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Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 157

O sol ainda nem tinha rompido por completo o horizonte quando a Lua Sangrenta já fervilhava de movimento, o ar estava denso, pesado, o tipo de silêncio que antecede a guerra. A neblina da manhã se espalhava entre as árvores, e o som distante das armaduras e vozes de comando ecoava por todo o território.

Amber estava do lado de fora do alojamento, ajeitando o colete de proteção e amarrando os cabelos num rabo de cavalo alto. Tailon se aproximou por trás, em silêncio, observando cada movimento dela, o peito dele doía só de pensar no que estava por vir.

— Você devia ficar fora disso. — disse, enfim, quebrando o silêncio.

Amber virou o rosto pra ele, arqueando uma sobrancelha.

— Fora disso? — riu sem humor. — Tailon, eles vão atacar nossa casa, então não existe um “fora disso”.

— Eu sei. — Ele passou a mão pelo rosto, nervoso. — Mas não precisa ir pra linha de frente, é sério, fica aqui, ajuda os feridos, qualquer coisa, só não se arrisca.

Amber soltou o ar devagar e o olhou firme.

— Eu vou lutar. — A voz dela saiu baixa, mas cheia de convicção. — Não vou ficar sentada enquanto todo mundo sangra por mim e, se for pra morrer, quero morrer lutando, como a tia Lyra faria.

Tailon fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, pois sabia que não adiantava insistir. Amber herdara o mesmo fogo da Luna, o mesmo olhar destemido, a mesma teimosia perigosa.

— Então promete que vai voltar. — murmurou, pegando as mãos dela.

Amber sorriu de leve.

— Só se você prometer o mesmo.

Ele a puxou pela cintura, colando o corpo no dela, o cheiro do campo e da fumaça se misturando entre os dois, o beijo foi rápido, tenso, como se o tempo estivesse prestes a acabar, porque, de certa forma, estava. Quando se afastaram, ela encostou a testa na dele e sussurrou:

— A gente se protege, juntos.

Tailon assentiu, e os dois se olharam em silêncio por alguns segundos antes de seguirem em direções opostas.

***

Do outro lado do acampamento, Solomon andava apressado entre os corredores, gritando nomes e ordens. Os lobos corriam de um lado pro outro, trazendo munições, carregando caixas de suprimentos, e o barulho metálico das armas preenchia o ar.

— Petra? — ele chamou, virando em um dos corredores, mas não obtinha nenhuma resposta. — Petra! — repetiu, mais alto.

Um dos soldados passou correndo e parou ao vê-lo. — Beta, o que foi?

— Viu a Petra? — ele perguntou, já impaciente.

— Não, senhor, desde ontem à noite ninguém viu ela.

Solomon sentiu um peso no peito e fechou a mão num punho e respirou fundo. — Droga…

Antes que pudesse pensar no que fazer, ouviu a voz de River atrás dele.

— Solomon! — o alfa descia os degraus do salão principal, a expressão carregada. — Esquece Petra agora, preciso de você na linha de frente comigo.

— River, eu…

— Não tem “mas”. — River cortou, firme. — Se Atlas vier hoje, eu quero você comigo. Entendido?

Solomon assentiu.

— Entendido.

Os dois se encararam por um segundo. River parecia outra pessoa, o olhar endurecido, as olheiras fundas, o corpo tenso como uma corda prestes a romper, a raiva e o desespero pela perda de Lyra eram visíveis e ele estava pronto pra destruir qualquer coisa que cruzasse o caminho.

— Vamos. — River ordenou. — Hoje não vamos recuar.

***

No alojamento dos fundos, Lua acordou com o som da chuva fina batendo no telhado, mas o quarto estava vazio, e por um instante, ela estranhou o silêncio. Caleb não estava ali, o travesseiro dele estava frio, e as botas haviam sumido.

— Caleb? — chamou, mas ninguém respondeu.

Foi então que ouviu uma batida na porta.

— Confia em mim, Lua. É importante.

A expressão da tia não deixava espaço pra discussão, então Lua suspirou e voltou a caminhar. O caminho terminou numa clareira pequena, escondida entre as árvores, no centro dela, uma cabana simples, de madeira escura, com fumaça saindo pela chaminé.

Petra parou diante da porta. — É aqui.

Lua olhou pra cabana, confusa. — Aqui o quê?

Petra apenas abriu a porta, o cheiro de incenso e sangue queimado invadiu o ar e o interior era iluminado por velas, e havia símbolos riscados no chão com pó de prata e ervas. Três figuras estavam ali dentro, Renee, Ignis e uma mulher que Lua nunca tinha visto antes. A bruxa.

— O que é isso? — Lua deu um passo pra trás, o instinto gritando. — Tia… o que você tá fazendo?

Petra segurou a mão dela, firme.

— Desculpa, meu amor. — A voz saiu embargada. — É o que precisa ser feito.

Lua olhou para as três mulheres dentro da cabana. Renee, séria como sempre, mantinha as mãos cruzadas; Ignis a encarava com um olhar triste; e a bruxa apenas observava em silêncio.

— O que precisa ser feito? — Lua repetiu, o coração disparando. — Fala logo!

Renee deu um passo à frente.

— Lua… — começou, devagar. — A gente não queria que fosse assim.

— Assim como?! — Lua gritou, se afastando mais um passo. — O que vocês vão fazer?

Ignis baixou o olhar, visivelmente desconfortável.

Renee respirou fundo e disse, com calma:

— Perdoa a gente, pequena, mas é a única forma de salvar todo mundo.

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