Liam lançou-lhe um olhar breve, quase imperceptível. A resposta dela havia ultrapassado o roteiro, e ainda assim, ele não conseguiu evitar a leve admiração.
Frederico sorriu, orgulhoso diante da postura dela.
— Isso é o que eu gosto de ver. — disse o patriarca. — Confiança.
— Fiquei sabendo que seu pai tem uma empresa, Olívia, e que você é a administradora. — comentou Felipe, com uma curiosidade que soava mais como avaliação do que interesse genuíno. — Como estão as coisas por lá?
Antes que o clima ficasse mais incômodo, Olga interveio com doçura, mas firmeza.
— Frederico e Felipe, chega de análise, por favor. — pediu, lançando um olhar reprovador aos dois. — Vamos conversar sobre coisas boas.
Ela então segurou a mão de Olívia, apertando-a com carinho.
Olívia sorriu e respondeu com gentileza controlada.
— Muito bem, senhor Felipe. Mas, por enquanto, estou afastada. — explicou com naturalidade. — Meu pai insiste que eu descanse e aproveite um pouco a vida de casada.
— Faz bem minha querida. — disse Olga, concordando. — O começo é uma fase importante.
Erica aproveitou a brecha para se intrometer.
— E a lua de mel? — perguntou ela, inclinando-se com curiosidade. — Um casal jovem, apaixonado… normalmente a primeira coisa que fazem é viajar.
Frederico completou, o olhar firme e o tom carregado de provocação.
— Pois é. Qual é a desculpa dessa vez, Liam?
Liam se recostou no sofá, a expressão impenetrável.
— Nenhuma, vovô. Acabei de chegar de viagem e vim trazer a Olívia para passar uns dias aqui. Ela estava me cobrando isso. — lançou um olhar de canto para Olívia, com ironia sutil. — E o senhor também. Já conheço a família dela, achei justo apresentar a minha.
Olga sorriu, satisfeita.
— Isso é ótimo.
Mas ele ainda não tinha terminado.
— Na verdade, vovô — disse, com um leve tom provocativo. — Como o senhor já sabe, nós estamos em lua de mel muito antes do casamento. — Fez uma breve pausa, o olhar deslizando para Olívia. — Não dá pra resistir a essa mulher.
A última frase veio mais baixa, quase um sussurro, o suficiente para que apenas ela captasse o tom provocativo.
Olívia virou o rosto, os lábios sustentando o sorriso sereno que todos esperavam, mas os olhos… diziam outra coisa. Um brilho de desafio silencioso. Ele notou e sorriu de canto, satisfeito com o efeito.
— Ela tem esse efeito. — completou, fingindo leveza. — Faz a gente esquecer o mundo… e qualquer plano de manter o controle.
Frederico observava os dois em silêncio. O olhar dele, atento, percorria o casal como o de quem tentava decifrar uma peça de xadrez, avaliando se o que via era amor genuíno ou apenas uma encenação bem feita.
Olívia respirou fundo, recuperando o controle com a mesma elegância com que o havia perdido por um segundo. E, antes que o silêncio se prolongasse, revidou com suavidade, mas precisão.
— E pensar que eu achava que o Liam era imune a distrações. — disse, sorrindo, o tom doce, mas a intenção clara. — No fim, acho que descobri o ponto fraco do homem que acha que controla tudo.
Frederico arqueou uma sobrancelha, intrigado com a cumplicidade implícita entre os dois. Liam, no entanto, manteve o olhar fixo nela. O sorriso discreto e o brilho frio nos olhos denunciavam que ele havia entendido perfeitamente que Olívia estava jogando no mesmo nível.
— Você é filha única, Olívia? — perguntou Felipe, tentando soar simpático, embora sua curiosidade tivesse mais de avaliação do que de real interesse.
— Você tem mesmo jeito de ser filha única — completou Érica, com um sorriso ensaiado.
Olívia sustentou o olhar de ambos, mantendo o tom amável.
— Não. Tenho um irmão mais velho, o Victor.
— Seu irmão é muito bonito, Olívia — comentou Olga, com genuína empolgação. — Temos que marcar um almoço para conhecer sua família pessoalmente.
Frederico interrompeu, a voz firme cortando a conversa.
— Isso já está resolvido. — disse, firme. — O convite para nossa festa já foi enviado para eles.



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