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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 228

Luna não se virou, mas os ombros se moveram de leve. Um sinal pequeno, quase invisível, de que estava ouvindo.

Laura respirou fundo antes de continuar. A voz saiu baixa, cuidadosa, como quem pisa em terreno sensível.

— A princesa Laura vivia em um castelo com os pais… — começou. — Os avós bem velhinhos, que a amavam muito, e um irmão que não gostava tanto dela.

Do lado de fora, Edgar havia parado diante da porta entreaberta. Ao ouvir o próprio nome na história, levou a mão à maçaneta, mas não entrou. Apenas ficou ali, imóvel. Luna permaneceu em silêncio.

— Todo mundo achava que ela tinha tudo — continuou Laura — mas, na verdade, ela se sentia sozinha quase todos os dias.

Edgar fechou os olhos por um instante. Aquela solidão… ele conhecia bem.

— Um dia, essa princesa conheceu um plebeu meio implicante… — Laura sorriu de leve. — Ele não tinha castelo, nem coroa… só um coração enorme e um amor muito grande pra dar.

Luna virou um pouco o rosto, atenta.

— Mas ele não queria demonstrar que gostava da princesa — continuou Laura, sem acusação. — Então implicava com ela o tempo todo. Chamava a princesa de Felícia.

Os olhos de Luna se arregalaram.

— Meu pai assiste comigo o desenho da Felícia… — disse de repente. — Às vezes ele chorava quando via. Aí eu secava as lágrimas dele e falava: “não chora, papai… eu te amo”.

Do outro lado da porta, Edgar sentiu o peito apertar. A mão subiu até o rosto, cobrindo a boca para conter o impacto daquela lembrança dita pela filha.

Laura sentiu o nó na garganta, inspirou fundo e seguiu.

— Esse plebeu ajudou o irmão da princesa a se aproximar dela… — disse com cuidado. — Eles acabaram se gostando tanto, mas tanto, que esse irmão virou mais pai da princesa do que irmão. Porque o pai verdadeiro dela só sabia cuidar do povo… e a mãe só queria fazer compras.

Luna pegou a boneca da cama e a abraçou.

— Os avós ajudavam, mas já eram muito velhinhos… então faziam todas as vontades da princesa, porque ela era a princesinha da casa.

Edgar apoiou a testa na porta por um segundo. Aquela história não era apenas uma metáfora. Era a própria vida deles sendo contada com cuidado.

Luna escutava sem piscar.

— Um belo dia, o plebeu parou de implicar com a princesa… — Laura sorriu de leve — e declarou o amor que sentia por ela. Eles ficaram muito felizes. Queriam se casar.

O tom de Laura mudou, mais sério.

— Mas a bruxa má apareceu… e colocou um feitiço nos dois. Esse feitiço, fez com que eles falassem coisas que machucavam. Coisas que partiam o coração. E os dois erraram… erraram feio. Machucaram um ao outro… e machucaram a si mesmos também. Eles mudaram completamente.

Edgar engoliu em seco. Lembrou da carta e das brigas que tiveram quando ele voltou. O quarto ficou em silêncio por alguns segundos.

— Então eles se separaram — continuou Laura. — E doeu tanto… que a princesa achou que nunca mais ia conseguir sorrir de verdade. Porque, além de perder o plebeu… ela perdeu algo muito valioso que ele tinha dado pra ela.

Luna franziu a testa.

— O que ela perdeu? — perguntou curiosa.

Laura engoliu em seco.

— Ela perdeu… Ela perdeu… uma boneca de pano. — Ela respondeu, com cuidado. — Era como se fosse a filhinha dela.

Edgar sentiu os olhos arderem.

— Um dia, a princesa foi brincar sozinha perto de um rio… e a boneca caiu na água. A corrente levou ela embora.

— Por que ela não pulou na água? — Luna perguntou rápido.

— Porque era muito fundo… — respondeu Laura. — E ela não sabia nadar.

— Ela chorou? — Perguntou Luna, novamente interessada na história.

— Muito… — Laura respondeu, com a voz embargada. — Chorou demais. Sentiu uma dor enorme no peito.

— Sim. — respondeu. — Uma menina inteligente, sorriso bonito e coragem que nem ela sabe que tem. A fada apareceu… e transformou aquela boneca numa menina linda, a jóia rara do plebeu.

Luna virou-se devagar, os olhos marejados.

— Essa boneca… sou eu?

Edgar sentiu o coração quase sair do peito. Laura sorriu, emocionada.

— É sim, meu amor. — disse com firmeza. — Você é essa boneca linda.

Luna apertou a boneca contra o peito.

— Mas minha mãe disse que a senhora quer tirar meu pai de mim… — a voz falhou. — Que era pra eu pedir pra ir embora. Pra chorar.

Edgar fechou os olhos. Aquela parte doía. O coração de Laura apertou.

— Luna… ninguém tira o pai de uma filha. — disse com doçura firme. — O amor do seu pai por você não vai diminuir porque ele me ama. Ele só cresce.

— Eu não quero ficar sem o papai e a mamãe… — Luna chorou.

Laura fez carinho no braço dela.

— Eu também não quero isso pra você, meu amor. — respondeu. — Você vai continuar tendo os dois, mas cada um na sua casa. Eles agora são amigos. Confia na tia. Eu vim pra somar. O que sua mãe falou não foi por mal. É normal os adultos sentirem ciúmes dos filhos.

— Eu não quero ficar sem o papai e a mamãe… — Luna chorou.

Laura fez carinho no braço dela.

— Eu também não quero isso pra você, meu amor. — respondeu. — Você vai continuar tendo os dois, mas cada um na sua casa. Eles agora são amigos. Confia na tia. Eu vim pra somar. O que sua mãe falou não foi por mal. É normal os adultos sentirem ciúmes dos filhos.

— E se eu não gostar da senhora? — perguntou. — E se meu papai me abandonar?

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