CAPÍTULO 79. PLAYGROUND
Assim que Shirley se foi, demonstrando o quanto estava insatisfeita, Maçãzinha disse:
— Eu queria poder dizer que gosto dela. Mas não gosto. E, por algum motivo que eu não entendo, ela também não gosta de mim. Melhor explicando: eu não gosto dela porque ela nunca gostou de mim.
— Qual você acha que é o problema dela?
— O principal?
— Ela tem mais de um?
— Sim, muitos. Shirley não é uma boa babá. Mal se importa com Davi. Acha que está na própria casa, quando aqui é o seu trabalho. A impressão que eu tenho é de que se acontecesse alguma coisa com Davi fora do seu horário, ela sequer se prestaria a ajudar.
— Dentre eles, qual é o principal? — cruzei os braços, curioso.
— O principal motivo pelo qual eu não gosto dela é porque Shirley está nesta casa com um único objetivo: cuidar de você e não de Davi.
— Hum... interessante. — eu ri. — você acha que ela não tem capacidade para cuidar de mim?
— Não sei. Me diga você, que já chamou ela algumas vezes no seu escritório para conversar em particular.
— Eu nunca fiz isso.
— Fez. E uma das vezes foi quando entrei nessa casa para me apresentar ao Davi. Inclusive você fez questão de arrastá-la para lá e depois dizer na minha frente que ela deveria te chamar de “Enzo”. — fez uma careta, furiosa.
— Ah, sim... naquele dia que você tinha um chupão no pescoço.
— Eu nunca deixei Michael chupar o meu pescoço. Ele fez de propósito porque sabia que você iria ver.
— E o que passou pela cabeça dele que eu faria se visse? — escorei-me na parede, percebendo o ciúme dela.
— Até então... ele achava que éramos namorados.
— E até então... éramos?
— Não, claro que não.
— E agora?
Ela deu um passo para trás e escorou-se na parede oposta à minha e ficamos distantes alguns metros.
— E agora? — ela cruzou os braços, como eu e sorriu, em tom provocador — me diga você o que eu sou.
— Não tenho certeza. Preciso me certificar de que você tem capacidade para cuidar de mim, assim como Shirley.
Ela mordeu o lábio com força e soltou os braços ao longo do corpo, andando pelo corredor, furiosa.
Corri atrás dela e a pus contra a parede, erguendo seus braços e esfregando-me em seu corpo, meu pau ficando ereto só de sentir a sua respiração contra a minha pele.
— Não estou aqui para cuidar de você e sim do Davi. — disse, entredentes, furiosa.
— Mas eu quero que você cuide de mim.
— Contrate uma babá de adulto. Aliás, Shirley adoraria ocupar esse cargo.
— Não existe babá de adulto. — sorri, me aproximando de seu pescoço e dando um beijo na sua clavícula.
— Verdade, não existe. Mas existe babá de idosos. Essa realmente é mais adequada para você.
— Odeio quando você me chama de velho. — suspirei, irritado, mas sem me separar dela, agora inalando seu aroma doce.
— Odeio quando você tenta me fazer ciúme.
A encarei, com nossos rostos a centímetros de distância:
— Você tem ciúme de mim?
— Não. — afastou os olhos dos meus.
— Admita que tem ciúme de mim. — eu ri, enquanto voltava ao seu pescoço, agora trilhando beijos leves em cada centímetro de sua pele macia.
— Mas eu não tenho. — mentiu.
— Odeio mentiras. — ofeguei.
— Eu tenho ciúme de você. — admitiu, arfando.
Peguei seu queixo e apertei de leve, a obrigando a olhar nos meus olhos:
— Eu morro de ciúme de você. E tenho vontade de arrancar os olhos de cada homem que se atreve a olhá-la.
Maçãzinha se desvencilhou das minhas mãos e me abraçou:
— Por que você tem ciúme de mim? — senti o aperto de seus braços em meu corpo e o fogo acendendo.
Porque eu não aceito qualquer pessoa tocando no que é meu. Porque eu não quero sequer pensar que você possa ser de outro homem. Porque eu gosto de você. Porque eu não consigo parar de pensar em você um minuto sequer. Porque eu estou louco por você.
— Porque você é minha. O meu brinquedinho, lembra? — provoquei.
O abraço dela se desfez. O que Maçãzinha queria que eu dissesse? Por que pareceu tão decepcionada? Ela não queria que eu... não, devia saber que aquilo entre nós não era...
— Eu sei — sorriu, relaxando o corpo — sou ciente de que logo você vai enjoar do seu brinquedo. E parte boa é que crianças ricas geralmente doam os seus brinquedos depois que não querem mais.
— Não entendi... — afastei-a, para captar sua reação.
— Talvez meu próximo dono seja mais cuidadoso e me dê valor.
Próximo dono? Ela não entendia que eu jamais a deixaria ir? Só de pensar em outro homem tocando-a cada músculo do meu corpo se contraía.
— Eu sempre fui bem egoísta e me recusava a doar os meus brinquedos, mesmo quando eu não queria mais.
— Desde que não o quebre antes de se desfazer dele... acho que está tudo bem. Afinal, ninguém quer brinquedos quebrados.
— Sou o tipo de cuido muito bem dos meus brinquedos.
— Devo me sentir lisonjeada ouvindo isso?
— Tem uma coisa que precisa saber...
— O quê?
— Eu sempre cuidei muito bem dos meus brinquedos. Jamais quebrei nenhum deles.
— Quanta consideração! — ironizou.
— Você é e sempre será o meu brinquedo favorito, Maçãzinha. E brinquedos favoritos a gente não quebra, não doa e nem empresta.
— O que você faz com ele, então?
— Usa-se até desgastá-lo.
— E depois?
— Talvez o brinquedo fique tão velho quanto o dono. E ele o mantenha para sempre ao seu lado, só para ter lembrança de tudo que viveram juntos.
Ela mordeu o lábio e seus olhos lacrimejaram:
— Você é tão bipolar que consegue me fazer rir e chorar em menos de dois minutos. O monstro e o anjo. O arrogante e o fofo. E sabe o que é pior? Eu amo cada uma das suas versões.
Ama? Maçãzinha usou a palavra amor? Mas era com contexto ou sem contexto?
— Também amo o meu brinquedo. E jamais irei me desfazer dele.

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