Martina
Sentei-me no sofá de veludo da cobertura de Peter, minhas pernas cruzadas com elegância calculada. Um sorriso vitorioso curvava meus lábios enquanto girava a taça de vinho em minhas mãos, o líquido rubro refletindo a luz dourada do ambiente. Peter estava de pé ao lado da janela, olhando a vista da cidade com uma expressão que oscilava entre irritação e cálculo.
“Eu disse que ia conseguir,” comecei, minha voz doce como mel, mas com a satisfação afiada de uma lâmina. “Enquanto você grita com os seus incompetentes, eu resolvo as coisas. A escuta está lá. Bem debaixo do nariz daquele babaca, além da minha mãe bem estampada em seu rosto.”
Peter virou-se para me encarar, os olhos estreitados. “Você teve sorte, Martina. Foi só isso. Eu planejo cada movimento; você só causou uma cena.”
“Uma cena que distraiu todos,” rebati, tomando um gole do vinho enquanto mantinha minha postura completamente relaxada. “Leonardo está tão cego pela vagabunda que nem parou para raciocinar. Estava tão ocupado me arrastando para fora que nem sequer notou o que eu realmente fiz.”
“Você não entende o que está em jogo aqui, entende?” Peter avançou alguns passos, a tensão evidente em seus ombros. “Isso não é um jogo de vingança pessoal contra Leonardo ou Amber. Estamos lidando com um império, uma oportunidade que pode mudar nossas vidas. Nós precisamos trazer todas as informações antes de colocar fogo nos Martinuccis.”
Coloquei a taça sobre a mesa de mármore com um leve tilintar, levantando-me para encará-lo. “Oh, Peter, sempre tão sério, tão metódico. Talvez seja por isso que precisa de mim. Eu sou o elemento que você não pode prever. Enquanto você está aí planejando cada movimento como se fosse um tabuleiro de xadrez, eu ajo. E, adivinha só? Funciona.”
“Você acha que isso te torna melhor que eu?” ele retrucou, um sorriso frio surgindo em seus lábios. “Porque se isso fosse mesmo verdade, você estaria onde Amber está e não aqui na minha frente.”
Dei uma risada curta, aproximando-me dele. “E eu devo te lembrar que eu posso ir embora agora mesmo. Não preciso de você, nunca precisei. Tenho todos os contatos que preciso para acabar com eles e com você." Respirei fundo alisando seu rosto. "Se preferir assim, me retiro agora mesmo da sua cobertura, mas você nunca vai saber o que descobri com a escuta."
“Espero que você esteja certa,” ele disse, sua voz controlada. “Porque, se não estiver, é sua cabeça que estará na linha de frente, não a minha.”
“Ah, querido,” respondi, um sorriso sacana nos lábios enquanto pegava novamente minha taça de vinho. “Se eu fosse você não ficaria preocupado comigo, eu nunca deixo rastros. Já você?"
“Veremos,” foi tudo o que ele respondeu antes de sair da sala, deixando-me sozinha com minha vitória.
Fixei meu olhar na vista além da janela, enquanto o calor do vinho descia pela minha garganta, alimentando a satisfação que crescia dentro de mim. O caos que eu semeei na vida de Leonardo e Amber era apenas o começo. Eles ainda não sabiam, mas o tabuleiro havia mudado, e desta vez, as peças estavam ao meu favor. O prêmio? Nada menos que o próprio CEO da MGroup.

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