Edgar apertou o celular com tanta força que os dedos ficaram brancos.
— Miserável… — rosnou, o maxilar travado. — Cada dia eu tenho mais raiva dessa mulher.
Laura estendeu a mão com calma, firme o suficiente para não deixar Edgar afundar no próprio ódio.
— Deixa eu ler, vida.
Edgar entregou o celular para ela. Laura leu a mensagem. O rosto foi ficando sério, a postura mudando. Quando terminou, olhou para ele.
— O pai dela está pagando um bom advogado. — disse. — Mas todo mundo sabe da competência do Alex.
Ela respirou fundo e devolveu o aparelho.
— No horário que ela escreveu aqui… você vai ligar. — falou com firmeza. — E vai fazer exatamente como o Alex orientou. Sem perder a cabeça. Sem dar munição pra ela.
Edgar sustentou o olhar de Laura por alguns segundos. E, mesmo com o peito queimando, ele assentiu.
Na mansão de Edgar, Marcela almoçava com Luna, como se estivesse em um domingo comum. A mesa estava impecável. A comida, bem servida. O clima, falsamente leve.
Marcela cortou um pedaço de frango e colocou no prato da filha.
— Filha… seu pai agora só tem tempo pra esposa dele. — disse com doçura calculada. — Eu mandei mensagens falando que você estava com saudade… mas ele disse que amanhã vai viajar com ela.
Luna levantou o rosto, com a boca meio suja de suco.
— Mas… ele não foi trabalhar em outro estado? — perguntou confusa.
Marcela estreitou o olhar.
— Quem te falou isso, princesa? — perguntou, parando o garfo no ar.
Luna engoliu em seco. Os olhos dela correram para o prato, e a mão começou a brincar com o guardanapo. Marcela inclinou a cabeça, a voz suave… perigosa.
— Luna… o que você está escondendo da mamãe? — perguntou, como se estivesse brincando. — Agora a gente tem segredos?
Luna hesitou, o coração disparando.
— Eu… — a voz saiu baixa. — Eu peguei o celular da minha amiga na escola…
Marcela ficou imóvel, apenas observando.
Luna continuou, com medo.
— Eu liguei pro meu pai… mas ele não me atendeu. Aí eu liguei pra Laura… e ela disse que ele foi trabalhar em outro estado.
Marcela respirou fundo, como se estivesse triste. Mas os olhos… os olhos dela brilharam com satisfação. Ela levantou e foi até a filha, se agachando ao lado da cadeira.
— Amor da minha vida… — disse, passando a mão no cabelo de Luna. — A esposa do seu pai… infelizmente… mentiu pra você.
Luna arregalou os olhos.
— Mentiu? — perguntou, apertando uma mão na outra, como se não soubesse o que fazer com o próprio corpo.
Marcela assentiu devagar.
— Seu pai vai viajar com ela amanhã. — disse, como se fosse uma informação inevitável. — Ele só não teve coragem de te falar.
Luna ficou alguns segundos em silêncio. O rosto dela foi mudando, como se uma parte dela estivesse quebrando por dentro.
— Meu papai… me abandonou… — disse, olhando para o chão.
Marcela a puxou para um abraço apertado.
— Eu estou aqui, meu amor… — sussurrou, fingindo consolo. — A mamãe nunca vai te abandonar. Nunca. — beijou o topo da cabeça de Luna. — Eu sou sua mãe. Você precisa do meu amor. Eu nunca vou te abandonar.
Luna chorou, escondendo o rosto no pescoço dela.
— Promete, mamãe? — perguntou com a voz tremida.
Marcela fechou os olhos, como se estivesse emocionada.
— Prometo. — respondeu, e sorriu, por dentro.
Às dezoito horas, Edgar estava na sala de sua cobertura, sentado no sofá, com Laura ao lado. O peito dele parecia um campo de guerra.
Ele olhou o relógio. Depois olhou para o celular.
— Amor… eu vou ligar pra ela agora. — disse, desbloqueando a tela.
Laura segurou a mão dele com firmeza.
— Muita calma nessa hora. — disse, olhando nos olhos dele. — Se ela te provocar… e você sentir que não vai aguentar… desliga.
Edgar assentiu. Deu um selinho em Laura, como se precisasse daquele toque para não perder o controle.
Então ligou.
Então a voz de Marcela surgiu ao fundo, distante, mas clara.
— Luninha… — chamou, num tom meloso demais. — Seu papai quer falar com você.
O silêncio durou um segundo.
E então Luna gritou, do fundo, com a voz rasgada, chorosa.
— EU NÃO QUERO FALAR COM ELE! MÃE, DESLIGA!
Edgar congelou.
O sangue sumiu do rosto.
Ele tentou se inclinar para a frente, como se pudesse alcançar a filha pelo telefone.
— Luna… — chamou, mas a voz falhou.
Marcela insistiu, num tom que parecia doce… mas era frio.
— Meu amor… — disse com paciência forçada. — É seu pai, filha. Fala com ele.
Laura levou a mão à boca, em choque.
Luna chorou alto.
— EU NÃO TENHO PAI! MÃE, DESLIGA!
Edgar ficou paralisado.
O peito dele subiu e desceu rápido. A garganta travou. Os olhos arderam, mas ele não piscou.
Marcela voltou para o telefone, fingindo constrangimento.
— Edgar… — disse, num tom falsamente triste. — Eu preciso desligar. Desculpa. Ela está muito nervosa.
E desligou. Edgar ficou imóvel por dois segundos. E então a explosão veio. Num movimento brutal, ele lançou o celular contra a parede.
O aparelho se estilhaçou com um estalo alto, espalhando pedaços no chão. Laura se levantou assustada.
— Edgar!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Quero mais, tava na hora de Olivia ter um pouquinho de felicidade...
Escritora não demore pra postar,...
QUEROOOO MAIS CAPITULOOOOOS, POR FAVOR HAHAHAH...
Mds, queroooo mais!!!...
nossa quanto tempo mais? ai quando solta é so 10 capitulos...
Faz 10 dias sem novidades...
Aguardando para novos capítulos, voltou a ficar interessante...
Aí meu Deus, n demora com os próximos pfvr!...
Demora pra sair novos capítulos?...
Ahhhhh cadê novos capítulos? Isso tá muito chato....