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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 127

POV Maria Fernanda

Enquanto meu corpo se contraía em cólicas fortes, eu tentava imaginar a cena do “Holi” indiano. Quando fechava os olhos, me via com Enzo, nosso bebê e Davi, coloridos de pó de todas as cores.

Porém, quando meus olhos abriram, tudo que eu via era a claridade das lâmpadas que pareciam competir em velocidade com a maca que se movia com rapidez pelos corredores.

— E meu menino... — perguntei à enfermeira que estava ao meu lado, ajudando a conduzir a maca. — como ele está?

— Ainda não sabemos, senhora... o ultrassom logo será feito e...

— Davi — fui mais clara — Davi Asheton... como ele está?

— Não temos notícias. Sinto muito.

Não me importei mais que as lágrimas me consumissem. Já fazia um tempo que eu não chorava tão copiosamente. Na verdade, eu sabia exatamente quando havia sido a última vez que aquilo aconteceu: no funeral da minha mãe.

Eu tive uma infância baseada na perda. Dolorida, saudosa. Sempre me perguntava porque a minha mãe teve que partir tão cedo. E por qual motivo meu pai, mesmo junto de nós, parecia estar morto, embora seu corpo se movimentasse.

Funerais sempre foi algo que me tocou profundamente. Eu não lembrava do funeral da minha mãe. Mas me remetia a dor profunda daquele dia. Talvez, assim como Davi, minha mente infantil decidiu bloquear parte daquele momento para poder seguir a vida sem carregar a dor tão palpável.

Eu não queria perder meu bebê. E não queria perder Davi. O sangue em seu rostinho poderia ser por inúmeras situações. Mas o fato de estar desacordado era intrigante.

Fiquei alguns minutos sobre a maca em uma sala. Eu fazia perguntas, mas ninguém respondia. Só mandavam que eu me acalmasse. Pedi que uma das enfermeiras me ajudassem a sentar e assim fizeram.

Aquele simples gesto fez com que eu me sentisse melhor e a dor na cabeça diminuísse um pouco.

Quando a porta se abriu, a mulher que entrou tinha uma postura firme e no jaleco havia um crachá pendurado escrito “Enfermeira chefe”.

— Senhorita Lorenz, eu sou a enfermeira responsável pelo seu atendimento. Vou explicar exatamente o que vamos fazer, está bem?

Assenti. Eu tinha mil perguntas para fazer, mas imaginei que antes dos exames ninguém me tiraria dúvida alguma.

— A senhorita sofreu uma queda de escada com impacto na região lombar e abdominal. Como há suspeita de gestação, precisamos avaliar três pontos principais: trauma físico, sangramento e condição gestacional.

Assenti de novo, sem falar nada. Eu estava muito nervosa e temia não me fazer entender através das palavras.

— O médico já solicitou um hemograma completo, dosagem de beta HCG, ultrassonografia abdominal, avaliação da pressão arterial.

— Qual a probabilidade — minha voz foi tão frágil que até eu tive pena de mim mesma — de o meu bebê ter resistido?

A enfermeira manteve o tom técnico, com neutralidade:

— Uma queda pode provocar descolamento de placenta, sangramento uterino, ameaça de aborto ou apenas um trauma sem complicações. Neste momento, ainda não podemos afirmar nada. Por isso, o obstetra foi acionado para avaliar especificamente a parte gestacional.

— Estou sangrando — falei, tentando me manter calma enquanto olhava para o sangue que manchava o meu jeans claro.

— É preciso levar em conta a intensidade e frequência do sangramento. Então, tente não se preocupar com isso. Como estão as cólicas?

Fui conduzida a uma outra sala e colocada numa cadeira ginecológica. A enfermeira explicou:

— O obstetra já está a caminho. Ele fará a avaliação clínica e interpretará os exames de imagem. Só ele poderá prescrever os medicamentos para a dor. Posso lhe ajudar em mais alguma coisa?

— Sim. — falei de forma firme, tirando uma força de não sei onde — eu preciso que avise o meu irmão que estou aqui.

Ouvimos uma leve batida na porta e então deparei-me com Michael. Nossos olhos e encontraram e meu corpo contraiu-se nervosamente. E depois relaxou.

Eu confiava em Michael. Embora ele fosse um médico residente, tinha se esforçado muito para chegar ali. Ele não foi o tipo de pessoa que desde sempre quis ser médico. A decisão foi tomada, de forma muito prematura, óbvio, pois ele ainda era uma criança, quando minha mãe estava no hospital.

Não lembro a situação em si. Mas eu estava triste ou talvez chorando próximo do quarto dela. Will estava no meu colo. E, dentre as poucas lembranças da infância, aquela do meu irmão em silêncio nos meus braços, com o coraçãozinho acelerado e agarrado a mim como se eu fosse a única coisa que lhe restasse, jamais fora apagada. Era a única lembrança que eu tinha de quando minha mãe esteve hospitalizada.

Michael chegou junto dos seus pais naquele dia. Sentou-se ao meu lado, abraçou-me junto de Will e disse:

— Fê, eu vou ser médico. E vou salvar a tia Lola. Ela vai ficar bem. E você nunca mais vai ficar triste.

Então ele foi lá. E se formou em medicina. E por isso eu nunca hesitei em ajudá-lo da forma como pude. Quando Michael tomou aquela decisão foi por mim. E, independentemente do que ele fez para me magoar um dia, a maior parte da sua vida foi comigo, estando ao meu lado nos piores momentos e me abraçando forte e dizendo que tudo estaria bem, mesmo quando meu mundo estava desmoronando.

Agora meu mundo estava desmoronando. E Michael estava ali de novo. Porque ele sempre estava.

— Fê... vai dar tudo certo. — disse enquanto andava na minha direção, a passos firmes.

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