Os olhinhos dele demonstravam medo. Embora me doesse o que Davi estava a fazer comigo, eu tinha ciência de que era só para chamar a minha atenção. Eu não sabia quanto tempo aquela atitude dele iria durar. Mas uma coisa eu tinha certeza: eu não ficaria naquela casa por muito tempo.
Portanto, era melhor eu me desapegar o mais rápido possível. De Enzo, de Davi, de Aayush e de todos que me cativaram naquele lugar.
— Eu vou... sair um pouco. — expliquei, observando os dedinhos mornos em torno da minha mão.
— Só um pouquinho?
— Você... se importa? — perguntei, não disfarçando um sorriso esperançoso.
— Não, eu não me importo.
Me soltou e correu para Shirley, abraçando-a enquanto me olhava. Respirei fundo e tentei não chorar. A miniatura de Enzo sabia machucar mais do que ele próprio.
Sorri e, engolindo toda a dor, virei as costas e parti.
Depois que atravessei aqueles portões, foi como se ar voltasse a entrar nos pulmões. Ao mesmo tempo que eu amava Enzo e Davi, eles me aprisionavam até a alma e aquilo não me fazia bem.
Amar era uma droga!
Quando cheguei em casa, papai e Will me esperavam.
— Quando Enzo e o meu neto voltarão? — papai perguntou, ansioso.
Ninguém ali tinha dúvida que ele havia se apaixonado por Davi. Era impossível não amar aquele garotinho. Mal eles sabiam o quanto meu menino conseguia ser cruel quando queria.
— Em breve... eles voltarão. — menti.
Almocei com meu pai, que fez macarrão com queijo e batatas fritas, pois sabia que era a minha refeição favorita.
Depois saí com Will. Primeiro fomos naquele lugar horrível pagar o agiota fofinho que parecia o Papai Noel, mas se chamava Marcondes. Ele pegou o dinheiro, não deu desconto por eu pagar alguns dias antes e também não anotou em nenhum lugar que a dívida havia sido paga.
— O senhor... não vai registrar que paguei? — perguntei.
— Está... duvidando da minha idoneidade, menina? — ele me olhou, a barba longa e branca quase encostando na mesa.
— Na verdade... — olhei para os dois homens que apareceram do nada, grandes feito ogros, ou melhor, trolls. — eu... não duvido. Óbvio que não. Assim como me emprestou, certamente saberá que eu paguei. — sorri, tentando não aparentar o nervosismo na presença daqueles brutamontes.
Marcondes sorriu de forma gentil. Sorri de volta e fui para o carro.
— Tudo certo? — perguntou Will.
— Ele não anotou que eu paguei. Mas tudo bem.
— Ele não anota mesmo.
— Como você sabe que ele não anota? Você nunca pagou!
— Eu acho... que não faz sentido ele anotar.
— Mas ele deveria anotar, já que tem problemas de memória e pode esquecer.
— Você não acha que ele virá atrás de você, não é mesmo? A quantia que a gente pega com ele é ínfima. Não vale a bala que usariam no revólver.
Respirei fundo e disse:
— Me sobrou alguns norians. Poucos, mas o suficiente para comprar a primeira roupinha para o meu bebê. — toquei meu ventre.

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