Alex aproximou o rosto, sem tocar.
— Então me dá uma oportunidade. — disse, baixo. — Só uma pra eu te mostrar quem eu sou. Pra você ver que eu não estou brincando.
Ísis sentiu o peito apertar.
— Alex… — ela murmurou, a voz quebrando. — Eu ainda não esqueci meu marido.
O olhar dele suavizou.
— Eu sei. — disse com calma. — E você nunca vai esquecer. — A mão dele desceu para o braço dela, com um carinho respeitoso. — E nem quero que esqueça. Ele fez parte da sua vida. — Ele respirou fundo. — Pelo seu jeito, ele foi um bom homem. — Pausa. — Mas ele é o seu passado, Ísis. E, infelizmente, minha preta… ele não volta mais.
A palavra bateu forte. O rosto dela desabou. As lágrimas vieram sem aviso.
— Falei alguma coisa errada? — Alex perguntou imediatamente, preocupado.
Ela balançou a cabeça.
— Ele… — a voz dela falhou — …ele me chamava de preta. Do mesmo jeito que você falou agora.
O rosto de Alex se arrependeu na hora. Ele a puxou para um abraço forte, protetor.
— Me desculpa. — disse contra o topo da cabeça dela. — Eu não sabia. Nunca mais chamo você assim.
Duck levantou de onde estava e veio até eles, colocando uma pata na perna dela, como se pedisse permissão para ajudar.
— Está tudo bem, amigão. — Alex disse, passando a mão na cabeça do cachorro. — Ela só está triste.
Ísis se soltou um pouco do abraço, virando para o cachorro e acariciando sua cabeça.
— Está tudo bem, Ursão… — ela disse, a voz baixa, carinhosa. — Fica tranquilo, fica quietinho…
Depois levantou o olhar de volta para Alex.
Ele não tirou os olhos dela. Nem o pedido que veio a seguir tirou a firmeza de sua expressão.
Alex segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Não vai embora agora. — pediu, sem rodeios. — Fica o restante do domingo aqui. — A voz dele ficou mais suave. — Vamos nos conhecendo. Deixa eu te mostrar quem eu sou. Deixa eu cuidar de você. Deixa eu fazer parte da sua vida. — Ele encostou a testa na dela. — E se você perceber que não vai conseguir gostar de mim… tudo bem. A gente vira amigo e segue em frente.
A respiração dela falhou. Os olhos ficaram presos nos dele.
E pela primeira vez desde a morte do marido, Ísis sentiu alguma coisa nova nascer no peito.
Não era segurança. Não era paixão.
Era possibilidade.
Ísis respirou fundo, secando o rosto com as próprias mãos antes de encarar Alex de novo. Os olhos estavam vermelhos, mas havia firmeza neles agora. Firmeza misturada com medo… e com algo novo.
— Nós podemos ir nos conhecendo com calma. — disse, enfim. — Mas já vou logo avisando que nesse primeiro momento… é zero sexo. — Ela levantou o dedo, como se estivesse assinando contrato. — Você vai ter que ter muita paciência comigo.
Alex abriu um sorriso.
— E pode continuar me chamando de preta. Eu… gosto. — Ela completou.
Alex inclinou o rosto para beijá-la, mas, no último segundo, Ísis virou o rosto. O beijo caiu na bochecha.
— Eu disse pra gente ir com calma, senhor conquistador barato. — ela provocou, levantando apenas um canto da sobrancelha.
Alex gargalhou. Uma gargalhada solta, gostosa, que vibrou no peito dele.
— Ok, ok… — ele ergueu as mãos em rendição. — O que você quer fazer, então?
— Não quero ir pra rua hoje. — confessou.
Alex a observou longos segundos… e respondeu no mesmo tom.
— Do jeito que você está, só eu posso te ver.
Ela fez uma expressão de indignação fingida.
— Mentira que eu vou ter que lidar com um homem ciumento? — perguntou, quase rindo da surpresa.
— Não vou mentir. — Alex deu um meio sorriso. — Sou um pouco.
— Então você vai ter que trabalhar nisso. — ela rebateu. — Porque mais pra frente eu pretendo voltar pra minha profissão.
Ele estreitou os olhos.
— E qual é a sua profissão?
Ísis respirou fundo, mexendo na bainha da camisa.
— Atriz. Sou formada. Atuava no palco junto com o Caio. — Os olhos marejaram de leve. — Parei quando descobrimos a leucemia. Em seis meses… ele faleceu. Eu me dediquei a ele vinte e quatro horas por dia.
Alex a ouviu em silêncio e, pela primeira vez, não tentou preencher o silêncio com charme ou humor. Apenas colocou a mão na dela.
— Sinto muito. — murmurou. — De verdade.
Ela assentiu.
Alex riu, acenando.
— Olívia, você deu jeito nesse homem de ferro?
Liam respondeu na hora.
— Alex, vai se ferrar.
Ísis gargalhou.
Olívia revirou os olhos.
— Amiga, vai pra outro cômodo. Preciso conversar com você a sós!
Ísis saiu da cama rindo.
As duas ficaram uma hora inteira conversando, rindo, contando tudo.
Quando Ísis retornou, Alex estava deitado com as mãos atrás da cabeça.
Ele levantou as sobrancelhas.
— Meu Deus, mulheres… vocês têm assunto para um ano.
Ela riu, subindo na cama outra vez.
— Até parece que vocês não têm. — E suspirou, apoiando a cabeça no travesseiro. — Estou MUITO feliz que eles se entenderam. Agora o casamento é real.
Alex parou por um instante, a expressão se abrindo em surpresa discreta.
— Você sabia do contrato?
Ísis levantou uma sobrancelha, toda confiante.
— Meu querido… — ela disse, teatral. — Eu sou atriz. Pescaria é o meu sobrenome. Eu pesco de longe as coisas.
Alex soltou uma risada gostosa e puxou ela pra mais perto.
— Fica comigo hoje. Amanhã eu te levo pra sua casa, você se arruma, e depois te deixo na empresa. Tudo resolvido. O que você acha?
Ísis piscou devagar, segurando o riso.
— Eu acho… — disse, mordendo a própria risada — que você está parecendo adolescente afobado prestes a ter a primeira transa. Calma, Alex… não vamos atropelar as coisas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato
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Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...
Eu não consigo colocar crédito. Já tentei 3 cartões...
Sera que existe liam na vida real super protetor?...
Liberem os próximos capítulos super ansiosa.... Liam e ta surpreendendo depois de ser tão mulherengo.......
195 desbloqueio da sequência desses capitulos...
Estou tento de ansiedade 🥺esperando o próximo episódio...