Jamais passou pela minha cabeça que Enzo pudesse me escolher. E ele estava certíssimo. Eu havia aparecido na sua vida “ontem”. E não havia certeza de que eu pudesse ser alguém em que ele pudesse confiar. Sem contar que... o amor que aquele homem tinha pelo filho era algo admirável. E eu gostaria muito que meu filho ou filha pudesse ter aquilo um dia. Enzo era o melhor pai do mundo.
Então, se Davi o mandasse fazer uma escolha, eu já sabia qual seria. E, por mais que doesse, eu não me importaria e o admiraria ainda mais por isso.
Olhei no relógio. Era cinco horas da manhã. Tomei um banho rápido e, sob o vapor do banheiro, passei a mão no espelho e mirei-me de perfil. Minha barriga havia crescido. E não era pouco. Era visível. Ao menos para mim. Eu não conseguiria esconder aquela gravidez por muito tempo.
Seria um bom momento para contar a Enzo?
Antes de eu entrar no quarto de Davi, pareceu o mais correto a fazer. Mas agora... tive medo. E se Enzo achasse que eu estava fazendo aquilo para competir com Davi? E se ele achasse que eu estava desesperada para não ser descartada?
Me vesti e optei por não dormir. Logo amanheceria e eu tinha as minhas obrigações. Não podia tomar uma decisão tão importante como aquela em algumas horas. Precisava estar calma e ter certeza de como agir.
Abri a janela do quarto para sair um pouco do aroma das flores. Elas não estavam mais ali, pois era óbvio que não tinha como deixar centenas de flores para morrer dentro de um quarto. Certamente Aayush providenciou o lugar para onde elas iriam, assim como provavelmente as comprou.
Eu e Will nos falávamos diariamente por mensagens. Mas àquela hora ele certamente estava dormindo e não veria o telefone. Então optei por ligar.
— Bebê? — a voz dele era um misto de sono com preocupação — O que houve?
Eu já o imaginava sentado na cama, apavorado, retirando sua máscara de descanso de cetim.
— A minha barriga está começando a aparecer. — falei.
— E... você só percebeu isso... agora? Tipo... 5 horas da manhã você olhou-se no espelho e viu que a barriga cresceu?
— Mais ou menos isso. — ri. Não dava para dar muitos detalhes sobre o acontecido àquela hora.
— Está tudo bem com você, bebê? Enzo lhe fez alguma coisa?
Respirei fundo. E senti uma saudade absurda de casa, do meu irmão e do meu pai. Era lá que eu me sentia acolhida. E alguém que realmente importava. Estar longe de Enzo e Davi corroía o meu coração. Mas eu ainda não me sentia à vontade o suficiente para pedir abrigo a eles quando meu coração se dilacerava.
— Will, eu preciso urgentemente ir a um médico.
— Bebê, você está sangrando? Está sentindo alguma coisa? — ele ficou levemente ofegante e imaginei que estivesse se vestindo, apavorado.
— Não, Will. Acalme-se. Está tudo bem.
— Por que você quer um médico?
— Porque o tempo está passando. Não passa pela minha cabeça não fazer o pré-natal. E... eu não quero marcar estando aqui, porque alguém pode ouvir. Preciso que faça isso para mim.

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