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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 73

POV Isadora Ferraz

O despertador tocou às sete, mas eu já estava acordada. Acordada, ansiosa e com o estômago mais embrulhado que meus sentimentos nos últimos dias. Hoje era o dia. Primeira ultrassonografia. E, claro, Olívia estava atolada na editora, com reunião marcada até a alma.

Pensei em ir sozinha. Sério. Me arrumar, pegar o carro, dar um sorriso para a enfermeira e fingir que estava plena. Mas aí me olhei no espelho. Os olhos inchados, a barriga ainda discreta, a insegurança gritando no meu peito.

Não dava. Respirei fundo, peguei o celular e disquei sem pensar.

— Isa? — a voz dele ainda rouca de sono. Meu coração deu aquele tropeço bobo.

— Dante. Oi. Desculpa te ligar tão cedo.

— Está tudo bem? — ele já estava alerta, tenso. Sempre pronto pra apagar incêndios.

— Eu tenho um ultrassom hoje. Primeira imagem, sabe? E a Olívia está presa no trabalho… eu… queria saber se você pode ir comigo.

Silêncio por dois segundos. Longos. Profundos.

— Claro que sim. Onde e que horas?

Simples assim.

***

No consultório, o som abafado de músicas instrumentais pairava no ar como se tentasse distrair mães ansiosas e pais desconfortáveis. Eu estava sentada na beirada da maca, de avental, gel frio na barriga, e Dante segurando minha mão. Ele não falou muito. Mas o jeito como seus dedos entrelaçaram nos meus dizia tudo. Dizia: eu tô aqui. Mesmo que tudo esteja uma bagunça, eu tô aqui.

A médica sorriu, simpática, enquanto ajustava o aparelho.

— Vamos ver esse baby?

Assenti com um sorriso nervoso. Dante apertou um pouco mais minha mão. A tela acendeu. Os ruídos começaram. Meu coração quase saiu pela boca. E então… ele apareceu. Pequeno. Meio borrado. Mas ali. Um serzinho real. Um coração batendo acelerado, mais forte que qualquer palavra dita.

— Aqui está, — disse a médica, apontando. — Sete centímetros. Tudo dentro do esperado. E esse aqui… — ela sorriu — é o coração. Batendo lindamente.

O som preencheu a sala. Tum-tum. Tum-tum. Tum-tum. Eu chorei. Sem vergonha, sem contenção. O rosto molhado e o peito rasgando em emoção. Dante ficou imóvel por um segundo, e depois levou minha mão até os lábios. Os olhos dele estavam marejados.

— É real. — ele sussurrou. — Você está mesmo... carregando um pedaço de nós.

Não consegui responder. Só olhei pra ele. E pela primeira vez em dias… não havia raiva. Nem mágoa. Nem desconfiança. Só a gente. E aquele somzinho de tambor de guerra vindo de dentro de mim. A médica nos deixou a sós depois, com a foto impressa nas minhas mãos. O papel tremia entre meus dedos. Dante olhou para mim e depois para a imagem, como se quisesse memorizar cada milímetro.

— É o som mais bonito que eu já ouvi. — disse ele, baixo.

Assenti.

— Eu também achei.

E naquele silêncio, no consultório branco e frio, algo quente nasceu. Não um recomeço. Ainda não. Mas uma fagulha. Um e se. Ele me levou até o carro com cuidado. Abriu a porta pra mim. E antes de eu entrar, me puxou com delicadeza, encostando a testa na minha.

— Obrigado por me deixar ver isso. Mesmo depois de tudo.

— Você faz parte disso também. Mesmo depois de tudo.

Ele sorriu. E foi ali, no estacionamento da clínica, que eu percebi… às vezes, o amor não morre. Ele só vira outra coisa. Esperança. Coragem. Ou... batimentos por minuto numa tela preta e branca.

***

O restaurante era elegante, discreto, com cheiro de vinho caro e pratos que vinham em porções quase simbólicas. Mas ali, sentada com Dante, com a primeira foto do nosso bebê dobrada dentro da bolsa, tudo parecia... suportável. Quase bom. Ele pediu vinho, mas só bebeu água. E me olhava como quem tinha um milhão de palavras na garganta, mas só soltava uma de cada vez.

— Eu queria ter te encontrado antes. — ele disse, mexendo na taça sem encostar os lábios. — Antes da dor. Antes dele.

— Mas não foi antes. Foi agora. — falei, firme. — E o agora já vem com consequências.

Ele assentiu. Mas os olhos estavam em mim. Nos meus lábios. Nas minhas mãos. Na minha barriga. Como se tentasse entender o futuro inteiro só com aquele retrato do presente.

— Eu quero estar presente. Não só como pai. Como homem. Como parceiro. Se você deixar.

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