Edgar ficou parado por um segundo, como se estivesse tentando controlar a própria respiração. O olhar dele varreu o rosto dela com pressa e fome. Não de corpo, mas de resposta.
— Falando com você. — disse, baixo. — Coisa que eu não consigo há uma semana.
— Você está louco? — ela rosnou. — Destranca essa porta agora. Estou trabalhando, Edgar. Volta pra sua família.
Edgar não se mexeu.
— Uma semana, Laura. — insistiu. — Uma semana tendo que saber por terceiros se você está viva, se está comendo, se dorme… — a voz falhou num fio de raiva e desespero. — Os seguranças que o Liam colocou não deixam eu chegar nem a cinco metros de você.
Laura puxou o ar, o rosto duro.
— Ótimo. — ela respondeu fria. — Significa que estão fazendo o trabalho deles. Agora vai embora.
— Você acha que está fácil pra mim aceitar esta situação? — ele deu um passo, o tom subindo. — Eu chego e tem um armário humano na minha frente. “Ordem do Sr. Liam Holt”. — Edgar riu sem humor. — Como se você fosse propriedade dele.
— E você é o quê? — Laura cortou. — O homem que aparece depois de anos, com uma filha, e acha que pode se enfiar de novo na minha vida?
Edgar engoliu seco, como se aquela frase fosse um golpe físico.
— Eu voltei porque preciso de você. São muitos anos, eu sei. Mas eu quero tentar. — disse, mais perto agora. — Agora eu estou pronto. Não suporto mais ficar longe de você.. Quero resolver nossa situação. Como você está?
— Eu estou muito bem. — ela respondeu fria. — Melhor do que você imagina. Agora… abre essa porta e sai.
Edgar sustentou o olhar dela.
— Você está saindo quase todos os dias. — disse. — Bebendo. — os olhos dele escureceram. — E provavelmente dormindo com outros caras.
Laura deu um sorriso curto, cruel, daqueles que não têm alegria nenhuma.
— O casado é você. — respondeu. — Eu sou solteira. Não tenho filho. Não tenho marido esperando em casa. Então sim… eu estou curtindo a vida.
Edgar deu mais um passo.
— Você está fazendo isso pra me ferir. — disse, com dor contida. — E está conseguindo, Laura.
Ela abriu as mãos, como se aquilo fosse óbvio.
— Não, Edgar. Eu estou fazendo isso porque eu sigo minha vida desde quando você me deixou. — o olhar dela endureceu. — Você fez isso também. A prova está lá fora. Com nomes. Com rostos. — respirou fundo. — Aliás, você deveria estar com elas.
Edgar se aproximou mais.
— Eu comprei uma cobertura. — disse. — Já estou me mudando aos poucos. Quero que a Luna vá se acostumando.
Laura piscou devagar.
— Que bom pra você. — disse. — Parabéns.
Edgar se aproximou mais parando de frente para Laura e tocou no rosto dela com o dorso da mão, devagar.
— Eu comprei pensando na gente. — murmurou. — Na vida que eu quero construir com você… e com a Luna.
Laura virou o rosto, afastando o toque.
— Não encosta em mim.
Edgar respirou fundo, como se aquilo doesse mais do que qualquer soco.
— Amor… — chamou, a voz baixa, insistente. — Nós precisamos conversar. Esclarecer coisas.
Laura riu, sem humor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato