Assim que vi Aayush no corredor, não hesitei e peguei-o pelo colarinho, esbravejando:
— Eu te dei uma única função, Aayush...
— E eu sinto muito, senhor Enzo. Sei que fui culpado. Eu deveria... ter ficado o tempo todo junto com o menino Davi.
O soltei, com força:
— Não, você não precisava ficar o tempo todo ao lado de Davi. Para isso eu pago Shirley. Mas... onde você estava quando Maria Fernanda caiu da escada?
Ele não disse nada.
— Por que você não me disse a porra da verdade?
— Depois da segunda vez tentei ligar novamente para o senhor, mas o telefone estava fora de área.
Não consegui conter o sarcasmo ao dar uma risada sem humor:
— Talvez seja porque eu estava a 40.000 pés de altura, usando o Wi-fi de uma aeronave com conexão via satélite que decidiu ter problemas.
— Então... foi por isso que não consegui a ligação.
— Você deveria ter dito o que estava acontecendo na primeira vez que me ligou. — passei as mãos pelos meus cabelos, nervosamente.
Encarei Aayush e olhei no relógio:
— Você tem dois minutos para me dizer porque meu filho foi dopado com Zolpidem e como minha esposa caiu da escada.
— Zolpidem? — ele me olhou, surpreso.
— Havia Zolpidem na urina e no sangue do meu filho.
Aayush perdeu a voz.
— Me diga a porra que aconteceu na minha casa nas poucas horas em que estive ausente e deixei tudo aos seus cuidados. — falei, entredentes.
— Eu estava no escritório. Levei em conta que o menino Davi tem uma babá que é responsável por ele e Maria Fernanda é adulta e tem liberdade de andar pela casa. Ouvi gritos e quando cheguei ao local, próximo da escada, vi Shirley com Davi no colo. Ele estava ensanguentado. E ao pé da escada encontrei Maria Fernanda, no chão... também sangrando. Pedi uma ambulância. E realmente só veio uma. Shirley fez questão de levar Davi e eu trouxe a sua esposa na sua Ferrari, que era o carro mais veloz que encontrei, já que a próxima ambulância demoraria alguns minutos a chegar.
Respirei fundo. Eu sabia que tinha que ir ver Maçãzinha. Mas eu estava com medo. Muito medo do que eu encontraria. Me certificar de que ela provavelmente havia perdido o bebê seria a pior coisa que me aconteceu desde o atentado contra Davi naquela pista de pouso, há anos atrás.
Senti minhas mãos trêmulas e me escorei na parede:
— Ela... está bem? Me diga que sim, Aayush... ou eu vou matá-lo. — tentei desesperadamente conter a lágrima que ameaçava escorrer pelo meu olho.
Eu estava furioso, e já não tinha mais capacidade de pensar muito. Minha cabeça latejava e corpo estava totalmente enrijecido.
— Ela... ela... a princípio não teve nenhuma fratura. Mas...
Saí da parede onde eu estava recostado:
— O bebê. — eu quis saber — Como está o bebê?
Aayush arregalou os olhos:
— O senhor... já sabia do bebê?
— Sim, eu sabia. E adivinha? Não foi você que me contou, pois é um péssimo informante. Te pedi pouquíssimas informações até hoje e o que você me trouxe? Nada de concreto. Nunca. Porque fui eu que pedi. Aposto que se fosse Zadock, isso não aconteceria, não é mesmo?
Aayush abaixou a cabeça.
— Quero os vídeos. E tudo que as câmeras da casa captaram.
— Eu já pedi essa informação, senhor.
— Ah... alguém te orientou a fazer isso? Ou a sua capacidade resolver apareceu de uma hora para outra? — não me contive. — o que aconteceu na minha casa?

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