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Segredos De Uma Noite: Meu Marido Por Contrato romance Capítulo 90

Liam fechou os olhos por um instante, como quem tenta se recompor — e falha.

— Ela é como um vício pra mim. — disse Liam, a voz ficando mais rouca, mais densa. — Um vício do qual eu preciso todo santo dia pra não perder a cabeça.

Frederico soltou um suspiro quase inaudível, atento.

Liam exalou um ar pesado, frustrado, como se revivesse algo que queimava mais do que deveria. Virou-se devagar para o avô, o olhar sombrio, intenso, ferido.

— Na cama… ela é um furacão. — confessou, e a voz ganhou um tom mais grave, mais quente do que ele gostaria. — Com ela… não é sexo. É outra coisa. Um negócio que mexe onde não deveria.

Frederico permaneceu quieto, e esse silêncio, mais do que qualquer conselho, forçava Liam a continuar.

— Ela faz amor sorrindo… — Liam passou a mão pelos cabelos, irritado. — E chorando. Quem faz isso, vovô?

Ele parecia genuinamente indignado.

Como se a emoção dela fosse uma afronta pessoal.

A pergunta não tinha resposta. Mas ele não queria uma resposta. Queria desabafar.

— Eu fui o primeiro na vida dela. — continuou, a voz baixa, mas cortante. — E só de imaginar outro homem encostando nela… eu perco o controle. Perco mesmo. É instinto. É visceral.

Frederico o observava como quem assiste um muro velho rachar pela primeira vez.

Liam passou a mão no rosto com força, irritação evidente.

— Eu realmente me pergunto… — murmurou, encarando o chão como se ele fosse culpado — como ela conseguiu mexer tanto comigo… em tão pouco tempo.

A frase não saiu suave.

Saiu amarga.

Doída.

Como se admitir isso fosse um golpe na própria identidade.

Frederico sabia.

Era isso que ele queria ouvir.

E era isso que Liam odiava admitir.

Liam ficou alguns segundos calado depois da própria confissão. O silêncio entre eles era pesado. Não desconfortável, mas real. Afinal, não estava acostumado a se expor, a admitir fraquezas, a admitir sentimentos. Ele que se treinou para controlar tudo. Agora… não controlava nem a si mesmo.

Frederico deu um pequeno passo, sem invadir o espaço do neto, mas deixando claro que estava presente.

— Liam… — disse ele, com a voz baixa. — Isso que você está sentindo… não é fraqueza.

Liam soltou um riso curto, sem humor.

— Claro que é. — rebateu, passando a mão pelo cabelo outra vez. — Eu não consigo pensar direito quando se trata dela. Isso é a definição de fraqueza.

— Não. — Frederico respondeu, firme. — É a definição de humanidade.

Ele riu, sem humor.

— Eu que sempre disse que não queria casar. Não queria ter filhos. Nada disso.

Frederico ouvia cada palavra com muita atenção. Liam respirou fundo, encarando-o.

— O senhor não sabe o quanto estou assustado com a paternidade.

Pela primeira vez…Ele admitiu medo. Medo de verdade.

Liam caminhou até a mesa devagar, apoiou-se nela, respirou fundo.

— Eu tentei fugir dela, vovô. — disse, sincero. — Mas pela primeira vez na vida… eu falhei.

Frederico não disfarçou o pequeno orgulho que brilhou em seus olhos.

Liam continuou.

— Sou louco pela tatuagem dela. — murmurou. — Pelo corpo dela. Pelo beijo. Por tudo nela.

Ele passou a mão no rosto.

— Hoje… ela me mandou uma foto. — engoliu em seco. — E por causa dessa foto, eu perdi o controle. Não consegui me concentrar na reunião. Nem no ar. Nada.

Frederico apenas assentiu, discreto. Não ia demonstrar que sabia. Liam passou a mão pelo cabelo, inquieto, quase desesperado.

— Imagina… — disse ele, a voz tensa — como vai ser ela aqui… trabalhando ao meu lado?

Seu peito subiu abruptamente, como se o pensamento queimasse de dentro para fora.

— Em Dallas… — ele fechou os olhos, lembrando — num jantar que a levei… minha vontade foi matar um empresário que não tirava os olhos dela.

A sinceridade doeu.

— Você tem uma ferinha para domar, Liam. — disse com um meio sorriso. — E se você não correr atrás do prejuízo… outro corre.

Liam estreitou os olhos.

— Ela falou alguma coisa com o senhor? — a voz baixa demais para ser desinteressada.

Frederico sustentou o olhar dele — firme, astuto, seguro.

— Não precisa falar. — respondeu. — É perigosíssimo ignorar uma mulher como ela.

Ele ajeitou o terno devagar, sem pressa, como quem dá a última peça de um conselho que vale ouro.

— Mulheres como Olívia… — completou, com sabedoria antiga — ou você segura… ou perde.

Liam ficou imóvel.

Mas por dentro?

Um vulcão.

Eles voltaram para a sala de reuniões em silêncio.

Olívia estava de pé diante do telão, segurando alguns documentos que o diretor havia lhe passado.

— Como eu dizia… — continuou ela, apontando para o gráfico — se considerarem o impacto da filial de Singapura no novo orçamento, o risco operacional cai em torno de quinze por cento. Isso reduz custos e acelera a entrega.

Os diretores arregalaram os olhos.

Alex quase soltou um “meu Deus”.

Frederico cruzou os braços, satisfeito.

Liam… apenas a observava, o olhar um enigma silencioso.

Então Olívia virou o rosto devagar na direção dele.

Os olhares se encontraram.

E, com um sorriso suave, a voz baixa, segura, provocante na medida exata, ela disse:

— Estou errada, mozão?

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