Do outro lado, o toque foi interrompido.
— Alô? — a voz de Ísis soou animada, um pouco ofegante. — Oi, amiga! Eu estava indo tomar um banho pra poder ir te encontrar.
Um sorriso escapou dos lábios de Olívia.
— Então se prepara… — respondeu. — Porque eu tenho uma ótima notícia pra você.
— Me conta logo mulher! — reclamou Ísis, rindo. — Você sabe que suspense só rola pra mim se eu estiver encenando.
Olívia olhou a cidade lá embaixo, respirando o peso do momento.
— Bem… — começou, segurando o sorriso. — O poderoso Frederico Holt me deu um cargo abaixo do Liam.
Do outro lado, silêncio por um segundo. Depois.
— Mentira. — disse Ísis, incrédula. — O homem não dá ponto sem nó. — Riu. — Quero só um pouquinho da inteligência dele. Que jogada ele fez… estou chocada.
Olívia deu uma risada baixa.
— Pois é. — concordou. — Mas eu vou te contar tudo nos mínimos detalhes daqui a pouco. — olhou para as unhas pintadas de vermelho — O mais importante agora é que você saiba que… — fez uma pausa dramática — você será minha secretária.
— O QUÊ?! — Ísis praticamente gritou.
Olívia afastou um pouco o celular do ouvido, rindo.
— Baixa o tom, louca. Vou ficar surda desse jeito.
— Amiga… — Ísis insistiu, incrédula. — Mentira. Eu não tenho experiência pra isso, você enlouqueceu?
— Você não tinha experiência com palco… — rebateu Olívia, com carinho. — Mas aprendeu. Você não tinha experiência com faxina… e faz muito bem.
Olhou em volta, como se já visse a amiga ali.
— Até você conseguir voltar para sua área, vai ser minha secretária. Confio em você.
Ísis ficou em silêncio por dois segundos.
— Eu vou chorar. — disse, com a voz embargada. — Mas estou de rímel à prova d’água, então pode continuar.
Olívia sorriu, emocionada.
Mas antes que pudesse falar, a porta se abriu atrás dela.
Ela não se virou.
O corpo dela reconheceu.
A pele, o ar, a respiração.
Liam.
Em poucos passos, ele estava atrás dela, o calor do corpo dele a atingindo mesmo sem toque.
Mas ele tocou.
As mãos grandes envolveram sua cintura, puxando-a para trás com um domínio lento.
Ísis virou um eco distante.
— Tenho que desligar. — disse Olívia, sem virar o rosto. — Depois a gente se fala.
Encerrou a ligação.
O silêncio voltou. Mas agora havia duas respirações no ambiente.
Os lábios dele se aproximaram do ouvido dela, a voz saindo baixa, grave, com aquele tom que sempre arrepiava a pele dela. Mesmo quando ela queria odiá-lo.
— Você me impressionou na reunião. — disse Liam, deixando as palavras roçarem o lóbulo da orelha dela.
Um arrepio percorreu o corpo de Olívia como se alguém tivesse ligado a luz por dentro.
Ela estremeceu. Mas não perdeu a postura.
— Resolveu falar comigo, marido? — retrucou, com ironia calculada.
Afastou-se dos braços dele com um movimento firme, caminhou até a mesa e se apoiou nela, de costas para ele. Depois virou o rosto por cima do ombro, o olhar frio, ferido e provocador.
— Só fiz o meu trabalho. — completou. — E, como prometido, fui uma esposa exemplar.
Liam caminhou até ela.
Passos firmes. Seguros. Perigosos.
Parou à frente dela, perto o bastante para que ela sentisse o calor do corpo dele atravessando a fina camada de ar entre os dois. O olhar dele prendeu o dela com uma intensidade que fazia o chão sumir.
Ele ergueu a mão e roçou o polegar no lábio inferior dela, com uma delicadeza que contrastava com o controle rígido estampado no olhar.
— Com quem você estava falando? — perguntou, a voz baixa, controlada.
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