— Enfim... você pode tentar enganar o senhor Enzo, Maria. Mas não pode enganar a si mesma. Sabe que deixei Davi aos seus cuidados por alguns minutos e depois o encontrei ensanguentado no banheiro.
Estreitei os olhos, procurando pelos de Enzo. Novamente o meu “marido” fingiu demência, o que não era muito difícil para ele.
— Você está mentindo. Estava na sala lixando as unhas e deixou Davi sozinho. Eu o procurei. Eu o encontrei no banheiro, com a torneira aberta, o sangue escorrendo pelo piso. E gritei por ajuda. Só então você veio. — rebati.
— Como eu disse, Maria, você pode fingir para si mesma. Mas isso não muda os fatos. — Shirley seguiu na mentira.
Fiquei em silêncio. Não adiantava alertar Enzo da verdade. Ele acreditava no que queria. E desde sempre escolheu que eu fosse a vilã, assassina profissional, agente secreta ou seja lá a porra que decidiu que eu era na sua vida.
— Tem alguma coisa a dizer, Maria Fernanda? — Enzo me inquiriu.
Eu detestava quando ele me chamava de Maria Fernanda. Respirei fundo e olhei para Shirley:
— Sim, eu tenho algo a dizer. Não sou Maria para você e sim senhora Asheton. E pelo que lembro, Enzo te alertou disso. Se me chamar assim de novo, como se fôssemos iguais, vou te botar no lugar que merece, que é fora dessa casa. Ou esqueceu que você é só a babá?
Ela olhou para Enzo, pedindo que ele intervisse a seu favor. E foi o que ele fez:
— Devo a vida do Davi a Shirley, Maria Fernanda. Portanto, seja mais educada com ela.
— Ah, sim — eu ri, com escárnio — pode me chamar do que quiser, querida Shirley: Maria, Maria Fernanda, Maçãzinha. Lembrando que as pessoas que eu mais amo me chamam de Fê. Então, por favor, não me chame disso. É só para os mais íntimos. — pisquei um olho.
Foda-se! Se Enzo queria briga, teria briga.
— Fê? — Enzo estreitou os olhos — e assim que garoto zumbi a chama. Está querendo dizer que...
— Fê? — Davi manifestou-se — Michael. Foi ele que te deu aquele anel bonito.
— Lindo! — corrigi — Aliás, está lá nas minhas coisas. Vou botar agora mesmo, porque tem um significado muito especial para mim.
Dei alguns passos, mas Enzo me pegou pelo braço:
— Acho que você deve um pedido de desculpas a Shirley — disse entredentes — afinal, ela foi honesta e assumiu o erro, mas você não.
— Não vou pedir desculpas por algo que não fiz. — puxei o braço do poder dele — está achando ruim, peça o divórcio.
Segui andando em direção à casa quando senti a mãozinha morna na minha. Quando fui subir os degraus para acessar a porta principal, Enzo pegou-me no colo.
— Você não pode fazer esforço.
— Então chame Aayush para me carregar para onde quer que seja preciso. Não quero você. — me debati com força até que ele me soltasse.
Em outras circunstâncias, Enzo não me largaria. Mas na presença de Davi, ele não tinha muito o que fazer. Não deixaria o filho me ver debatendo-me.
Shirley se aproximou de nós e estávamos a dois passos da porta quando Enzo perguntou a Davi?
— Filho, quem encontrou você no banheiro e o ajudou?
Davi abriu a boca e estreitou os olhinhos, confuso.
Olhei para Enzo:
— Ele não saberá te responder, porque estava desacordado.
O único som que se ouviu foi o dos pássaros cantarolando nas árvores. Tive vontade de ser a Branca de Neve e chamar todos para me ajudarem. Ela pediu que os animais a auxiliassem a arrumar a casa. Eu precisava que eles me ajudassem a botar a cabeça de Enzo no lugar.
— Eu... não sei, papai. — enrugou a testa.
— Você não pode se casar com a Maria, papai. Eu posso. Porque maridos acreditam nas esposas. E eu acredito nela.
Enzo arregalou levemente os olhos e deu um passo para trás, de forma instintiva.
Abaixei-me na altura de Davi e dei-lhe um beijo no rosto, limpando a lágrima solitária que caiu do meu olho e deslizou pela bochecha:
— Eu te amo, meu menino. Te amo do tamanho do mundo. Você nunca estará sozinho, eu sendo ou não a sua esposa. Jamais vou te abandonar. Estaremos juntos para sempre... mesmo que você faça vinte, trinta, quarenta anos. Porque nem sempre conexões são de sangue. Muitas vezes elas são de coração, de alma. E assim é a nossa. Eu agradeço todos os dias pelo destino ter te colocado no meu caminho. Não importa o quanto eu tenha que sofrer ao longo da jornada. Jamais me arrependerei de tudo que passei até chegar aqui, junto de você.
Ele enlaçou-me com seus braços e disse:
— Eu também te amo, Maria. — soltou-me e pegou a mão do pai, botando-a junto da minha — você e o meu pai são as pessoas que eu mais amo na vida. Papai, peça desculpas a Maria. Ela vai casar comigo e você precisa acreditar nela.
Enzo engoliu em seco e disse:
— Desculpa, Maria.
Não foi sincero. Eu tenho certeza que não.
— Desculpe, Maria. — Shirley disse, sem que ninguém pedisse que se manifestasse.
— Se você a chamar de Maria de novo eu vou mandar apagarem a sua existência, bem como toda a sua árvore genealógica — Enzo gritou com Shirley — Você entendeu, porra?
Ela arregalou os olhos e deu um passo para trás, amedrontada.
Até eu tive medo.
— Papai, o que é porra, afinal? — Davi quebrou a tensão, com a sua voz doce se espalhando pelo ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...