Cap.11
— Ai, Selene… essa madre te criou tão mal. O problema dessa velha é fazer tudo parecer um mar de rosas, que o mundo é lindo e com purpurina para essas crianças melequentos que nem você. Mas bem-vinda a Marselha, onde em cada esquina há segredos escondidos com beleza e luxúria.
Mathias a contemplou como se observasse um brinquedo quebrado. Havia algo de lento e calculado naquele sorriso que se insinuou no canto da boca dele.
— Se eu soubesse que você era uma maldita criminosa podre…
— Pois é, mas fique sabendo que foi você minha porta de entrada para me interessar e indicar esse lugar ao chefe. Eu ganhei um bônus por isso, ele gosta da ideia, e por isso fez com que esse lugar entrasse em uma crise, tirando os investidores e doadores de circulação, levando esse lugar ao que é hoje.
Selene travou com a informação e se sentiu ainda mais culpada.
— Desde quando você está envolvido com isso?
— Sempre estive envolvido com a máfia — respondeu seco. — Eu que ajudei esses “homens” a conseguirem esse lugar. Foi conveniente. É bom ter um lugar onde conseguir mercadoria quando preciso.
A confusão e o horror estampado no rosto dela o divertiam. Selene, tomada por uma raiva irracional, bateu no rosto dele com a palma da mão, um gesto pequeno e desesperado.
Mathias, impassível, agarrou-a com ambas as mãos pelo cabelo, forçando seu rosto a ficar a poucos centímetros do dele. O ar entre os dois ficou tenso, espesso.
— Você tem sorte — rosnou ele, a voz tão baixa que parecia uma ameaça de morte — de eu precisar que você esteja inteira para entregar. Se não fosse assim, já teria quebrado seus ossos por ter ousado me tocar.
Selene gemia por causa da dor, o couro cabeludo latejando entre os dedos dele. As lágrimas misturavam-se ao sangue do lábio; a vergonha queimava ainda mais que a dor. Ela tentou puxar-se para trás, mas os braços dele eram uma prisão.
Nesse instante, o som distante de um motor cortou o silêncio. Um carro se aproximava, mas ainda não tinha visto a confusão; seus olhos estavam na grande construção murada ao redor do orfanato.
— Será que é esse o lugar? O novo mercado de Omar? — o homem perguntou, com um olhar inexpressivo ao analisar a estrutura desbotada.
— Pode ser. O bairro parece até mesmo abandonado; não seria difícil para ele levar todas as meninas sem levantar suspeitas.
— Só tem meninas?
— Sim, em torno de sessenta delas.
— Oh… isso pode render bilhões para ele, já que estão sempre chegando mais crianças, não é?
— Parece que eles estão com planos de usar o lugar para receber estrangeiras também, para ficar aí até certo período de idade. Bem conveniente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!