O campo de batalha era um inferno aberto.
O ar estava saturado de sangue, ferro e fumaça, cada rugido fazia o chão vibrar, e o som das garras rasgando carne se misturava aos gritos de guerra e uivos desesperados.
No meio de tudo, Atlas estava de pé, coberto de sangue, observando o caos com um sorriso satisfeito. A pedra no colar pendurada em seu peito pulsava num brilho verde grotesco, como se o poder ali dentro tivesse vida própria.
A poucos metros, River, agora completamente tomado pelo controle de algo que ninguém entendia, estava ajoelhado, a respiração pesada, o olhar vazio e selvagem.
Caleb atravessou o campo, tropeçando entre os corpos, gritando o nome do alfa.
— River! River, me escuta!
Mas não havia ninguém ali para ouvir. O lobo supremo respirava como uma fera, o peito expandindo e contraindo em ritmo descontrolado, os músculos tensionados, quando ele ergueu os olhos, encarando o garoto com um olhar animalesco, seus olhos sempre vermelhos estavam rajados de verde como se um vírus se espalhasse e tomasse tudo pelo caminho.
Atlas virou o rosto devagar, olhando para Caleb.
O sorriso dele se alargou.
— Então é você… o companheiro da pequena oráculo.
Caleb ficou imóvel, o corpo meio transformado, os olhos faiscando entre o medo e a raiva.
— O supremo não vai te ouvir, garoto. — Atlas continuou, com a voz firme, quase divertida. — Ele é meu agora.
Caleb não respondeu, apenas voltou o olhar para River, chamando-o de novo, mais alto:
— Alfa! Sua flha precisa de você!
Atlas deu uma risada rouca, balançando a cabeça.
— Não adianta gritar, moleque. O rei não está mais em casa.
River ergueu a cabeça, os olhos agora totalmente verdes e vazios brilhando com fúria. O rugido que saiu dele fez o ar ao redor vibrar.
Atlas deu um passo à frente e falou alto, para todos ouvirem:
— Podem esconder a garota o quanto quiserem... mas alguém vai pagar por isso. — Ele virou o rosto para Caleb, os dentes à mostra. — E vai ser o companheiro dela.
Ele ergueu a mão, o colar em seu peito reluzindo com o poder que fluia dali, a magia profana que Atlas havia criado.
— Alfa supremo… Mate-o!
O comando atravessou o campo como um trovão.
River rugiu, um som profundo, gutural, inumano, e, num salto, partiu pra cima de Caleb. O impacto fez o chão rachar. O corpo colossal do supremo empurrou Caleb metros para trás, e a poeira se ergueu num turbilhão.
A fera branca cambaleou, ferida, mas não recuou.
— River! Para! — Petra gritou de longe, a voz tremendo. — Ele é o companheiro da sua filha!
Mas o alfa não ouviu, ou talvez não pudesse ouvir.
River segurou o pescoço da fera branca com uma das mãos enormes, o som do osso rangendo ecoando no ar. Caleb se debatia, arranhando o braço do supremo, o sangue jorrando em gotas espessas sobre o chão.
Os olhos da fera se apagavam aos poucos, a força fugindo do corpo.
Os lobos ao redor pararam por um segundo, assistindo, ninguém ousava interferir. O próprio Atlas, parado mais atrás, observava a cena com um sorriso satisfeito.
— Isso... — ele murmurou, quase como se saboreasse o momento. — Assim que se faz. Com o companheiro dela morto e seu pai ao meu lado… Você não vai ter mais para onde fugir, oráculo.
River rugiu mais uma vez, erguendo a fera branca com uma das mãos, pronto para esmagar o pescoço dele. Caleb se debatia, desesperado, o som de seu rugido se transformando num grito rouco de dor.
Até que uma voz cortou o ar.
Alta, forte, tremula e cheia de dor.
— PAI! PARA!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Rejeitada: A Luna do Alfa supremo
Excelente pena que nao tem o livro impresso....
Muito bom! Livro excelente! História bem amarrada! Estou quase no final! Recomendo!...