Minutos depois, Liam saiu do quarto e caminhou pelo corredor em passos firmes, ainda ajustando o relógio de pulso.
A expressão era a mesma de sempre. Fria, contida, indecifrável. Nenhum traço de cansaço, nenhuma emoção visível.
Ao se aproximar da escada, ouviu risadas vindas da sala. Eram Olívia e Laura.
Liam parou por um instante, observando a cena lá embaixo. As duas conversavam com Olga e Frederico. Olívia mostrava algo no celular para o avô, que sorria. Um sorriso raro, genuíno.
Era nítido que ele estava à vontade. A postura rígida, o semblante de homem controlador, simplesmente… não existiam naquele momento.
Por um instante, algo no peito de Liam vacilou ao ver aquela cena de Olívia. Mas a lembrança do dia anterior veio à mente como um golpe seco. Endureceu o semblante, como quem recoloca a máscara no lugar, e desceu os degraus em silêncio.
— Bom dia, meu filho. — disse Olga, sorrindo. — Vou mandar preparar o seu café.
— Bom dia vó. Não precisa. — respondeu ele, com a voz rouca e fria. — Estou atrasado pra ir pra empresa.
Olívia nem o olhou.
O sorriso que tinha simplesmente desapareceu, e ela manteve os olhos fixos no celular, fingindo indiferença.
Nesse momento, Alex entrou, ajustando o paletó, e Laura, como sempre, não perdeu a deixa.
— Ah, então o senhor resolveu dar o ar da graça! — provocou, cruzando os braços com um sorriso travesso. — Conta aí, Alex… onde foi a farra de ontem?
Alex ergueu as sobrancelhas, surpreso.
— Farra? — retrucou, sarcástico. — Se hospital agora conta como balada, então sim, a noite foi animada. Bom dia para todos!
Laura inclinou levemente a cabeça, o olhar curioso.
— Como assim, hospital? — perguntou, franzindo o cenho, divertida. — Não me diga que o Liam conseguiu transformar uma emergência em festa.
Alex soltou um riso breve.
— Eu passei a noite socorrendo a minha mãe, Laura. — respondeu, num tom firme, mas cordial. — E, acredite, não sobrou energia para comemorar nada depois disso.
Laura desviou o olhar de Alex para Liam, depois para Olívia — que continuava concentrada no celular, séria —, e por fim para o avô.
Frederico observava em silêncio, o semblante neutro, mas os olhos atentos a cada movimento do neto.
Liam manteve-se impassível, apenas lançou um olhar frio a Alex. O amigo arqueou levemente as sobrancelhas, confuso, como quem perguntava em silêncio “o que eu falei de errado?”
— Vamos. — disse Liam, seco, ajustando o terno. — Bom dia, Laura. Bom dia, vô.
Sem esperar resposta, virou-se e saiu.
Alex olhou em volta, visivelmente constrangido, tentando amenizar o clima.
— Foi bom ver vocês. — murmurou, forçando um sorriso educado. — Tenham todos um ótimo dia.
E, sem mais delongas, apressou o passo para alcançar o amigo.
O som dos sapatos dos dois ecoou pelo corredor de mármore até que a casa mergulhou em silêncio.
Laura cruzou os braços, bufando, o olhar alternando entre o avô e Olívia, que continuava com a serenidade cuidadosamente ensaiada. O clima leve se dissolveu como névoa, e foi Olga, com sua voz doce e firme, devolveu um pouco de calor ao ambiente.
— Sua mãe mandou a receita do nhoque, Olívia. — disse, tentando animar o momento. — Vou tentar fazer igual. Desejo de grávida tem que ser atendido.
Olívia ergueu o olhar e sorriu de leve, ainda meio desconectada.
— Acho que mandou sim, vovó. — respondeu, destravando o celular. — Vou olhar aqui.
— Então vamos indo pra cozinha. — disse Olga, gentil, levantando-se. — Amo sua companhia, querida.



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