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Os Gêmeos inesperados do CEO romance Capítulo 188

Amber

O sol começava a despontar no horizonte quando finalmente desviei os olhos da tela. Meus ombros estavam tensos, minha visão cansada e minha mente pulsava com a enxurrada de informações que eu havia absorvido ao longo da noite.

O dossiê sobre Martina.

Cada prova, cada acusação, cada testemunha.

Leonardo sabia tudo. Ele investigou cada detalhe, reuniu cada evidência, montando um quebra-cabeça sombrio sobre a mulher que vinha assombrando nossas vidas.

E agora, eu entendia o que ele estava fazendo.

A dor da mentira ainda era um peso no meu peito, mas… depois de ver aquilo, eu não podia negar que ele tinha um motivo.

Os crimes de Martina iam além do que eu imaginava. Corrupção, lavagem de dinheiro, suborno, agressão, chantagem. Ela era um câncer, e por algum motivo, continuava intocável.

Mas o que realmente me deixou nauseada foi o arquivo sobre Francesca Martinucci.

Leonardo mantinha todas as manchetes daquele dia.

A culpa de que ele fora o causador da tragédia. As acusações de que sua família o protegia para que ele não fosse responsabilizado pela morte da irmã.

Minha pele arrepiou ao imaginar a dor que os Martinuccis devem ter sentido naquele dia, e o peso que Leonardo carregou por anos.

Mesmo assim, ele guardava tudo.

E isso me fez vê-lo de um jeito diferente.

Leonardo não era apenas um homem controlador e possessivo. Ele era um protetor. Alguém que se doava por aqueles que amava, mesmo que isso significasse carregar sozinho o peso do mundo.

E então, decidi que faria o mesmo.

Por Bella, por Louis, pelo bebê que crescia dentro de mim.

Pela família que me acolheu sem hesitação.

Desviei o olhar da tela e foquei no sistema de segurança da MGroup. A madrugada não havia sido perdida.

Com as poucas horas que tive acessando os sistemas internos, já havia fechado dois acessos suspeitos, ambos financeiros.

E algo não fazia sentido.

O padrão era familiar. Muito familiar.

Meus dedos se apertaram sobre o teclado.

Peter Calton.

Três anos ao lado dele, mesmo sem lembranças, me ensinaram o suficiente sobre seu modo de operar. As reuniões que escutei escondida, as conversas que ouvi atrás da porta… tudo me deu as pistas certas para encontrar os rastros que ele tentava esconder.

Eu estava prestes a aprofundar a análise quando um barulho leve me tirou da concentração.

Pisquei algumas vezes, minha mente levando um segundo para sair do mundo dos códigos e voltar para a realidade.

Leonardo estava parado na porta do escritório, segurando uma xícara de café fumegante.

Eu não o ouvi entrar.

"Bom dia", sua voz saiu baixa, cuidadosa, como se tivesse medo de quebrar a bolha em que eu estava.

Me recostei na cadeira, avaliando-o. Ele parecia um homem completamente diferente do que vi na noite passada.

Seus olhos não estavam carregados de culpa e cansaço, como quando o vi dormindo no chão. Ele parecia focado.

Ainda havia tensão entre nós. Um muro de mágoa e silêncio.

Mas agora, havia também uma nova compreensão.

Ele caminhou até mim e estendeu a xícara. "Eu sei que você não pode tomar café por causa da gravidez", disse, quase hesitante. "Então pedi descafeinado."

Fiz uma careta automática.

Leonardo riu—um som breve, real. Mas ele percebeu que o clima entre nós ainda não estava normal.

"Obrigada", murmurei, aceitando a xícara e levando-a aos lábios. O cheiro era acolhedor, mas o gosto do descafeinado era quase sem vida. Ainda assim, tomei um gole.

"COMO?!"

"Alguém sabia o que queria, e deu total acesso."

"Porra! Eu pagando os melhores do país, e minha mulher descobre isso em dois dias." ele se ergueu, frustrado.

"Minha mente sabia exatamente o que estava buscando", falei tentando acalmá-lo.

Leonardo piscou algumas vezes, ainda tentando absorver o que descobriu.

"Peter Calton", continuei, meu tom frio. "Ele deixou rastros no sistema financeiro. A movimentação era estranha demais. Você nunca teria encontrado… mas eu conheço o padrão dele."

O rosto de Leonardo se transformou em pura tensão.

"Isso significa que—"

"Significa que os relatórios financeiros estão fraudados, Leonardo", interrompi, meu tom mais severo do que eu pretendia. "Por melhor que seja sua gestão, estou falando de milhões em desvios."

O silêncio que se seguiu foi esmagador.

Leonardo correu as mãos pelo cabelo, seu desespero ainda mais evidente.

"Como fui tão burro…" sua voz era um sussurro carregado de fúria. "Como não vi algo assim?"

"Ou ele foi esperto, ou não estava trabalhando sozinho."

"Ainda assim, está sangrando minha empresa, debaixo do meu nariz."

"Até agora", retruquei.

Ele virou o rosto para mim, e pela primeira vez em muito tempo, seus olhos estavam cheios de algo diferente.

Algo que não era frustração, nem raiva, nem controle.

Era confiança.

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