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7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 72

POV Isadora Ferraz

Três dias passaram como uma batida fora do compasso. Não foram longos. Foram distorcidos. Uma mistura de ansiedade, medo e algo que parecia esperança… mas tinha o gosto amargo de abandono. Eu dormi mal, acordei pior, e passei os dias flutuando entre tarefas que não conseguiam me distrair. Mas quando o celular vibrou naquela manhã, eu soube.

“Pousei. Hotel Santa Victoria, 14h. Sala de reuniões privativa. Estarei te esperando.”

Eu fiquei parada olhando pra tela como quem encara um precipício.

— Vai dar certo. — disse Olívia, segurando minha mão no carro, como se pudesse impedir minha alma de se despedaçar. — Você precisa saber. Precisa ver quem ele é.

Assenti em silêncio. O vestido azul-marinho era o mais sóbrio que eu tinha. O batom cor de boca, o cabelo liso, nada de exageros. Queria parecer neutra. Invisível. Mas por dentro… o coração estava um tambor africano, selvagem, em fúria.

***

O hotel era alto, elegante e levemente intimidador. Tudo ali cheirava a vidro caro, ar-condicionado e ambição. A recepcionista nos guiou até o último andar. Subi com a mão de Olívia ainda firme na minha. Quando a porta da sala de reuniões abriu... o tempo parou. Ele estava de pé, encostado na janela, olhando a cidade como quem procura algo que perdeu. Alto. Impecável. Elegante de um jeito que não pedia atenção, mas a capturava. Lorenzo Fabbri.

Ele se virou. E ali estava. Meu espelho. Os olhos, os mesmos que o espelho me mostrava desde criança, estavam ali. Um pouco mais claros, talvez. Ou talvez fosse a luz do mundo dele. A boca, o queixo, até a sobrancelha arqueada quando ele me viu. A semelhança era absurda. Quase absurda demais pra ser real.

Eu congelei. Ele também.

— Isadora? — ele disse, como se estivesse dizendo “lar”.

Eu só consegui assentir. Um “sim” preso no nó da garganta. E então ele fez algo que desmontou todas as minhas defesas: ele sorriu com os olhos lagrimejando. Discretamente, como um homem que não está acostumado a desmoronar em público. Os olhos encheram, ele tentou sorrir…

— Eu esperei boa parte da minha vida para saber quem era você. Mesmo sem saber que você existia.

Eu respirei fundo, dei um passo hesitante. Olívia me soltou a mão, ficou de longe. E eu fui. Fui até ele. Um passo de cada vez, como se o chão estivesse testando minha coragem. Quando parei na frente dele, ele estendeu a mão. Mas eu... abracei. Não com força. Não com pressa. Mas com a exatidão de quem finalmente achou o outro lado da moeda. O outro pedaço do quebra-cabeça. Ele me apertou de volta. E, pela primeira vez, eu me senti vista. Não como filha. Não como ex-esposa. Não como vítima. Mas como irmã.

— Você é real. — ele murmurou, rindo e chorando ao mesmo tempo.

— E você é igual ao que eu nunca soube que queria conhecer.

Ele me soltou devagar, enxugou os olhos, olhou para mim como quem memoriza.

— Eu cresci com um buraco no peito. — disse, e dessa vez a lágrima foi minha.

Ele riu, emocionado.

— Talvez agora… a gente possa se preencher.

***

Conversamos por horas. Sobre a infância dele na Toscana. Sobre a fuga da nossa mãe. Sobre o pai dele, que a protegeu, amou, e deixou ir. Sobre como ele soube de mim por um acaso do destino, numa matéria velha. E sobre como ele quis me conhecer antes mesmo de ter certeza.

— Eu não sei como lidar com isso tudo. — confessei.

— Eu também não. Mas a gente aprende. Juntos.

Ele olhou minha barriga e sorriu.

— Soube que tem uma nova geração chegando. E eu quero estar aqui. Quero ser tio. Quero ser família.

A emoção me cortou de novo. Mas dessa vez… era leve.

— Eu adoraria isso. — respondi, tocando minha barriga com carinho.

Olívia sorriu ao fundo. E eu soube. Naquele instante, tudo tinha mudado. Eu ainda estava quebrada. Mas agora… havia outro pedaço de mim disposto a colar cada fragmento.

***

O carro de Lorenzo estacionou em frente ao prédio da Olívia com a suavidade de quem já conhecia aquele caminho. Mas ele nunca tinha estado ali. Nem naquele bairro, nem nessa parte da minha vida. E ainda assim… tudo nele era tão familiar quanto meu próprio sangue.

— Obrigada por nos trazer, — falei, já abrindo o cinto.

— Eu só queria te ver em segurança, — ele disse com um meio sorriso. — E te agradecer. Por hoje. Por me deixar entrar na sua história.

Assenti, com o coração ainda pulsando alto depois daquele dia tão intenso. Olívia desceu do banco de trás, batendo a porta com pressa. Lorenzo desligou o carro e contornou até a calçada. Foi aí que a tensão rasgou o ar como um relâmpago.

Vruuuuum.

O ronco grave da moto invadiu a rua. O capacete preto parou bem em frente ao prédio, derrapando um pouco. Eu soube na hora. Dante. Ele arrancou o capacete com brutalidade, os olhos cravados em mim com um fogo que só vinha de quem ama e está profundamente ferido.

— Você está brincando com a minha cara, Isadora?

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