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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 64

Liam ficou em silêncio por alguns segundos, parado diante dela. O olhar fixo, frio, sem pressa. Parecia observá-la, como se decidisse se valia a pena responder. O silêncio se alongou o bastante para incomodar.

Olívia cruzou os braços, impaciente.

— Liam, eu te fiz uma pergunta. — disse, firme. — Cadê o sofá?

Ele desviou o olhar por um instante e soltou um suspiro breve.

— Olívia, se tem uma coisa que você não é, é burra. — respondeu, num tom calmo, mas cortante. — Você ouviu o meu avô dizendo que mandou fazer uma melhoria no meu quarto. Pois bem… essa é a melhoria.

Ela estreitou o olhar, confusa.

— Como assim o seu avô muda o seu quarto sem te falar nada? — questionou, com incredulidade. — Parece até que você é uma criança.

Liam deu um meio sorriso irônico, quase imperceptível.

— Eu te avisei desde o início — disse, a voz grave, controlada — que o meu avô é um homem que ninguém consegue enganar.

Olívia bufou, balançando a cabeça com indignação contida.

— Isso é ridículo, Liam. — disse, o tom oscilando entre a ironia e o incômodo. — Só falta me dizer que ele pode aparecer no meio da madrugada para verificar o que estamos fazendo.

— Sim — disse, com frieza contida. — É ridículo. — Fez uma pausa breve, o olhar firme, avaliando-a. — Meu avô nunca se meteu no meu quarto antes. Mas agora… — continuou, num tom baixo e calculado. — Há muita coisa em jogo, e ele quer garantir que nada fuja do controle.

Silêncio.

Depois, completou, com a voz fria e precisa.

— Mas não se preocupe. Ele pode ser muitas coisas… menos invasivo. Não vai entrar aqui enquanto estivermos no quarto. — fez uma pausa breve, o olhar fixo continuava nela. — E, sinceramente, você acha mesmo que eu colocaria tudo a perder?

Ela o encarou, o olhar firme.

— E o que vamos fazer, então? Sua família é muito complicada, Liam.

Ele sustentou o olhar dela por alguns segundos, impassível.

— Você vai continuar com o seu papel. — respondeu, frio. — É boa em mentir. Só continua.

A resposta a fez rir, mas sem humor.

— Se ele teve a atitude de tirar o sofá daqui, é porque não está acreditando. — disse, pensativa. — Mas depois daquela visita inesperada dele na sua mansão, eu pensei que estava tudo indo bem.

Liam cruzou os braços, apoiando-se na beirada da cômoda.

— Esse é o Frederico Holt — respondeu, seco. — Um homem totalmente imprevisível.

Olívia ergueu uma sobrancelha, um sorriso provocante surgindo nos lábios.

— Igualzinho a você. — disse, com ironia leve. — Seu nome deveria ser Frederico Holt Neto. Nunca vi dois tão parecidos. — fez uma breve pausa, olhando diretamente pra ele. — Você só herdou os olhos do seu pai… porque o temperamento é todo do seu avô.

Ele a fitou em silêncio por alguns segundos. Não parecia ofendido pela comparação com o avô, mas sim pelo tom dela. Havia algo no olhar dele, firme e contido, que deixava claro que Liam não gostava de ser decifrado.

— Qual é o seu problema com seus pais, Liam? — perguntou, suavemente, mas sem medo.

Ele desviou o olhar, encerrando o assunto de forma fria.

— Você é um baú trancado a sete chaves. E, pelo visto, não vai mudar. É arrogante, imprevisível, frio, implacável. — disse, cada palavra como um golpe medido. — Mas se você quer que isso funcione, vai ter que colaborar comigo. Porque, para o seu avô acreditar nessa farsa… não é só eu que tenho que ser a esposa perfeita. Entendeu?

O silêncio entre eles não era paz, era apenas o intervalo antes da próxima guerra.

Liam a encarou por um longo instante. Nenhuma palavra. Só aquele olhar que dizia tudo e nada ao mesmo tempo.

— Lindas palavras. — disse, o tom carregado de um sarcasmo frio, preciso. — Mas você não precisa me dar lição de moral. Eu sei exatamente quem você é… e o que eu tenho que fazer.

Olívia o encarou, o semblante sereno contrastando com o incômodo que lhe atravessava o olhar.

— E quem você acha que eu sou? — perguntou, a voz calma, porém tensa. Parte dela queria ouvir a resposta — parte já sabia que seria uma provocação.

Liam deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O ar pareceu mudar de peso quando ele se inclinou ligeiramente, a voz descendo para um tom baixo e firme.

— Uma mulher inteligente… perigosa, quando quer. — disse, sem desviar os olhos. — Sabe usar as palavras, o olhar, o tempo. Sabe mentir com doçura, sem levantar suspeitas. — fez uma breve pausa, observando-a com atenção quase clínica. — É meiga quando precisa, romântica na medida certa, convincente ao ponto de fazer qualquer um acreditar. — o tom dele desceu um grau, baixo e firme. — E o pior… sabe exatamente quando ser tudo isso.

Um meio sorriso surgiu em seus lábios, seco, quase imperceptível.

— Parabéns, Olívia. Você conseguiu o impossível. Meu avô te adora… mesmo com todas as desconfianças. Conseguiu encantá-lo, assim como faz com todo mundo. — fez uma pausa curta, o olhar ainda cravado nela. — Você é uma atriz nata. E sabe o que é mais impressionante? Às vezes, até eu quase acredito.

Os dois se encararam por longos segundos — a tensão entre eles oscilando entre raiva e algo indefinível, algo que nenhum dos dois ousava nomear.

Olívia abriu a boca, pronta para responder, mas o som repentino de batidas na porta interrompeu o que quer que estivesse prestes a sair.

O ruído cortou o ar como um estalo, devolvendo-os à realidade.

— Senhor Liam — a voz do mordomo soou do outro lado, educada e firme. — Todos já estão à mesa. Estão aguardando apenas vocês.

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