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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 62

O comentário de Frederico pairou no ar, pesado, quase como uma sentença.

Olívia sentiu o estômago se contrair, mas manteve o rosto sereno. Aquela pergunta não era simples curiosidade. Era um teste. Um modo de medir reações, de observar gestos, de ver se o casal realmente estava em sintonia.

Liam, por sua vez, não se abalou.

O olhar dele permaneceu fixo no avô, o tom de voz controlado, frio como sempre.

— O senhor vai ouvir tudo no momento certo, vovô. — respondeu, sem pressa.

Frederico o observou por alguns segundos, como quem avalia um adversário em silêncio.

Depois, soltou um leve resmungo e sentou-se na poltrona.

— Espero que sim. A paciência, Liam, é uma virtude que nem sempre me pertence. — disse, com um meio sorriso quase imperceptível.

Olga, percebendo o clima que se formava, apressou-se em intervir.

— Frederico, chega de interrogatório. — falou com doçura, mas firmeza. — Eles acabaram de chegar, e você já quer colocar nosso neto contra a parede? O que Olívia vai pensar?

— Eu só gosto de entender as coisas — retrucou ele, sem alterar o tom. — Principalmente quando envolvem a família Holt.

Olga respirou fundo, mas preferiu sorrir e mudar de assunto. Puxou Olívia pela mão e a conduziu até o sofá.

— Venha, querida. Quero olhar pra você direito. — disse, com aquele carinho natural que a fazia parecer uma avó de verdade, daquelas que abraçam e acolhem sem pedir permissão.

Olívia sentou-se ao lado dela, sentindo a tensão do ambiente aos poucos se dissolver.

Liam permaneceu em pé por alguns segundos, antes de sentar ao lado da esposa.

Estavam próximos o bastante para parecerem um casal, mas a distância entre eles era calculada. Ainda assim, a imagem projetava perfeição. Um casal unido, equilibrado, digno de capa de revista.

Foi então que Érica se levantou, sorrindo de forma cortês.

— Minha sogra se empolgou, como sempre. — disse Érica, se aproximando com um sorriso contido. — Melhor eu me apresentar antes que a confusão comece. Sou Érica, sua sogra. É um prazer te conhecer, Olívia.

Olga, percebendo a formalidade, riu com aquele brilho nos olhos que sempre iluminava o ambiente.

— Ora, me empolguei mesmo! — disse, sorrindo com afeto. — Que mal há em receber bem a nova neta da família? Quando a gente gosta, não consegue se conter. E eu já gostei dela de cara. — Fez uma pausa breve, tocando de leve o braço de Olívia. — Se atrapalhei as apresentações, me desculpe, minha filha. É que a emoção falou mais alto.

Liam cruzou as pernas, apoiando o cotovelo no braço do sofá. A voz dele veio fria, mas com um toque sutil de ironia.

— Não foi a senhora, vovó. — disse, sem olhar diretamente para Érica. — Eu é que não fiz questão da apresentação.

O ar ficou levemente tenso. O comentário, aparentemente inocente, carregava o tipo de frieza que só Liam dominava.

Olívia, percebendo o clima, interveio com elegância. Levantou-se e olhou para Olga com um sorriso amável.

— Fica tranquila, vovó Olga. A senhora não atrapalhou nada — respondeu, com ternura. — Só ficou feliz em nos ver, e isso é lindo de ver.

Depois, voltou-se para Érica e abriu os braços para um abraço leve.

— Prazer em conhecer a senhora, Érica.

Érica retribuiu o abraço, um pouco surpresa com a espontaneidade.

— O prazer é meu, querida. Seja bem-vinda à família.

Felipe então se aproximou, estendendo a mão com a postura de quem está mais acostumado a negócios do que a gestos de carinho.

— Ainda estou tentando entender por que a família do noivo não estava presente na cerimônia — disse Frederico, a voz firme e sem rodeios. O olhar, afiado, pousou sobre Liam como quem cobra uma resposta mais do que faz uma pergunta.

Liam abriu a boca para responder, mas Olívia se adiantou. O sorriso sereno e a voz doce o interrompendo com uma naturalidade que só ela possuía.

— Não fique chateado, vovô. — disse, olhando diretamente para Frederico. — Daqui a pouco chega a renovação dos votos, e o senhor vai estar lá. Eu prometo.

A resposta veio leve, convincente, como se não houvesse tensão alguma. Mas Liam percebeu o brilho divertido por trás do olhar dela e soube, na hora, que ela estava se divertindo às custas dele.

Erica, que até então observava em silêncio, decidiu falar.

— Confesso que ficamos surpresos com o casamento repentino. Foi tudo tão... rápido.

Liam virou o rosto lentamente na direção dela. O olhar era cortante, firme, e o tom baixo demais para ser apenas educado.

— A vida é assim. — disse, frio, as palavras medidas com precisão. — Quando a gente quer algo de verdade… não precisa anunciar ao mundo. Só faz.

O silêncio que se seguiu foi denso. A frase soou como uma resposta educada, mas todos ali sentiram o peso da indireta. Érica endureceu o semblante e por um breve segundo, seus olhos evitaram os de Liam.

Olívia percebeu. Havia algo ali que não era apenas uma resposta.

Felipe cruzou os braços, a voz carregada de ironia.

— Nada me surpreende vindo de você, Liam. Sempre imprevisível. — disse, inclinando-se levemente para a frente, o olhar alternando entre o filho e Olívia. — Cuidado, minha querida. Ele costuma querer tudo de imediato… e depois descarta com a mesma rapidez.

O tom soou educado, mas havia veneno nas entrelinhas.

Olívia manteve o sorriso diplomático, sustentando o olhar com elegância. Ao lado dela, Liam permaneceu imóvel. Apenas o movimento tenso do maxilar denunciou que a provocação havia acertado o alvo.

— O amor verdadeiro não se descarta, senhor Felipe. — disse, com voz firme e serena. — Liam vai envelhecer ao meu lado.

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