Alex piscou devagar, provocador.
Ela riu na hora. Um riso leve, gostoso, que escapou antes que pudesse conter. Acabou levando a mão ao rosto, tentando abafar a risada sem sucesso.
— Credo, Alex… — ela empurrou de leve a mão estendida. — Suas cantadas são horríveis.
Ele inclinou o rosto, aproximando-se só o suficiente para ela sentir a mudança de ar entre eles.
— Não é cantada. — disse baixo, a voz quase rouca. — Só estou tentando te fazer sorrir. Você chorou demais na madrugada.
A sinceridade pegou ela desprevenida. Ísis piscou, perdida por um segundo.
Alex voltou a mexer a massa, o antebraço firme enquanto girava a frigideira. Mas sua voz veio mais baixa, mais segura.
— Até porque, quando eu quero… — ele virou a panqueca com um movimento preciso — …eu sei exatamente como encantar uma mulher.
Ísis sentiu o estômago revirar. Cruzou os braços de novo, mas agora era um gesto de defesa.
— Ah, é? — Ela voltou a sentar na banqueta, tentando parecer indiferente. — E o que você acha que está fazendo comigo agora?
Alex colocou duas panquecas no prato, jogou mel por cima devagar, como se fizesse aquilo há anos. Empurrou o prato na direção dela, sobre a ilha.
— Mostrando que, além de conquistador barato, também sou um ótimo cozinheiro. — sorriu de canto. — Experimenta.
Ísis pegou o garfo e deu uma mordida.
Fechou os olhos por um instante, saboreando.
— Hm… acho que precisa de mais mel.
Ela lambeu o canto do lábio, distraída. Alex percebeu demais.
Ele entregou o frasco. Ela colocou um pouco mais, provou de novo.
— Nossa, agora sim. — Ela sorriu, genuinamente surpresa. — Está muito boa.
Alex a observou comer. Observou de verdade. Os olhos seguiram a forma como ela mordia o garfo, como o cabelo úmido tocava a camisa dele. E então soltou, do nada.
— Quanto tempo faz que você ficou viúva?
A garfada dela parou no ar. A expressão endureceu por um segundo.
— Bastante. — respondeu apenas, voltando a comer rápido, como se o movimento pudesse evitar a conversa.
Alex contornou a ilha e parou ao lado dela. Não falou nada no começo. Só ficou ali, olhando.
Ela sentiu.
— Que foi? — perguntou, desconfortável, mexendo o prato sem necessidade.
Alex inclinou a cabeça devagar, os olhos fixos nela.
— Está sujo de mel aqui. — disse, tocando o canto dos lábios dela com o polegar.
O corpo dela congelou.
Ele limpou devagar, passando o dedo com cuidado… talvez cuidado demais. Primeiro olhou os lábios dela. Depois levantou os olhos para os dela.
O ar pareceu prender entre os dois.
— Quando uma mulher fica muito tempo viúva do parceiro que amava… — ele falou baixo, sem tirar a mão do rosto dela — …ela cria uma casca. Começa a achar que dá conta de tudo sozinha. Esquece como é ser cuidada.
Ísis ficou imóvel. Sem respirar direito. Sem saber se afastava ou se chegava mais perto.
— Nesse momento — Alex continuou — o chaveiro já deve estar trocando a fechadura da sua porta.
Ela arregalou os olhos.
— O quê? — perguntou, surpresa, a mão ainda segurando o prato.
Alex deu um sorriso breve.
— Quando eu quero surpreender uma mulher, eu faço com atitudes. Não com cantada ruim.
O olhar dela vacilou. Desmontou. Caiu sobre ele de um jeito que ela não queria que acontecesse.
Ele finalmente baixou a mão.
— Agora está limpo. — disse simples, como se não tivesse acabado de provocar um incêndio inteiro nela.
Deu um passo pra trás, mas seus olhos ainda estavam acesos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato