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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 45

POV Heitor Montenegro

Andei pelo corredor, chutando um vaso vazio. As mensagens ainda vibravam no celular. Mas agora eu não lia. Só sentia o pulsar do sangue nas têmporas, quente, pulsante, como uma sirene dentro da cabeça.

Célia me seguiu, falando baixo, como se estivesse tentando domar um animal selvagem.

— Precisamos pensar. Com frieza.

Parei no pé da escada. Olhei pra ela. O rosto duro, os lábios tremendo, mas os olhos... os olhos ainda faziam cálculos.

— Ela acabou com a nossa imagem, mãe. — Minha voz saiu rouca, um sopro rasgado. — As ações, os contratos, o conselho… tudo virou pó em menos de 24 horas.

Célia ergueu o queixo.

— Então a gente vai criar outra imagem.

Fiquei em silêncio. O ar da sala parecia mais denso, pesado.

— Eu tenho um plano. — Ela continuou, aproximando-se. — Nós temos vídeos, prints, áudios… todos os pequenos surtos dela. Aqueles momentos em que ela chorava, gritava, quebrava coisas.

— Você gravou tudo? — perguntei, a voz embargada.

Ela abriu um sorriso fino.

— Sempre gravei. Para proteção. Ela sempre foi instável. E as pessoas adoram uma mulher instável para crucificar.

Levei a mão à boca, passei os dedos pelo queixo. Por um instante, me vi no reflexo do espelho da sala. Um homem despedaçado, mas ainda tentando segurar as rédeas do próprio inferno.

— Vamos usar isso. — Célia disse, como quem oferece veneno num cálice de cristal. — Vamos mostrar ao público que ela é instável, emocionalmente desequilibrada. Que tudo isso foi uma grande encenação de uma mulher perturbada.

Fiquei olhando para o chão. As imagens da Isadora gritando, chorando, jogando objetos contra a parede. As gravações que eu mesmo tinha ignorado, que achava só “birras de mulher fraca”. Agora, podiam virar a nossa arma.

— Vai colar? — perguntei, baixo.

Célia se aproximou ainda mais, segurou meu rosto entre as mãos.

— Se a gente fizer direito, vai. O público não gosta de mulheres descontroladas. Eles preferem a narrativa fácil, a mulher histérica contra o homem calmo.

Fechei os olhos. Por um segundo, vi ela. Isadora. Rindo num domingo antigo. Cantando na cozinha. O café derramado na camisa. O “eu te amo” que parecia tão verdadeiro.

Abri os olhos.

— Eu não quero perdê-la. — murmurei. — Eu só queria…

Célia apertou meu rosto com força, as unhas machucando minha pele.

— Você já perdeu. Agora, você só pode decidir se vai cair sozinho ou se vai arrastar ela com você.

O ar sumiu dos meus pulmões.

— Eu... eu vou pensar. — respondi, me afastando.

Subi as escadas sem olhar pra trás. O celular ainda vibrava na mão. As ações caindo, os comentários se multiplicando. Mas agora, na minha cabeça, só havia um sussurro. Arrasta ela com você. E naquele eco, eu percebi. A guerra ainda não tinha acabado. Ela só estava começando.

***

POV Isadora Ferraz

Capítulo 45 — Um renascimento ou uma queda livre? 1

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Capítulo 45 — Um renascimento ou uma queda livre? 3

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