— Eu... nunca soube lidar com isso de relacionamento, porque nunca tive um. Você foi a primeira mulher que amei. E será a última.
— Você vai morrer amanhã?
Franzi o cenho, sem entender:
— Não. — me dei ao trabalho de responder.
— Então não serei a última. Espero que, com os seus erros, tenha aprendido alguma coisa. Não perca a próxima mulher que aparecer na sua vida.
Ela virou as costas e peguei sua mão, desesperado:
— Eu não quero nenhuma mulher. Só você. Eu te amo.
— Sou a única mulher no mundo que você nunca mais irá tocar, Enzo. Você nunca confiou em mim. E jamais irá confiar. Eu espero que um dia descubra quem realmente tentou te prejudicar. Torço para que encontre a pessoa que teve a coragem de dar medicamento controlado para um menininho doce e inocente como Davi — ela fez uma pausa e olhou para o lado, como se tivesse se perdido no nada.
Um minuto. Talvez dois. Maçãzinha pareceu ficar fora do ar. Depois seus olhos pousaram sobre Aayush e ela sorriu.
Sim, ela sorriu para ele de forma terna e perguntou:
— Aayush, como a morte é tratada na Índia?
Aayush demorou a responder. Em seguida lhe deu um sorriso:
— A morte no meu país, onde a maioria da população é hindu, é vista como uma libertação e passagem para a reencarnação, não o fim absoluto. Na maior parte das vezes, é celebrada com rituais de cremação, frequentemente à beira de rios sagrados como o Ganges, visando libertar a alma, que chamamos de “atma”, do corpo para o ciclo de nascimento e renascimento.
Ela sorriu e voltou a ter o olhar vazio, como se sua vitalidade fosse sugada para um lugar sombrio.
— Acha que meu pai irá voltar como outra pessoa? E... o meu bebê que se foi? Segundo a sua crença, eu os encontrarei de novo?
— A alma volta várias vezes à vida até se libertar, completando várias e várias vezes o ciclo de nascimento, morte e renascimento.
— Geralmente a despedida é feito no Rio Ganges. Acreditamos que suas águas são sagradas e promovem a limpeza dos pecados. Por isso, também são usadas durante as cerimônias funerárias e religiosas. Isso ajuda no processo de purificação da alma para a futura reencarnação.
— Realmente... como uma festa. — Maçãzinha olhou-o novamente.
— Enquanto corpos são cremados, é comum ouvir cantos e gritos. A morte é encarada como um retorno ao divino, sem o luto trágico ocidental, pois a alma finalmente se funde com a consciência universal. Após a cremação, familiares muitas vezes comem e comemoram a libertação da alma, em um contraste com a tristeza típica de funerais de outras culturas. A cidade de Varanasi é descrita não apenas como a "cidade da morte", mas como a "cidade da alegria", onde a morte é encarada abertamente e celebrada em rituais públicos contínuos nos degraus à beira do rio.
— Aayush, quando eu morrer você pode levar o meu corpo para a Índia, a fim de eu poder voltar em outra vida? — a voz dela foi doce e fraca.
Ele sorriu e Maria Fernanda o abraçou. Sim, ela abraçou Aayush:
— Espero que possamos nos encontrar em outra vida, Aayush. Eu gostaria muito de tê-lo conhecido em outras circunstâncias. — depois me olhou — Espero não cruzar com você quando eu renascer. Que o Karma não me atinja.
Dizendo aquilo ela virou as costas e partiu, junto de Will e do garoto zumbi, levando junto o meu coração. Ou melhor, os pedaços dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...