Edgar dirigia com as duas mãos firmes no volante, os olhos fixos na estrada, mas a tensão no corpo denunciava que ele não estava realmente ali. A mandíbula travada, o maxilar duro, como se cada pensamento fosse uma batalha.
Laura estava no banco do passageiro. Observava o perfil dele com atenção, o peito apertado desde a noite anterior.
Ela respirou fundo antes de falar, escolhendo as palavras com cuidado… mas sem perder a firmeza.
— Nego… — tocou de leve no braço dele, num gesto contido. — Vê se não vai perder a cabeça igual ontem se alguma coisa der errado. — a voz saiu baixa, séria. — Nunca mais quero te ver daquele jeito.
Edgar desviou o olhar por um segundo, encarando-a de lado. Depois voltou a atenção para o volante.
— Eu estava no auge do estresse. — disse, num tom carregado de culpa. — A Marcela conseguiu tirar o pior de mim. — respirou fundo, engolindo seco. — Ela foi o pior erro da minha vida.
Laura apertou os lábios. O olhar dela vacilou, e ela admitiu, quase num sussurro.
— Você me assustou ontem… — confessou, com o coração apertado.
Ela levou a mão até o peito, num gesto instintivo, e respirou fundo, como se ainda estivesse revivendo a cena.
— Eu nunca tinha te visto daquele jeito, Edgar. — completou, os olhos brilhando. — E eu… eu não gostei.
Edgar soltou o ar devagar. Tirou uma mão do volante por um instante e pegou a mão dela com cuidado, como se aquilo fosse um pedido de perdão sem precisar dizer mais nada.
Levou os dedos dela aos lábios e beijou, ainda dirigindo.
— Me perdoa, amor. — disse com sinceridade. — Isso não vai mais se repetir. — fez uma pausa curta, tentando mudar o clima, tentando respirar. — Como foi seu dia?
Laura relaxou um pouco no banco. O rosto suavizou.
— Foi puxado. — respondeu. — Fiz uma cirurgia complicada numa gatinha que foi atropelada.
Edgar franziu levemente a testa, preocupado de verdade. Ele diminuiu um pouco a velocidade, como se a atenção dele tivesse ido inteira para ela. A mão direita saiu do volante por um segundo e tocou de leve o joelho de Laura, num gesto automático de carinho.
— E ela ficou bem? — perguntou, a voz mais baixa, enquanto lançava um olhar rápido para ela antes de voltar para a pista.
Laura assentiu devagar.
— Ficou. — disse, com um alívio discreto. — Foi por pouco… — ela fez um gesto com a mão, como se mostrasse a linha fina entre perder e salvar. — A dona estava desesperada. Chorava como se fosse uma criança… — deu um sorriso pequeno, emocionado. — E eu entendo. Tem gente que ama um bichinho como filho.
Edgar sorriu de lado, orgulhoso.
— Você é boa em tudo que faz, Felícia. — disse com aquele tom quente, carregado de carinho e malícia ao mesmo tempo. — Principalmente entre quatro paredes comigo… onze de dez.
Laura soltou uma risada baixa, balançando a cabeça, e deu um tapinha leve no braço dele.
— Seu sem vergonha… — murmurou, mas estava sorrindo. — o olhou com ternura. — E você? Como foi seu dia?
Edgar soltou um suspiro.
— Corrido. — respondeu. — Quase não tive tempo de pegar no celular.
Laura ergueu uma sobrancelha.
— Percebi. — disse, divertida. — Minha mensagem está até agora sem resposta.
Edgar olhou rápido para ela, desconfiado.
— Que mensagem? — perguntou, com uma curiosidade contida.
— Depois você lê. — Laura respondeu, com um sorriso inocente demais pra ser verdade, virando o rosto para a janela como se não fosse nada.
Ele balançou a cabeça devagar.
— Pela sua cara… — murmurou, com um sorriso maroto. — eu já sei que você está aprontando alguma.
Laura levou a mão ao peito, fingindo indignação, e abriu um sorriso ainda mais provocador.
— Eu tenho cara de quem apronta alguma coisa, amor? — perguntou. — Sou tão tranquila… Sou um anjo.
O corpo dele já estava meio para fora do carro quando Laura segurou o braço dele com força, impedindo-o.
— Edgar… — disse firme. — Você não vai fazer o que eu estou pensando, né?
Edgar virou o rosto para ela, a raiva queimando por dentro.
— Cansei de agir de forma amigável.
Laura não recuou.
— Você não vai entrar. — disse, categórica, segurando o braço dele com firmeza. — Manda mensagem no W******p dizendo que você já chegou e está aqui esperando a Luna. — ela respirou fundo, olhando nos olhos dele. — Agir pela raiva não vai te levar a lugar nenhum.
Edgar ficou imóvel por dois segundos. O peito subiu e desceu.A raiva estava ali, viva, pulsando. Mas Laura era o freio dele.
Ele fechou a porta do carro com força controlada e digitou a mensagem. Não demorou muito para a resposta aparecer na tela.
Edgar leu.
“Edgar, boa tarde.
Luna acordou falando que não quer te ver. Já conversei com ela, já expliquei, mas ela não quer. Que fique claro que eu não tenho culpa nisso. Por gentileza, se você quiser, ligue para falar diretamente com ela, em um tom acolhedor e sem pressão, para que a Luna se sinta mais receptiva e segura para a visita.”
O rosto dele mudou na hora. O olhar escureceu.
— Filh@ da put@… desgr@çad@.
— Qual a nova, amor? — perguntou, embora já soubesse.
Ele virou o celular para Laura, não conseguindo falar de tanta raiva. Ela pegou o aparelho, leu a mensagem com atenção e devolveu.
Edgar soltou uma risada curta, sem humor.
— Estou aqui me perguntando, quando foi o dia em que não tive um tom acolhedor com minha filha. — falou, a voz tremendo de indignação. — Qual foi o dia em que eu pressionei a Luna em alguma coisa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Precisamos dos novos capítulos... 🥹...
Nem uma atualizaçãozinha, tem gente chorando aqui 🥲...
Os capítulos estão demorando muito pra liberar...
Já tem 3 dias que não libera os capítulos...
Está apresentando erro. "Error! An error occurred. Please try again later."...
Posta logo...
Liberem os próximos capítulos, estou extremamente ansiosa pra saber o desfecho, cada dia esse livro esta melhor....
Nossa que desfecho maravilhoso da Isís iurulll...
Libera mais páginas estou ansiosa . Apaixonada por cada capitulo...
Libera mais capítulos..... sofro de ansiedade kkkkk...