Leonardo
Eu saí do quarto de Magnus com a mente fervendo. As palavras dele martelavam na minha cabeça como uma ordem direta.
"Não, Leo. Ela precisa saber que você tá ali. Mesmo quando diz que não quer."
Ele estava certo.
Eu havia perdido o controle, deixado minha raiva tomar conta de mim. Mas o pior de tudo? Eu a machuquei.
A mulher que eu mais amo no mundo. A mãe dos meus filhos. A mulher que fez meu coração voltar a bater depois de anos de frieza e desconfiança.
E agora, ela estava sozinha, provavelmente chorando, se sentindo rejeitada e perdida. E tudo isso por minha culpa.
Respirei fundo antes de sair do quarto de Magnus. Ele me observou por um instante e soltou, num tom mais leve:
"Se precisar de outra surra verbal, sabe onde me encontrar."
Revirei os olhos e soltei um riso baixo.
"Vai se foder e se cuida, Magnus."
"Você também."
Saí antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. Eu já sabia o que precisava fazer.
Subi as escadas lentamente, sentindo o peso de cada passo. Meu peito estava apertado, e eu sabia que nada que eu dissesse apagaria o que aconteceu. Mas eu precisava tentar.
Quando abri a porta do quarto, meu coração doeu.
Amber estava encolhida na cama, o corpo pequeno envolto pelas cobertas, as costas voltadas para mim. A respiração dela era irregular, entrecortada, denunciando o choro silencioso que tentava conter. O quarto estava mergulhado em penumbra, mas eu não precisava de mais luz para saber o quanto ela estava machucada. Fechei a porta atrás de mim com cuidado, meus passos lentos enquanto me aproximava, sentindo o peso da culpa se alojar ainda mais fundo no peito.
Sentei-me na beira do colchão, sem dizer nada por um momento. Apenas a observei, tentando encontrar uma forma de começar.
Respirei fundo e deslizei debaixo das cobertas, puxando-a delicadamente para meus braços. Ela não resistiu, mas também não se moveu.
"Me perdoa," sussurrei contra os cabelos dela.
Nenhuma resposta.
Mas então, senti a umidade contra meu peito.
As lágrimas dela.
Apertei os olhos com força, segurando-a com mais força.
"Você é perfeita, Amber," murmurei. "Você é tudo pra mim. E eu sou um idiota por não ter percebido que tudo o que você precisava era ser ouvida."
Ela soluçou baixinho, os dedos agarrando minha camisa.
"Eu não queria brigar com você," sua voz saiu abafada contra meu peito. "Eu só… não queria me sentir sozinha nisso."
"Eu sei," sussurrei, beijando o topo da cabeça dela. "E você não tá sozinha. Eu prometo."
Ela respirou fundo, o corpo tremendo levemente.
"Eu queria te contar o que ela me disse…"
"Eu já sei."
Ela congelou.
Afastei um pouco o rosto para olhar nos olhos dela. Eram olhos carregados de dor, mas também de surpresa.
"Eu vi a gravação," confessei. "Eu sei o que Walter fez com ela. Sei o que ela te contou."
"Mesmo que eu tenha meus rompantes de raiva. Mesmo que eu grite e tente me posicionar, eu nunca vou sair do seu lado. Nunca vou te abandonar, porque eu te amo com toda minha força e com tudo o que tenho e só quero que ninguém mais a faça sofrer como esses dois fizeram.
"Eu não quero mais sofrer por eles, mas eu não consigo. Meu coração está despedaçado por saber tudo isso. Ela era uma criança quando tudo aconteceu, Leo. Uma criança."
"Eu sei amor, mas não podemos mudar o passado, apenas aceitar que é isso que temos agora. E mesmo que ela diga isso, precisamos ter cuidado."
"Eu sei."
E então, se aninhou em meu peito, como se finalmente estivesse cedendo.
O silêncio entre nós se tornou confortável. Eu a segurei ali por minutos intermináveis, sentindo seu cheiro, sua respiração desacelerando, seus dedos entrelaçando-se nos meus.
E então, baixinho, comecei a cantar para ela.
Uma melodia suave, sem pressa.
Ela sorriu contra minha pele.
"Eu amo quando você canta pra mim," murmurou, sonolenta.
"Então dorme," sussurrei, beijando sua testa. "Eu fico aqui."
Ela suspirou e, lentamente, seu corpo relaxou contra o meu.
Continuei cantando suavemente, sentindo aos poucos sua respiração se tornar mais estável contra meu peito. O peso do dia parecia finalmente se dissipar conforme o sono a envolvia, e, por um momento, o mundo lá fora deixou de importar. Mas então, no silêncio tranquilo do quarto, meu celular vibrou sobre a mesa de cabeceira. Com um movimento cuidadoso, estendi a mão para pegá-lo, tomando o máximo de cuidado para não acordá-la. Desbloqueei a tela e, no mesmo instante, meus olhos se estreitaram ao ver o conteúdo. Uma mensagem anônima.
"90% concluído."
Meu peito se apertou com força, uma onda de tensão percorrendo meu corpo. Eu sabia exatamente o que aquela mensagem significava. A verdade sobre Uria estava se aproximando, e, em breve, todas as peças do quebra-cabeça estariam diante de mim.
Respirei fundo, sentindo a adrenalina se misturar à exaustão, mas uma coisa era certa: nada, absolutamente nada, me faria permitir que Amber caísse nessa armadilha.

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