Ísis demorou mais do que o esperado no banho. Alex estava na cozinha, mexendo distraidamente em uma frigideira, quando ouviu passos leves no corredor. Primeiro Duck, trotando empolgado. Depois ela.
E quando Ísis surgiu na porta… Alex parou.
Literalmente.
Como se o tempo desse uma leve esticada e tudo em volta ficasse mudo.
Ela usava uma camisa dele branca, comprida o bastante para ser indecente na medida exata. As pernas dela grossas, ainda úmidas do banheiro, pele morna recém-saída do vapor, deixaram o ar mais quente do que já estava.
Ísis parou ao vê-lo olhando. E ele não desviou o olhar. Nem tentou.
O olhar dele percorreu a linha da clavícula dela, depois a curva do pescoço, depois o tecido que moldava uma silhueta que não deveria estar moldando nada, mas estava.
E muito bem.
Ela sentiu o olhar dele tocar sua pele. A respiração falhou um pouco.
— Ficou… grande demais. — Ísis comentou, puxando a barra da camisa, como se aquilo amenizasse algo. Não amenizou. — Mas… obrigada.
Alex piscou devagar, a mão ainda segurando a espátula, completamente imóvel.
Ele não sabia dizer quando exatamente se viu assim: hipnotizado. Mas ali estava parado, observando a mulher que tinha vomitado nele, que tinha chorado nos braços dele, que falava demais, que tentava esconder cicatrizes com piadas. E mesmo assim, ou talvez por isso, ela estava bonita.
Bonita demais.
E o pior era que ela não tinha a menor ideia disso. Ísis parecia desconfortável, puxando a camisa para baixo, desviando o olhar, mordendo o lábio como se quisesse desaparecer.
E aquilo só piorava tudo.
Alex engoliu seco. Uma parte dele queria avançar, segurar o rosto dela e beijá-la. Mas ele respirou fundo.
— Está ótimo. — disse, enfim a voz rouca demais, o que ele corrigiu com uma tossida discreta. — Serviu… muito bem.
Ísis ergueu um olhar rápido para ele.
Um olhar que não era pra ser nada, mas acertou nele como um tiro silencioso.
— Que bom… — ela murmurou, ainda sem jeito. — Eu… ajeitar meus cachos, mas acho que ficou meio bagunçado.
Alex não respondeu. Só observou. E ela percebeu.
O silêncio ficou espesso, quente, pulsante.
Duck sentou e ficou olhando para um e para o outro como se estivesse testemunhando algo que talvez não devesse.
Para quebrar a tensão, Alex virou de volta para o fogão.
— Estou fazendo café da manhã. — avisou, mexendo na frigideira. — A empregada está de folga esse fim de semana. Eu… — ele deu um sorriso breve — não esperava receber visita.
Ísis tocou a própria nuca, nervosa.
— Eu… realmente não esperava por isso. — disse ela, sem desviar o olhar dele por alguns segundos longos demais. — Desculpa qualquer coisa.
— Não precisa pedir desculpa. — respondeu Alex, ainda de costas, mas com a voz baixa… muito baixa. — Eu gostei da visita.
Ela abriu um sorriso tímido. Não tímido o suficiente.
Alex colocou os ovos no prato, mas não entregou. Ficou parado, olhando para a bancada, pensando se aquilo era uma péssima ideia.
Provavelmente era.
Mas ele já tinha passado desse ponto.
— Café? — perguntou, servindo duas xícaras.
— Aceito. — Ísis respondeu, aproximando-se.
Quando ela passou atrás dele para pegar açúcar, a camisa roçou nas costas dele. Só um toque leve. Suave. Mas o corpo de Alex reagiu antes dele.
Ísis sentiu.
E corou inteira.
Ele apoiou as mãos na bancada, firme, tentando manter o controle, o ar mais quente do que antes.
— Você precisa comer alguma coisa. — disse, sem olhá-la diretamente. — Bebeu muito ontem.
— Eu sei. — ela riu, um riso fraco. — Deve ter sido uma cena linda… eu toda desgrenhada, vomitada, falando besteira…
— Foi… — Alex finalmente virou o rosto para ela — …inacreditavelmente real.

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