POV Enzo
Assim que Aayush saiu, me recostei na cadeira e fiquei olhando para o nada. Achei que tudo estava indo bem entre Maçãzinha e eu. Fiz planos... muitos planos. Mas pelo visto eu nunca estive nos planos dela.
Fui até a estante e me servi de uma dose de uísque. Joguei meu corpo no sofá, afundando minhas mágoas no líquido âmbar que engolia até a alma quando tomado na quantidade certa.
Um dia. Ela se foi por um dia e eu morri. Não havia a mínima chance de eu deixar Maçãzinha partir da minha casa. Assim como eu sabia que partir do meu coração era impossível.
Minha visão estava turva quando olhei para o relógio. Parecia 22 horas. Ou seria 44?
Peguei meu celular e fiz uma ligação.
— O que você quer essa hora?
— Minha esposa me traiu. — falei, tentando não arrastar a língua — e eu vou me atirar da janela do meu escritório.
— Faça isso. Derringer vai amar criar Davi.
— Quero que você faça um serviço para mim.
— Que serviço?
— Mate o amante dela.
— Por que você mesmo não faz isso? Ou vai tentar me convencer de que nunca atentou contra a minha vida?
— Zadock, você precisa matá-lo. Se eu fizer isso, serei culpado. E preso. E eu tenho um filho para criar.
— E eu uma filha e uma esposa. Detalhe: a minha esposa não me trai.
— Por que você tem que ser tão filho da puta comigo?
— Isso que dá casar-se com alguém que você mal conhece.
— Mas você se casou com Caliana dias depois de conhecê-la, porra.
— Derringer é Derringer. Ela não é uma maçã. É uma arma letal.
— Maçãzinha também é uma arma letal. Ela me mata todos os dias, cada vez que olha para mim, cada vez que me deixa gozar na sua maçã.
— Definitivamente, eu não preciso ouvir isso!
— Não desligue... por favor. — pedi.
— O que você quer, Enzo?
— Me diga... que tudo vai dar certo. E que ela não vai me deixar.
— Tudo vai dar certo e ela não vai te deixar.
— Filho da puta.
— Eu sei. Agora eu sei que realmente sou um filho da puta. Você mesmo me contou, lembra? Fez questão de investigar e me dar a notícia em primeira mão.
— Vou me matar e você levará essa culpa para sempre.
— Eu não vou me sentir culpado. Por que acha isso?
— Porque eu te dei pizza de calabresa pela primeira vez.
— E as outras dez eu comi com Derringer, porque ela também conhecia.
— Dói... dói pra caralho ter ciúme e ser traído.
Ouvi o suspiro de Zadock do outro lado da linha:
— Ciúme é horrível. Eu sempre achei que Derringer amasse Leonel. E no fim, ela me amava. Acho que você dever perguntar para a sua maçã o que ela sente de fato. E se ela amar o amante, a aprisione. Comigo deu certo.
— Ela já está presa, embora não perceba.
— A prenda de uma forma que não possa mais sair da sua casa... nunca mais. Ao menos até que você confie nela. Isso pode levar... alguns meses.
— Tem certeza que dará certo?
— Certeza, certeza eu não tenho. Mas, levando em conta que Derringer se apaixonou porque não via mais nenhum homem além de mim... acho que pode sim dar certo.
— Ok, vou aprisioná-la. Serei o carcereiro de Maçãzinha.
— Acho que tem grandes chances de ela se apaixonar.
— Posso transar com ela quando estiver presa?
— Não só pode, como deve. Mas antes a faça morrer de ciúme.
— E se eu morrer de ciúme antes?
— Não seja fraco, Enzo. Você foi forte a vida toda e agora vai perder para uma mulher que tem uma maçã tatuada na bunda?
— Você... me acha forte? Um bom oponente?
— Sim. Admito que você sempre foi a maior pedra no meu sapato. Por sorte, consegui retirá-la.
Olhei para o teto e vi tudo rodar. Respirei fundo e disse:
— Davi... está muito rebelde.
— Ele... é assim. Levando em conta todo o passado traumático do meu filho... até que ele é um bom garoto.
Ela sentou-se ao meu lado:
— O senhor, quer ajuda para ir para o seu quarto?
— Você é mesmo legal, Shirley. — aceitei a ajuda dela.
Apoiei meu braço nos ombros dela e Shirley me carregou em direção ao meu quarto. Quando viramos no corredor, deparamo-nos com Maçãzinha. Quando meus olhos encontraram os dela, o frio na barriga que me fez querer morrer.
— Você está atrasada, Maçãzinha. — falei, fingindo estar sóbrio.
Ela olhou para Shirley e depois para mim e disse, com um sorriso estranho:
— Percebi que estou atrasada... nitidamente atrasada.
E ela passou por mim, fingindo que eu era um móvel que encontrou pelo caminho.
Olhei para Shirley, que disse:
— Ela não merece o senhor.
— Não merece mesmo. O horário dela é sete horas. E agora são... 44?
Shirley não disse nada. Abriu a porta do meu quarto e me pôs na cama. Retirou meus sapatos e foi desafivelando a minha cinta. Peguei a mão dela com força:
— Esse limite você não pode ultrapassar. Já tem dona...
— Só quero... ajudar.
— Já ajudou. Fazer com que eu te foda me deixará numa situação ainda mais complicada.
— Eu... sou discreta.
— Eu não conseguiria levantar o meu pau para você. A sua maçã é muito grande. E estranha.
Ela arregalou os olhos.
— Você é bonita... eu não quis ser... rude. Mas você ficaria ainda mais bonita se... tivesse os cabelos mais curtos. E escuros. E... olhos mais azuis. E... uma tatuagem menor. E... fosse... ela.
— Idiota!
Ela me deixou ali, para morrer sozinho e fechou a porta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...