A voz de Alex ecoou pela sala. Baixa, rouca de sono, perigosamente calma.
Ísis congelou no mesmo instante.
Ela fechou os olhos por um segundo, inspirou fundo e virou-se devagar. Alex estava a poucos metros, cabelos bagunçados, ombros largos ainda marcados pela tensão do sono, e uma expressão indecifrável… mas havia um brilho divertido nos olhos dele que só a deixava mais nervosa.
— Como eu poderia, se aquela era a casa dele? — pensou, antes de erguer a voz, defensiva. — Como eu poderia, Alex? Essa é a sua casa. Eu só estou indo embora.
Ela abraçou a bolsa contra o peito, cruzando os braços num gesto automático, revelando o desconforto.
Alex avançou alguns passos, lentos e firmes, como quem domina cada centímetro do próprio espaço.
— Indo embora assim? — perguntou, inclinando levemente a cabeça enquanto olhava para a porta entreaberta. — Como se tivesse feito algo errado e estivesse tentando sair sem ser descoberta?
O coração dela bateu tão forte que pareceu ecoar dentro da própria cabeça.
— Não viaja… — protestou, erguendo as mãos num gesto nervoso. — São mais de três da tarde. Eu preciso arrumar um chaveiro para abrir minha porta.
Alex parou bem diante dela. Perto demais. O suficiente para ela sentir a respiração dele e perceber que a própria estava presa no peito.
— É só isso mesmo? — ele perguntou, calmo demais, aquela calma que desmontava e incomodava ao mesmo tempo. O olhar dele… atento, afiado, parecia atravessar qualquer defesa que ela tentasse levantar.
Ísis estreitou os olhos, irritada com a sensação de estar sendo decifrada.
— Vem cá… isso é um interrogatório? — perguntou, cruzando os braços de novo e dando um passo para trás, como se precisasse de espaço para respirar.
Alex ergueu uma sobrancelha e deixou escapar um sorriso discreto.
— De maneira alguma. — respondeu ele, com suavidade. — Mas é nítido que tem algo mais.
Ela piscou rápido. O lábio inferior foi mordido sem que percebesse. Hábito de quando ficava vulnerável demais… ou quando tentava esconder medo.
E então explodiu, a voz mais alta do que pretendia.
— Você se aproveitou que eu estava bêbada pra transar comigo. Isso foi muito baixo da sua parte.
O sorriso dele desapareceu imediatamente. Os ombros ficaram mais firmes. O olhar, mais sério.
— Ísis… do que você está falando? — perguntou, genuinamente confuso. Ele deu um passo para perto, como se precisasse enxergá-la melhor. — Não estou entendendo.
Ela respirou fundo, uma, duas vezes, tentando reunir o que restava das memórias embaralhadas.
— Eu acordei com uma blusa sua… — murmurou, gesticulando com as mãos, como se tentasse juntar peças invisíveis. — Eu lembro de ter chegado com minhas roupas, de ter deitado naquele sofá… com as minhas roupas.
Alex ergueu uma mão, como se quisesse acalmá-la.
— Fica tranquila. — disse, em voz baixa. — Não rolou nada entre a gente.
Mas Ísis balançou a cabeça, aflita, o rosto corando de indignação e vergonha.
— Mas eu acordei na cama com você! — disse, apontando para ele. — Em seus braços. Vestida com uma blusa sua!
O maxilar dele tensionou por um breve instante, um movimento quase imperceptível, mas intenso.
— Tá… — Alex inclinou o corpo, aproximando o rosto do dela. — E por que você acha que estava na cama comigo? Vamos lá… — tocou o dedo indicador na própria têmpora — coloca essa cabeça pra funcionar.
Ísis apertou os olhos, tentando puxar qualquer fragmento útil da mente.
— Eu cheguei bêbada… o Ursão veio… depois eu vomitei em você… me sujei… deitei no sofá… depois… depois…
— Depois o quê, Ísis? — ele questionou, a voz mais baixa, os dedos tamborilando contra o braço, como se tivesse certeza de que ela lembraria.
Ela engoliu seco.
— Acordei na cama… chorando… porque eu sonhei com o Caio se despedindo de mim. — confessou, a voz falhando. — Você estava na poltrona. E… eu pedi pra você deitar comigo.
Alex abriu um pequeno sorriso satisfeito.
— Bingo. — disse, estalando os dedos.
Alex sorriu de canto, divertido.
— Relaxa. — disse, com leveza. — Quem nunca vomitou em alguém que atire a primeira pedra.
Ela retirou as mãos do rosto devagar, olhos arregalados.
— Isso não me conforta em nada, Alex! — reclamou, fazendo um gesto indignado com as mãos.
Ele riu, balançando a cabeça.
— Quer tomar um banho? — perguntou, mais sério agora. — Não precisa sair desse jeito. Eu te levo em casa depois.
Ísis soltou um suspiro incrédulo, fazendo uma careta dramática antes mesmo de conseguir olhar para ele.
— Eu devo estar fedida pra caramba, né? — murmurou, tentando brincar, mas a voz saiu envergonhada demais para disfarçar. — Não é nada legal tomar banho e ter que vestir roupa suja… — completou, desviando o olhar, o rosto inteiro queimando.
— Você já sabe o caminho do quarto. — Ele apontou com o queixo. — Do lado esquerdo é o closet. Pega uma blusa lá, vai servir como vestido. As toalhas limpas estão no armário.
Ísis hesitou. Muito.
Olhou para a porta.
Olhou para ele.
Olhou para si mesma e para a própria condição.
Suspirou e virou na direção do corredor.
Duck imediatamente a seguiu, trotando como um guarda-costas dedicado.
— Obrigada por nada, traidor… — ela sussurrou para o cachorro.
Duck latiu toda feliz, como se estivesse cumprindo seu dever.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato
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Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...
Eu não consigo colocar crédito. Já tentei 3 cartões...
Sera que existe liam na vida real super protetor?...
Liberem os próximos capítulos super ansiosa.... Liam e ta surpreendendo depois de ser tão mulherengo.......
195 desbloqueio da sequência desses capitulos...
Estou tento de ansiedade 🥺esperando o próximo episódio...