POV Maria Fernanda
Quando Davi disse que me odiava, senti como se uma faca cravasse no meu peito. Eu amava aquele menino e não imaginei que a rejeição doeria tanto.
Dei um sobressalto com o som da porta se fechando com força e olhei para Enzo, meu corpo se recusando a obedecer.
Afinal, o que eu estava fazendo? Até quando aquilo iria? Eu sempre vivi de sonhos impossíveis, de amores que só existiam em filmes. Agora estava ali, num quarto maior que a minha própria casa, fingindo que seria um dia a esposa de Enzo e a madrasta do garotinho mais lindo do mundo.
Se eu contasse para Enzo sobre o nosso bebê, como seria? Davi jamais aceitaria. E Enzo... bem, ele já tinha dado sua resposta. E nela dizia “uma decisão em família”. Eu fazia parte dessa “família”? Se sim, por que aquele homem deixava claro que eu era só um brinquedo para ele? Por mais que fosse o brinquedo que ele amava, ainda sim continuava sendo um brinquedo, algo descartável, que mesmo guardado, continuava sendo um objeto que mais cedo ou mais tarde, estaria propenso a ser jogado fora.
Enzo, diga que me ama e que aceita o nosso bebê! Diz que isso não é um conto de fadas e que seremos felizes para sempre!
A questão é: Enzo precisava saber. E eu estava disposta a pagar o preço por revelar meu segredo. Era simples: se ele não aceitasse, eu iria embora e pronto. Se quisesse ficar com meu bebê e me tirar da sua vida, eu fugiria para bem longe, num lugar em que ele jamais nos encontraria.
Mas havia ainda a possibilidade, por menor que fosse, de Enzo aceitar o nosso filho. E entender que não havia sido planejado. Mas poderia ser amado.
Eu tinha que ter coragem e contar a verdade. Mas não naquela hora, de madrugada. Precisávamos conversar com Davi e deixá-lo mais tranquilo e menos bravo.
— Precisamos conversar com ele. — falei, num fio de voz.
— Agora é a sua vez. — ele disse, me olhando de certa forma... doce.
Assenti e fui para o quarto de Davi. Bati na porta e ele não disse nada. Optei por entrar. Deparei-me com Davi sentado na cama, com o ursinho agarrado ao peito, chorando.
Me aproximei e ele me encarou:
— Eu não quero você. — limpou as lágrimas, deixando claro o quanto estava magoado.
— Você não é obrigado a me querer. Ainda assim... eu vou conversar com você.
Andei de forma lenta até a cama e sentei-me. Tentei tocá-lo, mas Davi se esquivou.
— Por que você está tão chateado? — perguntei.
— Eu que iria me casar com você.
Meu coração acelerou. E, eu deveria ficar de certa forma feliz porque Davi gostava de mim de verdade, a ponto de imaginar que um dia poderíamos nos casar. Eu entendia perfeitamente o que aquele menininho sentia naquele momento. Sabia o que era gostar muito de alguém e essa pessoa gostar de outra.
Mordi o lábio, respirei fundo e disse:


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