A reunião havia acabado. Os diretores ainda conversavam recolhendo pastas, fechando notebooks, tentando fingir naturalidade depois da intensa reunião. A autoridade de Olívia tinha sido estabelecida diante de uma mesa inteira de diretores e o olhar de Liam tinha queimado na direção dela como se tentasse atravessar sua pele.
Liam mantinha a expressão fria, impecável conversando com Alex. Mas, por trás dos olhos, ainda ardia a lembrança da foto.
Frederico encerrou com um comentário, apertou a mão de dois diretores e então virou-se para Olívia.
— Vamos, minha jovem. — disse num tom cordial, mas firme. — Quero lhe mostrar a sua sala.
Ela assentiu, sentindo vários olhares pousarem em suas costas enquanto saía ao lado do patriarca. Sabia que, dali em diante, cada passo seu dentro da Trident seria medido, analisado, julgado. Mas, naquele momento, tudo que conseguia sentir era o peso da mão de Liam ainda queimando na memória, na cintura.
Os saltos de Olívia ecoaram pelo corredor, suaves, precisos. Frederico caminhava ao seu lado, com a postura ereta de sempre. Ninguém ousava pará-los.
Pararam diante de uma porta com uma placa prateada ainda sem nome. Frederico girou a maçaneta e abriu, cedendo a passagem para ela com um gesto simples.
— Olívia, esta será sua sala. — anunciou com calma. — Se quiser fazer alguma mudança, você não precisa pedir autorização ao Liam.
Ele disse com naturalidade, mas o subtexto era claro de que ela tinha voz própria ali.
Olívia entrou devagar, sem apressar o passo, absorvendo o impacto do espaço. A mesa de madeira escura, o painel digital embutido, a janela enorme que revelava Nova York. Era um ambiente imponente, digno de poder. Digno de alguém grande.
Digno de alguém como ela.
Frederico observava sua reação com atenção. Ela caminhou até a mesa, tocou a superfície com calma. Depois se virou.
— Senhor Frederico… — começou, a voz baixa, mas firme. — Agora que estamos sozinhos, podemos conversar?
Ele cruzou as mãos nas costas, atento.
— Claro. — respondeu, sem hesitar.
Ela inspirou fundo.
— Eu sei que tudo o que o senhor está fazendo é pelo seu neto. — disse, olhando diretamente para ele, sem fugir. — Mas…
Frederico ergueu a mão, interrompendo-a com um gesto suave, mas firme.
— Minha jovem… — disse, olhando-a com seriedade tranquila. — Faço tudo para ver meu neto feliz, curado, não nego. — Deu uma pausa breve. — Porém, se você está neste cargo, é porque tem competência para isso. — completou. — E deixou isso muito claro na reunião que acabamos de sair. Eu apenas… juntei o útil ao agradável.
Ela prendeu um suspiro.
— Mas, vovô… — a palavra saiu com um pouco de carinho e um pouco de peso. — Eu já administro a empresa da minha família.
Frederico deu alguns passos lentos pela sala, como quem examina o território que está entregando a alguém de confiança.
— Sejamos realistas, Olívia. — disse, sem dureza, apenas verdade. — Você agora é uma mulher casada. E está grávida.
Ela baixou o olhar instintivamente para o próprio ventre.
— A empresa do seu pai é em Dallas. — continuou. — E sua vida é agora em Nova York. Por mais que exista home office, você sabe que terá que ficar sempre viajando, passando dias fora.
As imagens vieram à mente dela: aeroporto, mala pronta, enjoo, cansaço… e, em paralelo, Liam em Nova York, a gravidez avançando, um casamento sustentado por um contrato.
— Acha que isso vai ser bom para você… — completou Frederico, olhando diretamente para ela — que já está dando sinais de que a gravidez pode não ser leve… e para o seu casamento? Afinal, você e Liam são recém-casados.
O peito dela apertou.
— A esposa acompanha o marido, minha jovem. — concluiu, com firmeza. — A não ser que você queira ficar longe do Liam. Que esse casamento seja só… de aparência.
Olívia respirou fundo. A frase doeu. Não porque fosse mentira, mas porque tocava exatamente na ferida.



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