Entrar Via

Rejeitada: A Luna do Alfa supremo romance Capítulo 159

A noite chegou pesada.

O ar era denso, carregado com o cheiro de chuva e sangue prestes a cair. A lua cheia brilhava alta no céu, pálida e majestosa, até que, pouco a pouco, a sombra começou a tomá-la.

O eclipse havia começado.

Do alto das muralhas, o som dos lobos ecoava pela floresta, vindo do norte, eram muitos, tantos que o chão vibrava com o peso das patas.

Os portões da Lua Sangrenta estavam trancados. Atrás deles, a tropa de River aguardava em silêncio, todos em posição, o som da respiração misturado ao ranger das armas sendo empunhadas.

Caleb estava atrás da tropa meio transformado, pronto para lutar com tudo o que tinha, os olhos brilhando, as presas curtas, a pele fervendo sob o controle. Ele tentava parecer calmo, mas o cheiro do medo e da raiva era impossível de esconder.

Lá fora, a voz de Atlas ecoou alta, gutural, amplificada pela própria força do eclipse.

— River! — o nome saiu como um rugido, reverberando pelos muros. — Vim buscar o que é meu por direito!

Os lobos da Lua Sangrenta se agitaram, um rosnado coletivo percorreu as fileiras. River deu um passo à frente, subindo nas muralhas, a aura dele irradiando pura fúria.

— Você não tem nada aqui, Atlas! — rugiu de volta, a voz dele ecoando como trovão. — Devolve minha companheira antes que eu mesmo vá arrancar seu coração!

Do outro lado, Atlas deu uma gargalhada, o som cortando o ar como lâmina.

— Sua companheira? — zombou. — Ela vai ser minha também, River. E quando eu terminar com ela, talvez eu deixe você ver o que sobrou.

Um rugido ensurdecedor explodiu dentro da fortaleza. River não esperou mais, a raiva tomou conta de tudo, e num piscar de olhos ele se transformou, o corpo crescendo, os ossos estalando, a pele se rasgando em músculos e pelos negros.

— Abram os portões! — gritou Solomon, e o som metálico das travas ecoou.

Mas o comando veio tarde demais.

Do lado de fora, Atlas já havia dado sua ordem, os lobos do exército dele avançaram, colidindo contra o portão com força monstruosa, a madeira se partiu, o ferro retorceu, e a guerra começou.

O caos se instalou em segundos.

Havia apenas o som das garras rasgando a carne, dos ossos quebrando, dos uivos de dor e fúria, tudo isso enquanto o eclipse se completava lentamente no céu, a lua assistindo, mais uma vez a desgraça cair sobre a Lua Sangrenta.

River saltou das muralhas e caiu sobre Atlas, o impacto fazendo o chão tremer. Os dois se arrastaram pelo campo, arranhando, mordendo, rasgando tudo que tocavam, o cheiro de sangue encheu o ar.

Pelo vínculo mental, a voz dos dois se cruzava em gritos e ameaças.

“Deixa minha família em paz!”, rugiu River.

“Você roubou o que era meu!”, respondeu Atlas, furioso.

O uivo de Atlas ressoava como um feitiço.

River gritou de dor, apertando a cabeça com as mãos enormes e deformadas, as veias saltando no pescoço. O chão sob ele rachou. O rugido de River ecoou pelos céus, e o som partiu o coração de todos ali. Ele cambaleou, completamente transformado em sua forma de lycan, imenso, selvagem, mas agora... vazio.

Atlas se aproximou devagar, o colar brilhando intensamente, estava humano de novo, o sorriso frio, satisfeito.

— Eu avisei. — disse, baixo, olhando para o irmão ajoelhado. — O supremo agora é meu.

River uivou mais uma vez, o olhar perdido, o corpo oscilando.

Foi nesse momento que um grito rompeu a confusão:

— RIVER!

Caleb apareceu entre os lobos, correndo, o corpo dele estava meio transformado, os olhos dourados, o peito arfando. Ele olhou a cena à frente, o alfa ajoelhado, submisso, e Atlas segurando o colar, e sentiu o sangue gelar.

O eclipse estava completo.

A luz da lua tinha desaparecido.

E o mundo, por um instante, pareceu mergulhar na escuridão absoluta.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Rejeitada: A Luna do Alfa supremo