Liam fechou os olhos por um instante, como quem tenta se recompor — e falha.
— Ela é como um vício pra mim. — disse Liam, a voz ficando mais rouca, mais densa. — Um vício do qual eu preciso todo santo dia pra não perder a cabeça.
Frederico soltou um suspiro quase inaudível, atento.
Liam exalou um ar pesado, frustrado, como se revivesse algo que queimava mais do que deveria. Virou-se devagar para o avô, o olhar sombrio, intenso, ferido.
— Na cama… ela é um furacão. — confessou, e a voz ganhou um tom mais grave, mais quente do que ele gostaria. — Com ela… não é sexo. É outra coisa. Um negócio que mexe onde não deveria.
Frederico permaneceu quieto, e esse silêncio, mais do que qualquer conselho, forçava Liam a continuar.
— Ela faz amor sorrindo… — Liam passou a mão pelos cabelos, irritado. — E chorando. Quem faz isso, vovô?
Ele parecia genuinamente indignado.
Como se a emoção dela fosse uma afronta pessoal.
A pergunta não tinha resposta. Mas ele não queria uma resposta. Queria desabafar.
— Eu fui o primeiro na vida dela. — continuou, a voz baixa, mas cortante. — E só de imaginar outro homem encostando nela… eu perco o controle. Perco mesmo. É instinto. É visceral.
Frederico o observava como quem assiste um muro velho rachar pela primeira vez.
Liam passou a mão no rosto com força, irritação evidente.
— Eu realmente me pergunto… — murmurou, encarando o chão como se ele fosse culpado — como ela conseguiu mexer tanto comigo… em tão pouco tempo.
A frase não saiu suave.
Saiu amarga.
Doída.
Como se admitir isso fosse um golpe na própria identidade.
Frederico sabia.
Era isso que ele queria ouvir.
E era isso que Liam odiava admitir.
Liam ficou alguns segundos calado depois da própria confissão. O silêncio entre eles era pesado. Não desconfortável, mas real. Afinal, não estava acostumado a se expor, a admitir fraquezas, a admitir sentimentos. Ele que se treinou para controlar tudo. Agora… não controlava nem a si mesmo.
Frederico deu um pequeno passo, sem invadir o espaço do neto, mas deixando claro que estava presente.
— Liam… — disse ele, com a voz baixa. — Isso que você está sentindo… não é fraqueza.
Liam soltou um riso curto, sem humor.
— Claro que é. — rebateu, passando a mão pelo cabelo outra vez. — Eu não consigo pensar direito quando se trata dela. Isso é a definição de fraqueza.
— Não. — Frederico respondeu, firme. — É a definição de humanidade.
Ele riu, sem humor.
— Eu que sempre disse que não queria casar. Não queria ter filhos. Nada disso.
Frederico ouvia cada palavra com muita atenção. Liam respirou fundo, encarando-o.
— O senhor não sabe o quanto estou assustado com a paternidade.
Pela primeira vez…Ele admitiu medo. Medo de verdade.
Liam caminhou até a mesa devagar, apoiou-se nela, respirou fundo.
— Eu tentei fugir dela, vovô. — disse, sincero. — Mas pela primeira vez na vida… eu falhei.
Frederico não disfarçou o pequeno orgulho que brilhou em seus olhos.
Liam continuou.
— Sou louco pela tatuagem dela. — murmurou. — Pelo corpo dela. Pelo beijo. Por tudo nela.
Ele passou a mão no rosto.
— Hoje… ela me mandou uma foto. — engoliu em seco. — E por causa dessa foto, eu perdi o controle. Não consegui me concentrar na reunião. Nem no ar. Nada.
Frederico apenas assentiu, discreto. Não ia demonstrar que sabia. Liam passou a mão pelo cabelo, inquieto, quase desesperado.
— Imagina… — disse ele, a voz tensa — como vai ser ela aqui… trabalhando ao meu lado?
Seu peito subiu abruptamente, como se o pensamento queimasse de dentro para fora.
— Em Dallas… — ele fechou os olhos, lembrando — num jantar que a levei… minha vontade foi matar um empresário que não tirava os olhos dela.
A sinceridade doeu.
— Você tem uma ferinha para domar, Liam. — disse com um meio sorriso. — E se você não correr atrás do prejuízo… outro corre.
Liam estreitou os olhos.
— Ela falou alguma coisa com o senhor? — a voz baixa demais para ser desinteressada.
Frederico sustentou o olhar dele — firme, astuto, seguro.
— Não precisa falar. — respondeu. — É perigosíssimo ignorar uma mulher como ela.
Ele ajeitou o terno devagar, sem pressa, como quem dá a última peça de um conselho que vale ouro.
— Mulheres como Olívia… — completou, com sabedoria antiga — ou você segura… ou perde.
Liam ficou imóvel.
Mas por dentro?
Um vulcão.
Eles voltaram para a sala de reuniões em silêncio.
Olívia estava de pé diante do telão, segurando alguns documentos que o diretor havia lhe passado.
— Como eu dizia… — continuou ela, apontando para o gráfico — se considerarem o impacto da filial de Singapura no novo orçamento, o risco operacional cai em torno de quinze por cento. Isso reduz custos e acelera a entrega.
Os diretores arregalaram os olhos.
Alex quase soltou um “meu Deus”.
Frederico cruzou os braços, satisfeito.
Liam… apenas a observava, o olhar um enigma silencioso.
Então Olívia virou o rosto devagar na direção dele.
Os olhares se encontraram.
E, com um sorriso suave, a voz baixa, segura, provocante na medida exata, ela disse:
— Estou errada, mozão?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...