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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 261

Olívia e Ísis se entreolharam, alarmadas.

— Laura… o que está acontecendo? — Olívia sussurrou, tocando no braço dela.

Laura, com a respiração presa, colocou o telefone no viva-voz. A mão tremia levemente.

— Luninha, se acalma e me escuta, tá? — disse com a voz doce, mas emocionada. — Onde você está agora? De quem é esse celular?

— Eu estou na escola… — Luna respondeu chorando. — Uma amiga me emprestou o celular dela. Eu liguei pro meu pai e ele não me atendeu… — fungou. — Meu celular… minha mãe disse que está ruim.

Laura fechou os olhos por um segundo, tentando controlar a emoção. Quando abriu, os olhos já estavam brilhando.

— Meu amor… seu pai não te abandonou. — mentiu com cuidado, num tom cheio de carinho. — Você é o amor da vida dele. Ele fez uma viagem.

Ela respirou fundo e continuou, com firmeza, como se aquela mentira fosse uma ponte para proteger o coração da criança.

— Foi a trabalho. Ele foi atender uns pacientes em outro estado. Nem comigo ele está falando, sabia?

— A senhora está mentindo, tia… — Luna soluçou, desconfiada.

Laura balançou a cabeça em negação, mesmo sabendo que Luna não via.

— Não, minha linda. — respondeu com firmeza, limpando uma lágrima que escorreu. — A tia não mente. Olha… amanhã ele volta. — improvisou. — Se você ligar de novo do celular da coleguinha, ele vai ficar tão feliz de falar com você.

— Tia… — a voz saiu pequena. — Eu não te odeio. Eu estou com saudade…

Os olhos de Laura se encheram de lágrimas de verdade. Ela levou a mão à boca por um segundo, tentando não chorar alto.

— Eu sei, minha princesa… — disse com carinho. — Eu sei. Nós também estamos morrendo de saudade.

Ela forçou um sorriso na voz, como se sorrir fosse uma forma de abraçar a menina à distância.

— Seu pai vai te pegar, fica tranquila. Você ainda tem que experimentar seu vestido pro casamento… esqueceu? — tentou trazer leveza. — Depois a gente vai no parque. O que acha?

— A senhora promete, tia? — Luna perguntou, ainda chorosa, mas mais calma.

Laura levantou o dedo no ar automaticamente, como se Luna estivesse ali.

— Promessa de dedinho. — disse com ternura. — Levanta o seu dedinho aí.

— Levantei, tia. — Luna respondeu, fungando.

— Agora finge que eu estou apertando seu dedinho com o meu.

Luna riu entre os soluços, e aquele riso pareceu aliviar o peito das três mulheres na mesa.

— Tia… a senhora é doidinha…

Laura sorriu com os olhos cheios de lágrimas.

— E você me ama porque eu sou assim.

— Amo. — Luna respondeu, a voz mais leve. — Tia, vou desligar… tenho que voltar pra sala. Beijos. Te amo.

— Também te amo, meu amor. — Laura disse, limpando o rosto rapidamente com o guardanapo. — Não esqueça de ligar pro seu pai amanhã.

Luna desligou.

Laura ficou alguns segundos imóvel, com o celular ainda na mão, como se o corpo não tivesse entendido que a voz de Luna já não estava mais ali.

Ela encarou a tela apagada, os olhos vidrados, a respiração presa. Então o ar saiu num sopro trêmulo. Os lábios dela começaram a tremer.

— Amar não é isso, Laura. Esqueceu o que acabamos de conversar? — falou com firmeza. — Isso não é amor. Isso é controle. Isso é vingança. Ela está usando uma criança como arma.

Olívia apertou a mão de Laura sobre a mesa, com carinho.

— Você ouviu a Luna… — disse baixinho. — Ela só quer o pai. Só quer colo, história, presença… e um vestido pra experimentar.

Laura fechou os olhos, e um soluço forte escapou.

— Eu não aguento ver ela sofrendo por minha causa… Não aguento ver o sofrimento do meu Nego. — confessou, a voz despedaçada. — Eu falei pro Edgar que talvez fosse melhor cancelar o casamento… porque eu não quero ser a razão de uma criança chorar assim. Ela não tem um Liam como eu.

Ísis se inclinou para frente, olhando nos olhos dela, firme.

— Você não é a razão. Tira isso de uma vez por todas da sua cabeça. — disse, com convicção. — A razão é a Marcela. E se você sair da vida do Edgar agora, você vai entregar exatamente o que ela quer. Ela vai vencer. E amanhã ela vai fazer a mesma coisa com outra mulher.

Laura ficou em silêncio. Olívia limpou o rosto de Laura com o guardanapo, com delicadeza.

— O Edgar precisa de você. — falou. — E a Luna também. Porque ela já ama você. Mesmo no meio da dor… ela te ligou.

Laura olhou para Olívia, o peito subindo e descendo rápido.

— Ela me ligou… — repetiu, como se aquela parte fosse inacreditável.

Ísis assentiu.

— Ela confiou em você. — disse. — Ela não ligou pra mãe. Ela ligou pra você. Porque, lá no fundo, ela sabe que você não mente pra ela.

Laura respirou fundo, tentando se recompor. Enxugou as lágrimas com a mão, com pressa, como se estivesse com vergonha de chorar em público.

— Eu estou cansada… — murmurou. — Estou cansada de lutar contra essa mulher. Eu quero ter paz, quero ter uma vida tranquila com o Edgar e a Luna. Não é possível que só vamos sofrer.

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