Liam estava na mansão, parado diante da enorme janela da suíte. As mãos permaneciam enfiadas nos bolsos da calça, os ombros rígidos, o corpo imóvel demais para quem estava tranquilo. O reflexo no vidro mostrava um rosto sério, o olhar distante, impossível de decifrar.
Do closet, Olivia surgiu já pronta. Ajustava discretamente o brinco enquanto caminhava até ele.
— Mozão, já estou pronta. Podemos ir. — disse em tom calmo, sem se aproximar, aguardando alguma reação.
Ele não respondeu.
Olivia suspirou baixo, percebendo que ele não a ouvira, e se aproximou, parando à frente dele. Com naturalidade, ergueu as mãos e ajeitou a gravata dele, um gesto íntimo, quase automático.
— Enquanto você não conversar com sua irmã, você não vai ter paz — disse com suavidade, mas firme. — Infelizmente, ela voltou antes do previsto. Vai até ela.
Liam finalmente desviou o olhar da janela. As mãos saíram dos bolsos e envolveram a cintura de Olivia, puxando-a para mais perto antes de dar um selinho rápido, contido.
— Não quero ser invasivo, mozão — respondeu, em voz baixa. — Agora ela tem um marido para defendê-la. Ela fez uma escolha.
Afastou-se apenas o suficiente para encará-la, o maxilar levemente contraído.
— Apesar de tudo, eu sempre fui amigo do Edgar. E, sinceramente, não há outro homem que saiba lidar com ela como ele. Mas estou preocupado. — Passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro contido. — Hoje a Marcela corta os pulsos… e amanhã, o que será? — balançou a cabeça, incomodado. — Fora isso, estou aguardando o Edgar. Precisamos descobrir quem foi o responsável por tamanha crueldade, principalmente com a minha princesa.
O olhar de Liam endureceu por um breve instante, o reflexo silencioso de quem sempre protegeu demais.
— Por mim, eu já teria resolvido tudo… — disse, a voz baixa. — Mas a Laura não está mais solteira. — Fez uma pausa curta, respeitosa, como quem aceita um limite que não escolheu. — É a história deles.
Olivia não respondeu de imediato. Apenas estendeu a mão, envolvendo a dele com firmeza e delicadeza ao mesmo tempo. Conduziu-o até a cama com calma, como se cada passo fosse também um convite ao descanso.
Liam sentou-se.
Ela, sem pressa, sentou-se em seu colo, de frente para ele, acomodando-se com naturalidade. As mãos dele repousaram automaticamente em sua cintura, e o olhar ficou preso ao dela, intenso, atento, vulnerável.
Olivia levou a mão ao peito dele, espalmando-a sobre o coração.
— Você está preocupado… eu vejo isso, mozão — disse em tom suave, sem acusação. — Mas também tem um sentimento de perda aí dentro. — Deslizou os dedos lentamente, sentindo a respiração dele. — E um pouquinho de ciúme. Afinal, ela sempre foi sua princesa. Você foi mais pai do que irmão.
Liam desviou o olhar por um segundo.
— E dói — continuou ela, com doçura firme — porque ela saiu de casa… e você sempre sonhou em levá-la até o altar. Você me disse isso tantas vezes.
Ele tentou responder, mas Olivia se inclinou e deixou um selinho rápido, carinhoso, interrompendo-o com afeto.
— Vida… fica tranquilo. Eles vão se casar. — sorriu de leve. — Só se anteciparam em morar juntos porque já sofreram demais. Anos separados… agora estão vivendo a primeira lua de mel deles. — Fez um gesto amplo, quase divertido. — Assim como nós ainda estamos vivendo a nossa.
Enquanto falava, afrouxou a gravata dele, puxando-a com cuidado e deixando-a solta entre os dedos. Liam suspirou, rendido, apoiando a testa na dela.
— Você é a minha paz, sabia? — murmurou. — E se eu não estou enganado, temos uma reunião daqui uns trinta minutos na empresa…
Olivia sorriu de canto, começando a desabotoar lentamente a camisa dele, sem tirar os olhos dele.
— Nós vamos… — respondeu, em voz baixa. — Mas antes, teremos uma reunião muito particular aqui. — Aproximou os lábios do ouvido dele. — Tem dois dias que não fazemos nada. Por isso você também está assim, tenso. Vou te deixar levinho pro resto do dia.
Liam sorriu maroto, as mãos deslizando nas coxas dela com naturalidade enquanto levantava o vestido dela, aproximando-a ainda mais.
Na cobertura, Edgar e Laura tomavam café na varanda. Edgar segurava a xícara quando ouviu passos leves atrás de si.
Luna apareceu na porta, ainda com o cabelo levemente bagunçado de sono, os olhinhos semicerrados.
— Papai…
A voz saiu baixa, mas carregada de necessidade. Edgar largou a xícara imediatamente e abriu os braços. Luna correu até ele e o abraçou com força, enterrando o rosto no peito dele.
— Bom dia, meu amor — disse ele, apertando a filha contra si. — Dormiu bem no seu novo quarto?
Luna assentiu devagar, ainda agarrada a ele.
— Que saudade que eu estava de você, filha… — murmurou, beijando o topo da cabeça dela. — Vamos tomar café?
Ela assentiu outra vez. Laura se inclinou um pouco à frente, mantendo a voz suave.
— Bom dia, Luninha. O que você quer comer? A tia coloca pra você.
Luna olhou para Laura com atenção, a testa levemente franzida.


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