Ele deu a mão para Dakota e disse:
— Quer ver meu avião?
Acho que Dakota quereria qualquer brinquedo que Davi tivesse para mostrar.
Olhei para Shirley, que observava tudo atentamente. Eu não permitiria que as crianças ficassem aos cuidados dela. A preferia debaixo dos meus olhos. Sair dali, nem pensar.
— Shirley — falei de forma segura e altiva — traga os brinquedos, por favor.
Ela olhou para Enzo, hesitante.
— Você não ouviu? — Enzo se manifestou — a minha esposa mandou você pegar os brinquedos.
Ela saiu praticamente correndo para atender a ordem de Enzo.
Olhei para Caliana e respirei fundo:
— Babás! Algumas querem cuidar do pai e não do filho.
Ela sorriu:
— Entendo.
Tentei quebrar o silêncio que eu mesma criei com o comentário a respeito da babá oferecida que Enzo mantinha em casa:
— Será que agora... podemos comer?
— Quem sabe nós duas organizamos tudo? — Caliana sugeriu. — Assim podemos deixar os meio-irmãos interagirem.
Olhei para Aayush, que observava tudo em silêncio.
— Você janta conosco, Aayush.
Ele arregalou os olhos:
— Não, senhora Maria Fernanda. Eu não...
— Não foi um pedido, Aayush e sim uma ordem. — tentei convencê-lo.
Ele olhou para Enzo, como quem pedia permissão.
— Concordo com Maria Fernanda — Caliana disse — você já é praticamente da família, Aayush.
— Eu não...
— Se Derringer disse que você come conosco, você come conosco, Aayush. — Zadock disse seriamente.
— Achei que a casa ainda fosse minha. — Enzo encarou Zadock, com ironia.
— Pelo que lembro você disse a todos que era eu que decidia as coisas por aqui. — o lembrei.
— Eu... sempre pensei em convidar Aayush mesmo! — Enzo levantou os ombros, não se dando por vencido.
Caliana pegou meu braço de forma gentil e disse, num tom de voz baixo:
— Pode me conduzir até a cozinha? Acho que as pizzas foram parar lá.
Pizzas! Eu estava morrendo de fome. Caçar as pizzas era uma ótima opção.
Assim que passamos pela sala de jantar, vi as pizzas sobre bandejas de inox redondas e com pratos gigantescos e talheres de prata. Fiquei muito chateada.
— O que houve? — Caliana quis saber — você não gostou do sabor? Zadock me disse que calabresa era a sua preferida.
— Por quase um ano, vivendo como esposa troféu.
— Mas... isso é crime.
— Homens como eles não pagam por crimes que cometem.
Porra! Eu estava ficando cada vez com mais medo.
— Enzo é muito mais tranquilo que Zadock. Sempre foi meio... doido, debochado, inconveniente... ainda assim, menos rude e malvado.
— Eu não o acho malvado ou rude. Apesar de tudo, ele é bem gentil comigo. E é exatamente isso que me confunde.
— Use isso a seu favor. Se ele é gentil com você, é porque minha teoria está certa. E ele te ama. Jamais um Asheton casaria com alguém se não fosse de sua vontade.
— Como usar a meu favor? Eu nem tenho certeza de que ele me ama.
— Faça o que quiser, Maria Fernanda. Enzo jamais te largará. E ficará do seu lado. Cause ciúme nele. Ele sempre foi bem inseguro.
— Ciumento... ele é muito ciumento. — lembrei, sorrindo — mas eu também sou. Só de imaginar alguma mulher tocando-o eu... tenho vontade de arrancar os cabelos dela.
— Arranque. Ou dê um tiro no coração.
Adorei a brincadeira dela. Caliana era divertida, embora não sorrisse muito.
— Eu vou contar um segredo — ela disse, num tom de voz baixo — vim até aqui porque acredito que Enzo e Zadock precisam aceitar o parentesco, o que já começa a acontecer. E se aproximarem. Nossos filhos precisam ter vínculos, Maria Fernanda, porque futuramente conduzirão as empresas e eu gostaria muito que fossem unidos. Zadock e Enzo não nasceram inimigos. Foram forçados a isso. Mas podemos fazer isso mudar.
Alisei minha barriga. O que ela dizia fazia sentido.
— Sobre o segredo... eu também estou grávida. — ela sussurrou e sorriu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá é a mais nova obsessão do CEO
Porque não desbloqueiam mais capítulos?...
Excelente leitura...