Eu não olhava filmes. Quando era criança assistia alguma coisa vez ou outra. Mas depois que fui embora da Índia, minha vida mudou totalmente.
Eu gostei de Emma. Gostei muito. Mas Maçãzinha era cheia de vida. Ela transbordava desejos, alegria, ansiedade... tudo ao mesmo tempo. Seus olhos brilhavam por coisas pequenas, com palavras simples. Eu não conseguia ver maldade nela. Pelo contrário, nunca alguém me pareceu tão normal depois que passei a conviver com os Asheton.
Ela era inocente. Ainda. Mas seria corrompida pela maldade que pairava sobre aquela família. Enzo não era um homem ruim. Pelo contrário, eu gostava muito dele. Mas o que ele e Zadock tinham era forte demais para não contaminar todos a sua volta.
Caliana era forte e conseguiu quebrar as correntes. Mas antes disso sofreu... muito. Ficou forte quando ser fraca já não era mais uma opção.
Enzo, por ambição e desejo de ferir Zadock, também destruiu Caliana. Ele podia não estar presente na morte da mãe dela, mas foi quem levou as cinzas. E teve coragem de se sentir traído quando cogitou que Zadock e Caliana tivessem conspirado quanto ao atendado contra Davi.
Os irmãos Asheton não eram normais ou previsíveis. E, por mais que não quisessem, machucavam quem estava próximo deles. Amavam suas mulheres, mas antes disso, as feriam profundamente. E eu não queria que Maria Fernanda passasse por isso.
Maria Fernanda só foi parte de um plano que deu certo. Porém com a pessoa errada. Ela não era para Enzo. Ele jamais saberia amá-la ou cuidar dela. Diferente de Zadock, que não tinha ninguém a quem amar, Enzo tinha Davi. E Davi tinha uma mãe. E eu sabia que Amanza não ficaria para sempre presa. Mais cedo ou mais tarde ela seria libertada. E viria atrás do filho. Ou melhor, da herança do filho.
— Como você foi parar como assistente de Enzo? — ela perguntou, interessada.
Eu não tinha porque contar aquela história. Aliás, Caliana me perguntou várias vezes e eu nunca esclareci sobre minhas origens.
Mas Maria Fernanda era uma pessoa normal. Então, entenderia o que aconteceu e jamais me julgaria. Assim como eu, ela nasceu numa família onde havia cumplicidade e amor. Não que Caliana tivesse sido privada de amor na infância. Mas a esposa de Zadock já nasceu da maldade, do pecado, da vingança. Seu destino estava entrelaçado ao de Zadock desde sempre, porque ela era uma Harlow. E isso, por si só, faria com que os dois se conhecessem, mesmo que fosse em outras circunstâncias.
— Antes de seu ser assistente do senhor Enzo, trabalhei com o meio-irmão dele, Zadock Asheton.
— E... você é indiano de verdade? Ou metade indiano e metade noriahnense?
— Nasci na Índia. Meus pais eram indianos.
— E como você veio parar aqui, homem?
Eu ri. Ela era engraçada.
— Eu tinha uma tia em Noriah Norte. Ela morava perto de uma universidade. Como minha família não tinha muitas condições, eu não teria chance de estudar na Índia. Então vim para fazer a faculdade e com intuito de que quando concluísse, voltaria para minha terra natal.
— Mas... você não voltou, estou certa?


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