Capítulo 91
Ayla e Sunny chegaram à mansão de Juan ao final da tarde. O sol estava baixo no horizonte, lançando longas sombras pelo vasto jardim frontal.
Assim que as duas irmãs desceram do carro, Ayla paga o taxista.
—Muito obrigada. Pode ficar com o troco.— Ayla agradece com um sorriso e logo se vira só para parar outra vez e observar a sua irmã.
Sunny está parada em frente à casa, os olhos fixos na imponente construção. Ficou ali por longos minutos, observando cada detalhe com uma expressão difícil de decifrar.
—Qual é o problema?—, perguntou Ayla, notando o olhar sombrio e o rosto impassível da irmã.
Sunny rapidamente parece acordar de um transe, e logo desvia seu olhar e atenção de volta para Ayla. Mas logo, seus olhos voltam para mansão, o cenho franzido.
—Sunny?— Ayla chama outra vez, preocupada.
E de forma enigmática e rude, sem desviar o olhar da mansão, Sunny responde:
—É injusto alguém ter tanto assim enquanto outras pessoas não têm nada.
Antes que Ayla pudesse responder qualquer coisa que fosse, Sunny começou a caminhar em direção à entrada, forçando Ayla a deixar aquela estranha declaração para trás.
Ayla se apressou para acompanhar a irmã e abriu a porta da mansão assim que chegaram à entrada. Em silêncio, Sunny entra, e os seus olhos percorrem cada canto do interior com a mesma intensidade com que havia observado o exterior.
Ayla também observa o jeito enigmático e até meticuloso com que Sunny olha ao redor e aquilo a deixa um tanto perturbada, como se estivesse lidando com uma completa estranha. Mas bem, era isso que Sunny era, não é?
Não importava se as duas compartilhavam o mesmo sangue em suas veias, isso não mudava o fato de que Ayla apenas a conhecia há poucos dias.
—Não mora ninguém aqui?— Sunny pergunta de repente, ainda observando a sala de estar completamente vazia.
—Sim. O Juan e a filha. Meu...— Ayla trava de repente, não sabe o que dizer.
Juan não era mais seu chefe, mas também não era apenas um amigo... Ayla balança a cabeça rapidamente, ela realmente não tinha tempo para pensar em tudo aquilo naquele momento.
—Se ele não estiver em casa, é provável que esteja na empresa.— Ayla continua, mas sem terminar a frase que começou. —Mas só tem um jeito de descobrir.
Ayla então, gritou por Juan, sua voz ecoando pelos corredores silenciosos. Ayla poderia ir procura-lo pela casa, mas uma parte dela, da qual ela intensamente reprimia, não confiava em deixar Sunny sozinha ali.
—Ayla.— A voz masculina responde de repente, minutos depois.
Juan então apareceu na sala, vindo em direção do corredor do seu escritório, a preocupação evidente em seu rosto.
No entanto, ele para de andar imediatamente ao ver Sunny, a mulher desconhecida em sua sala de estar. No entanto, os seus olhos encontram os dela com uma familiaridade que o deixou desconfiado, desconfortável e em alerta.
—Juan, essa é minha irmã, Sunny—, disse Ayla, tentando quebrar o gelo ao observar o modo como ele a encarava de maneira tão sombria.
Juan olhou para Sunny com uma mistura de curiosidade e desconfiança. Havia algo nos olhos dela que lhe parecia familiar, algo que ele não conseguia identificar de imediato.
Sunny o analisava de volta do mesmo modo, admirada, mas ao mesmo passo, indiferente.
—Prazer em conhecê-lo—, disse Sunny, sua voz impassível, mas com um tom de ironia presente.
Juan franziu a testa, mais uma vez.
—Já nos conhecemos antes?— Ele pergunta, incapaz de guardar aquilo pra ele.
Sunny sorriu de modo sarcástico, um sorriso que não alcançou seus olhos.
—Não que eu me lembre.— Ela diz, mas logo começa a falar outra vez. —Não, eu conheço você sim!
Ayla no mesmo instante engole em seco, sente-se desconfortável diante daquela situação que agora parecia completamente constrangedora, ao mesmo passo que era esquisita.
—De onde?— Ayla não evita pergunta.
Sunny então olha para Ayla e com um sorriso ainda mais coberto de ironia, responde:
—Na TV. Ele é um desses caras ricos e poderosos demais que merecem toda a atenção da mídia.— Ela revira os olhos por longos segundos.
Juan estava prestes a falar algo e Ayla notou as pequenas centelhas de faíscas saindo dos seus olhos, a tensão na sala era palpável e quase sufocante. Por isso, Ayla sentiu a necessidade de intervir.

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