Laura congelou. O corpo dela ficou rígido, como se algo tivesse se quebrado por dentro. O olhar se transformou em pedra, opaco, sem qualquer resquício de entrega.Ela se desvencilhou dos braços dele com violência.
Empurrou o peito de Edgar com força, obrigando-o a dar um passo para trás. O ar faltou por um segundo, como se precisasse se recompor antes de falar. Quando abriu a boca, não havia mais hesitação. Só intenção, ela estava destruída e queria destruí-lo também.
— Assim como eu matei o nosso primeiro filho… — disse devagar, cada palavra escolhida para ferir — …se eu engravidasse de você de novo, eu faria a mesma coisa.
O silêncio caiu como um impacto físico. Edgar ficou imóvel. Não houve reação. Foi como se tivesse levado um tiro no meio do peito. O rosto perdeu a cor, os olhos se arregalaram, a respiração falhou. Ele tentou dizer algo, mas não saiu som algum. A garganta travou. O corpo não respondeu.
— O mais irônico nisso tudo é você dizer que me perdoou. — ela disse, com a voz firme, cortante. — Mas e eu? Você já parou pra pensar se eu te perdoei? — sustentou o olhar. — Porque a pessoa mais ferida nessa história toda fui eu. E não… — concluiu, fria. — eu não te perdoei.
Laura não esperou nada dele. Levantou-se, caminhou até a porta com passos firmes demais para alguém que acabara de dizer aquilo. Destrancou sem pressa, como se cada gesto fosse um ponto final.
Antes de sair, parou. Olhou por cima do ombro. O olhar não tinha ódio. Tinha uma tristeza profunda.
— Cria vergonha na cara e me esquece, Edgar. — disse, fria. — Vai viver sua vida com a sua família… e me deixa em paz.
Ela abriu a porta e saiu.O corredor pareceu mais frio depois que ela se foi. Edgar ficou ali, sozinho, encarando a porta fechada, tentando entender em que momento tudo tinha escapado das mãos dele.
Uma hora depois, na recepção da clínica, Marcela estava sentada com Luna, a menina abraçada à coleira rosa como se fosse um amuleto.
Edgar estava em pé, inquieto, os olhos perdidos, mas se endireitou quando viu uma veterinária se aproximar.
— O resultado do exame da Meg já saiu. — disse ela, gentil. — Podem me acompanhar, por favor?
Luna levantou rápido.
— Cadê a outra doutora? — perguntou, inocente.
A veterinária sorriu.
— Princesa… a Laura é dona da clínica, mas hoje ela precisou resolver outras coisas. — falou com doçura. — Ela te atendeu porque você é uma princesa muito linda e especial. Mas fica tranquila… eu sou uma boa profissional igual ela.
Luna assentiu, ainda preocupada.
— Tá bom…
A veterinária os conduziu até a sala.
— Bem… a suspeita da Dra. Laura estava certa. — disse, objetiva. — A Meg está com cinomose. Mas está no começo. Isso é muito importante. — olhou para Luna, com cuidado. — Vamos iniciar o tratamento imediatamente e manter a internação. Eu vou explicar tudo direitinho para vocês. Daqui pra frente, eu que cuidarei da Meg.
Marcela apertou a mão da filha. Edgar permaneceu em silêncio. Por fora, parecia inteiro, imóvel, rígido, respirando com dificuldade controlada. Mas por dentro, tudo estava em ruínas. A dor não vinha em ondas, vinha pesada, esmagando o peito.
Na Trident Marine, Ísis entrou na sala de Olívia com uma pasta fina sob o braço. Caminhava num ritmo prático, mas diminuiu o passo ao perceber o clima pesado no ambiente. Parou diante da mesa e apoiou a pasta com cuidado.
— Amiga, preciso que você assine esses documentos. — disse, estendendo a pasta, mas mantendo o olhar atento ao rosto dela.
Olívia pegou os papéis quase no automático. Folheou a primeira página sem realmente ler, a caneta girando entre os dedos.

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