O portão da mansão se abriu assim que o carro de Liam parou diante da entrada principal. A fachada imponente da propriedade surgiu à frente. Colunas de mármore, janelas amplas e uma escadaria que parecia levar não apenas à casa, mas a outro mundo.
Olívia respirou fundo, observando a mansão pela janela. O nervosismo lhe subia pela garganta como um nó apertado.
Liam a olhou de relance, o semblante sereno, a voz firme.
— Está tudo bem?
Ela forçou um meio sorriso, tentando disfarçar o aperto no peito.
— Por mais que eu já tenha conhecido seu avô… ainda fico nervosa.
Ele apenas assentiu, mas, sem aviso, pousou a mão sobre o ventre dela.
— Não fique. Vai acabar fazendo mal para o bebê.
O gesto a pegou desprevenida. Por instinto, Olívia olhou primeiro para a mão dele, depois para o rosto. Mas antes que ela pudesse reagir, Liam retirou a mão com naturalidade.
— Você é boa em fingir — disse, abrindo a porta e saindo do carro.
Olívia soltou um riso baixo, sem humor.
— Claro. Já estamos encenando, não é?
Liam deu a volta e abriu a porta para ela. Ela segurou firme a alça da bolsa que estava no colo e desceu do carro.
— Deixa que o mordomo pega essa bolsa — comentou ele, firme.
— Essa eu faço questão de levar. — respondeu, com um pequeno sorriso no canto dos lábios.
Liam lançou-lhe um olhar rápido, avaliador, e então estendeu a mão.
Por um segundo, Olívia hesitou. Mas aceitou o toque consciente de que, a partir daquele momento, cada detalhe seria observado.
Começaram a caminhar. As mãos dela estavam frias, quase trêmulas, e o coração parecia bater fora do compasso. Liam percebeu. Parou de repente e virou-se para encará-la. O olhar dele, intenso e penetrante, a fez prender a respiração.
Com a ponta dos dedos, ele tocou o rosto dela. Um gesto inesperadamente delicado.
— Você está muito nervosa. — disse, em voz baixa, sem desviar os olhos.
Olívia engoliu em seco, apertando a bolsa contra o corpo, sem saber como reagir.
— Eu… só quero que tudo saia bem. — respondeu, tentando manter o controle.
Liam aproximou-se mais, o olhar firme, e pousou a outra mão no outro lado do rosto dela. Por um breve instante, o tempo pareceu se alongar. Ela sentiu o toque frio da pele dele, o próprio corpo tenso, quase imóvel.
Então, ele se inclinou e depositou um beijo lento em sua testa. O gesto, aparentemente terno, a desarmou por dentro. Instintivamente, seus olhos se fecharam. Por um segundo, quis acreditar que havia algo real ali. Mas a razão veio depressa e logo ela pensou.
“Ele está encenando, Olívia. Não se iluda.”
Quando ele a envolveu num abraço rápido, ela retribuiu, ainda tentando manter a compostura.
— Você está indo bem. — sussurrou ele, baixo, antes de soltá-la.
Liam pega mão dela, sem olhar para trás, começou a subir as escadas.
A porta principal se abriu assim que chegaram ao topo. O mordomo, um homem alto e de postura impecável, já os aguardava. Observou as mãos unidas do casal e esboçou um sorriso discreto.
— Seja bem-vindo, senhor Liam. Senhora. Todos estão na sala de estar.
Liam apenas assentiu, o semblante sério. Olívia, mantendo o tom educado e um sorriso, respondeu.
— Obrigada.
Eles atravessaram o corredor principal, e Olívia sentiu a grandiosidade do lugar se impor sobre ela. As paredes eram cobertas por retratos de gerações. Homens de terno escuro, mulheres com olhares duros e poses altivas. Cada quadro parecia carregado de expectativa, como se observasse e julgasse os passos de quem ousava cruzar aquele chão.
O ar tinha cheiro de tradição, de poder e de controle.


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