POV Aayush
— O senhor poderia levantar um pouco para que possa organizar a mesa, senhor Aayush? — Pietra pediu.
Levantei e esperei que Pietra organizasse os papéis, ajeitasse o meu laptop milimetricamente com a mesa e borrifasse no ar uma essência suave e que dava leveza ao ambiente.
— Se importa se eu verificar essa cortina? Acho que está na hora de retirá-la para lavar.
— Não me importo. — voltei a sentar.
Meu telefone tocou. Era Enzo.
— Olá, senhor.
— Maçãzinha já chegou?
Não, Maria Fernanda não havia chegado. Mas eu não criaria problemas para ela. E nem o deixaria nervoso e pensando mil coisas que não seriam reais.
— Sim, senhor. Ela... chegou já faz um tempo.
— Ela já viu as flores?
— Creio que ela tenha ido diretamente ao quarto de Davi, para organizá-lo.
— Tudo certo com Davi?
— Sim, o deixei na escola conforme o senhor sempre faz. Entrei com o carro no estacionamento do prédio e o encaminhei pessoalmente até a sala de aula, entregando-o nas mãos da professora.
— Eu nem queria sair de casa hoje. No entanto tem bastante trabalho por aqui.
— Sim, eu sabia desse detalhe.
— Assim que Maçãzinha tiver visto as flores, você pode vir para a empresa.
— Ok, senhor.
— E, Aayush?
Ela conversou alguns minutos com o rapaz que me pareceu ser Michael, o garoto zumbi do senhor Enzo. Depois passou pela portaria e acessou a propriedade.
Percebi minhas mãos apertadas de forma demasiada, com os punhos fechados sobre a mesa. Tive vontade de bater no garoto zumbi. E eu nem sabia o motivo.
Respirei fundo enquanto a observava andando rapidamente pela estrada que dava acesso à casa. Vez ou outra dava uma corridinha.
Maçãzinha havia ficado ainda mais linda com os cabelos pintados e cortados. Havia lhe dado mais leveza. E parecia mais jovem e inocente. E ela realmente era, ou não se atreveria a envolver-se com Enzo Asheton. Aliás, ele havia me proibido de chamá-la de Maçãzinha. Acontece que no meu pensamento Enzo não mandava.
Maria Fernanda era graciosa, engraçada e espontânea. Ao mesmo tempo que era corajosa, se mostrava tímida em algumas situações. E o amor que demonstrava pelo menino Davi era genuíno. Amanza jamais olharia para o garoto como a babá fazia.
Quando a câmera a pegou de costas, notei que Maria Fernanda começou a caminhar mais devagar. E parou cerca de um minuto para respirar, enquanto olhava no relógio. Retirou a jaqueta, certamente em função da caminhada rápida de antes, o que imaginei que a fez suar.
A blusa justa envolvia seu corpo de forma perfeita. A calça jeans escura a deixava mais elegante. O tênis se adaptava perfeitamente bem com sua personalidade. E a mochila que sempre trazia nas costas dava-lhe um ar ainda mais jovial.
Quando ela voltou a andar em direção à casa, percebi que Maria Fernanda havia engordado um pouco desde que chegara na mansão Asheton. Ousei observar uma certa saliência na região da barriga. Eu ri. Aquilo também havia acontecido comigo quando fui parar na casa de Zadock.
A comida dos ricos era infinitamente melhor do que a dos meros mortais como eu e ela. Mesmo o que era servido aos empregados tinha qualidade. Nos últimos tempos Maria Fernanda estava jantando junto de Enzo e Davi. O que justificava ainda mais o ganho de peso dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...