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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 89

O silêncio que se instalou entre os dois era denso, quase físico. Nem o ar-condicionado, sempre constante e preciso, parecia amenizar a tensão que se acumulava sob a pele de Liam enquanto ele encarava o avô.

Frederico permanecia imóvel, mas sua presença ocupava o ambiente inteiro com sua postura ereta, mãos cruzadas atrás das costas, o olhar firme de alguém que construiu impérios sem nunca temer confrontos.

Liam manteve a postura firme, inabalável. Por dentro, porém, algo contraiu — um impacto seco, preciso — quando ouviu a dedução do avô. Não demonstrou. Não permitiria. Mas a verdade é que Frederico havia tocado exatamente no ponto que ele evitava até em pensamento.

— Qual das duas opções é a correta, meu neto? — repetiu Frederico, com a calma cruel de quem sabe que acabou de colocar o outro contra a parede.

Liam desviou o olhar e caminhou até a mesa, como quem precisa de um ponto sólido para manter o próprio controle intacto. Os dedos tocaram a madeira, firmes, estáveis.

— Não vou discutir isso agora com o senhor, vovô. — disse ele, a voz baixa, porém firme. Firme demais para um homem cujo controle, por dentro, começava a rachar.

Frederico ergueu uma sobrancelha. A expressão não era de irritação. Era pior, era de quem já esperava aquela resposta.

— Qual o problema de responder uma pergunta tão simples? — questionou, com ironia contida.

Liam respirou fundo, tentando retomar o próprio eixo. Não deixaria transparecer a raiva, o incômodo, o que quer que queimasse sob a pele. Mas, por mais que tentasse, o controle — sempre absoluto — começava a falhar nas bordas.

— Porque a questão em pauta não é o meu casamento — disse ele, pausado, tentando manter a lógica acima do resto — e sim a Olívia trabalhar aqui. Ao meu lado. Com um cargo abaixo do meu. Esposa de bilionário não trabalha.

Frederico deu dois passos lentos, observando-o como se cada músculo do neto dissesse mais do que as palavras.

— Liam… — disse com voz grave — eu te conheço mais do que seu próprio pai.

A frase acertou uma ferida aberta. O maxilar de Liam contraiu, mas o patriarca continuou sem hesitar.

— Quando você foge de um assunto, meu neto, isso sempre significa apenas uma coisa… — continuou Frederico. — que você não quer admitir o que já sabe.

Liam desviou os olhos por um segundo. Um segundo só. Mas suficiente para Frederico concluir.

E então ele provocou.

— Isso me leva a uma conclusão bastante simples. — afirmou, num tom neutro demais para não ser intencional. — Esse casamento não é real.

Era uma provocação. Lúcida. Cirúrgica. Fria.

E funcionou. A expressão de Liam mudou.

Frederico continuou, como quem estuda a reação.

— Tudo foi rápido demais. — disse, sem elevar a voz. — A ponto de sua família não estar presente. Decisões às pressas. Um casamento fora do padrão. É natural pensar que…

Liam sentia o sangue ferver.

— …isso tudo seja só uma encenação. — completou Frederico, firme. — Uma forma de garantir sua posição na empresa e a herança quando eu partir.

Era um tiro calculado. Preciso. E pegou exatamente onde Frederico queria.

Foi então que Liam explodiu.

— Esse casamento é real, vovô! — a voz dele ecoou pela sala, mais alta do que pretendia. — Será que não está nítido?!

As palavras ficaram suspensas no ar.

E, por um instante — um instante rápido, quase imperceptível — Liam ficou completamente imóvel. Paralisado. Como se tivesse acabado de perceber o que tinha acabado de dizer.

O rosto dele não mudou… mas os olhos, sim.

Houve perplexidade ali. Breve. Controlada.

Mas real.

Ele não esperava aquilo.

Não esperava admitir aquilo.

Nem para o avô.

Nem para si mesmo.

Frederico não recuou. Não piscou.

Ele sabia exatamente onde havia tocado.

— A única coisa boa disso tudo… é a Laura. — completou Liam, mais baixo, cansado.

Frederico apenas o observava. Sabia que aquilo era uma dor que Liam carregava desde a infância e que moldou seu coração de pedra. Mas a pedra também quebra. E Olívia… estava rachando tudo.

— Será que você não percebeu… — disse ele, lentamente — que não tem como fugir do que sente por Olívia?

Liam deixou escapar um meio sorriso. Não de humor. De ironia. De desespero.

— E o que eu sinto, vovô? — perguntou, desafiando-o.

Frederico sustentou o olhar dele.

— Isso é você que tem que me dizer.

Liam virou o rosto e caminhou lentamente até a enorme janela. A vista da cidade o acalmava. Ele enfiou as mãos nos bolsos, respirou fundo, e ficou ali, imóvel, como se tentasse encontrar uma resposta que estava evitando.

O silêncio parecia uma pressão no ar.

Segundos passaram.

Talvez minutos.

Até que finalmente…

Ele falou.

— Olívia é… delirante. — disse.

Frederico esperou. Sabia que a confissão estava só começando.

— Com aqueles olhos azuis profundos como o mar… — Liam continuou, a voz mais suave — ela consegue dar vários beijos sem encostar a boca em mim.

Frederico estreitou os olhos, intrigado.

— Eu consigo decifrar a Olívia pelos olhos, vovô. Desde o primeiro dia. — disse Liam, a voz baixa e firme, mas com um peso que ele não conseguiu disfarçar. — Eles têm um poder sobre mim que eu nunca pedi… e que não consigo ignorar. — Ele engoliu seco, irritado consigo mesmo. — E o pior é que eu… não sei lidar com isso.

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