Ayla não consegue evitar perguntar e morde seu lábio no mesmo instante que faz aquela pergunta.

Juan não parece se importar e responde simples e calmamente enquanto caminha até a janela.

—Não. O quarto dela é no final do corredor.

—O que só vive trancado?— Ayla insiste.

Juan resmunga, como se fosse uma confirmação e então abre as cortinas e as amplas janelas do quarto.

O vento lá fora corria pelas árvores. Mesmo que estivesse tudo escuro, ainda havia beleza quando tudo estava sombrio.

—Eu já não aguentava essa cidade sem você aqui.— Juan sussurra de repente, assim que volta a ficar de frente para Ayla, apenas alguns centímetros os separando.

Ayla sorri, porque ela também não aguentava não ficar próxima de Juan por tanto tempo. E por mais que ela tenha tentado fugir, ela volta ao mesmo lugar.

—Eu voltei.— Ela sussurra de volta e Juan sorri.

Os seus olhos iluminam a escuridão. E é questão de tempo até os dois caírem na cama, conversarem por dez ou vinte minutos até o cansaço e a inconsciência os dominarem e eles adormecerem juntos. Sendo acariciados pela paz que eles entregavam um ao outro.

No dia seguinte, quando o sol já brilhava timidamente através das cortinas, Juan despertara antes de Ayla. Ele a deixou em seu quarto, dormindo mais um pouco e então desceu a sala de jantar.

Lá, ele e Emma se sentaram à mesa, enquanto apreciavam o café da manhã. Toda aquela sala parecia estar mergulhada em calma e tranquilidade, que contrastava com a turbulência emocional dos dias anteriores. Juan realmente sentia falta daquelas manhãs calmas com sua filha.

No entanto, as emoções daquela manhã prontamente se tornaram mais caóticas assim que Ayla surgiu no meio daquela sala. Seus olhos encontraram os de Juan e um sorriso suave brincou em seus lábios, uma expressão de paz e confidencia refletida em seu rosto.

Emma, que estava concentrada em seu desenho na mesa e nos seus walffes, levantou os olhos ao ouvir os passos de Ayla. E seus olhos se arregalaram de surpresa e alegria ao perceber que Ayla estava de volta.

—Ayla!—, exclamou Emma, correndo em sua direção com os braços abertos. —Você voltou! Eu senti tanto a sua falta!

Ayla sorriu ternamente, envolvendo Emma em um abraço caloroso.

—Eu também senti sua falta, querida— respondeu ela com voz suave, sentindo seu coração transbordar de amor pela menina.

Enquanto Juan observava a cena, uma sensação de paz e plenitude se instalou em seu coração. A devoção de Ayla por sua filha era apenas mais uma coisa nela que ele admirava completamente.

—Você quem vai me levar para escola hoje?— Emma pergunta de repente.

No mesmo instante, Juan intervém suavemente.

—Emma querida, a Ayla não é mais sua babá.

Emma e Ayla no mesmo instante o encaram, confusa e a expressão ‘o quê?’ sai de ambos lábios.

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